Publicado em 25/01/2010

Pizzaria da democracia burguesa segue funcionando. Foi assim com o mensalão do PT, e é assim com o mensalão do DEM

         O que todo mundo já sabia que ia acontecer agora é fato. O mensalão envolvendo Arruda, governador do Distrito Federal, tem tudo para acabar numa grande pizza. A começar pela criação de uma CPI onde a maioria dos componentes era de seus aliados políticos, o que já provava que qualquer possibilidade de impeachment estivesse descartada. Não deu outra!

Mais uma vez, acontecem as mesmas coisas que já vimos em casos como no mensalão do PT: alguns indiciados entram com pedido de Habeas Corpus, que sempre são concedidos; outros se licenciam provisoriamente dos cargos; algum ladrão é afastado do partido de origem - para depois voltar - e, no final de tudo, ninguém é punido e tudo segue na mesma.

Um escândalo a mais

O escândalo do mensalão do DEM de Brasília começou no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Caixa de Pandora. No inquérito, o governador José Roberto Arruda é apontado como o comandante de um esquema de distribuição de propina a deputados distritais e aliados. Só para se ter uma idéia do tamanho do roubo, em três anos, sogra, mulher e filhos do governador compraram R$ 1,3 milhão em imóveis. Dois filhos de Arruda têm apartamento no mesmo prédio, cada um com 120 m2. Essas acusações são fartamente comprovadas por gravações e documentos.

        Após tudo isso, no entanto, Arruda ainda teve a cara de pau de sair à imprensa tentando justificar seus roubos, colocando a "culpa" no panetone, que alega que iria distribuir. Seria para rir, se não fosse tão revoltante.

Uma das desculpas dadas é de que as gravações foram feitas quando ainda não era governador, como se isso lhe absolvesse de alguma coisa. Tentou também dar um tom de golpe contra seu governo, colocando a culpa no seu atual adversário político, Joaquim Roriz (PSC): “O Roriz dias antes dessa operação já a anunciava. Deu entrevistas. Na véspera, jantou com alguns jornalistas e disse que iria balançar Brasília. Na verdade, o Roriz achou que não ganharia mais de mim nas urnas e tentou fazer um grande escândalo".

Ainda que Roriz esteja envolvido nisso, e ele é outro corrupto, a maracutaia segue existindo. Arruda, inclusive, já compôs o governo junto com Roriz, quando foi Secretário de Relação Institucionais dele. Ou seja: eles, realmente, são todos iguais!

        Sobre as imagens de Arruda guardando dinheiro na meia, este nada declara e joga tudo no colo dos seus advogados: “Sobre esse diálogo, eu não vou mais fazer comentários, por uma razão: os meus advogados estão estudando isso. Essas supostas falhas técnicas precisam ser estudadas. Eu acho que está tudo muito truncado e esquisito. Olha: filme de bandido e mocinho, muitas vezes, no meio do filme a gente acha que o bandido é o mocinho. No final, as coisas sempre ficam claras.”

        Neste filme, que nós todos já vimos, porém, todo mundo é quadrilheiro e a impunidade segue. Aconteça o que acontecer, roubem quanto roubarem, nada acontece com esta corja de políticos eleitoreiros. No vale tudo da democracia burguesa, sempre quem sai perdendo são os trabalhadores que são roubados no dia a dia, seja pela exploração dos patrões, ou pelo desvio de verbas por aqueles que dizem os defender.

A Justiça sempre está do lado dos ricos

A justiça dos trabalhadores é a luta nas ruas

        Para fechar as semelhanças com todos os outros casos de corrupção, vide Lula, Sarney, Collor, Yeda Crusius, etc., a Justiça, mais uma vez, está ajudando a absolver um por um de todos os envolvidos. Não é a toa que, quando estouram os escândalos, todos eles se voltam para estas instituições, pois sabem que eles que as controlam. Por isso dizem: "eu confio na Justiça". Também pudera: os juízes são parte da mesma roubalheira.

        Só existe uma forma de punir quem é culpado, e é lutando nas ruas. Só com manifestações diárias e com ações de ocupação de palácios, gabinetes e propriedades dos corruptos é possível afastar todos os envolvidos em mais este escândalo.

E, para acabar de uma vez por todas com a corrupção, só construindo outro tipo de organização, que lute por um Estado a serviço e controlado pelos trabalhadores, que adote punições imediatas, expulsão de todos que não cumprirem o que a maioria decidir, e onde seja a maioria da população a controlar os recursos públicos. Só com uma revolução socialista e o regime da democracia operária é possível haver uma alternativa a isso tudo.

 

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