Publicada em 06/04/2008

Lula dá reajuste aos militares:
de um lado sucateia os serviços públicos, de outro fortalece a repressão
 

            O governo Lula concedeu um reajuste aos integrantes das Forças Armadas no total de 47,19%. É sabido que o exército Brasileiro é um dos mais precários da América Latina, com equipamentos obsoletos e verdadeiras sucatas como veículos de guerra, por exemplo. Da mesma forma, o contingente de jovens que entra para o exército, marinha e aeronáutica recebe valores insuficientes como remuneração. Em teoria, todos os jovens com 18 anos são obrigados a se alistar nas Forças Armadas, mas na prática o serviço militar deixou de ser obrigatório, tornando-se uma obrigação de poucos.

Também não é novidade que hoje o salário de um soldado que ingressa na carreira militar é muito baixo, não chegando a atingir sequer um salário mínimo. Tudo isso faz com que se torne cada vez mais difícil para o governo e a burguesia manter seu falso discurso de que o exército é a "defesa da nação". 

O projeto do governo é acabar com um tipo de exército mais de massa, em que muitos soldados, mesmo a serviço da repressão patronal e do Estado burguês, são filhos de pais proletários. A nova concepção de exército, por exemplo, é a de uma tropa pequena, mais "ágil", formada por soldados melhor pagos e oriundos das camadas médias da população. Ao mesmo tempo, os oficiais seriam, ainda mais, exclusivamente compostos por setores das famílias burguesas ou cooptados entre a classe média mais endinheirada.

O resultado é a formação de um exército menos suscetível a crises internas, sendo mais comprometido com seu papel de braço armado dos patrões, e completamente afastado da população. Hoje ainda existem crises em diversos quartéis, com episódios de insubordinação, em que soldados não acatam a autoridade de seus superiores.

Nesse sentido, o reajuste dado por Lula, é triplamente útil à burguesia. Em 1º lugar, é uma tentativa de reforçar e recuperar a importância da principal instituição do Estado Burguês, da qual a burguesia depende para manter sua super-exploração sobre os trabalhadores.  Em 2º lugar, este reajuste avança na lógica de restringir a amplitude das Forças Armadas e ir elitizando-a. Por último, o reajuste é uma farsa, pois privilegia os oficiais à medida que não resolve a histórica e absurda distorção de salários entre os comandantes e comandados. Quem vai ter mais benefício serão os altos escalões, com polpudos salários. Aos soldados seguirão as pressões dos superiores, a proibição de sindicalização ou alguma democracia, e salários miseráveis.

Qual o papel das forças armadas no Capitalismo?

Para a burguesia é uma questão de morte a discussão sobre as Forças Armadas, pois é este destacamento de homens armados que garante a segurança militar dos ricos, banqueiros e grandes empresários. O soldado trabalhador vive uma contradição cotidiana, pois ao mesmo tempo em que tem instruções militares (o que é positivo), é obrigado a usar essa instrução contra seus companheiros de classe, contra os trabalhadores.

A burguesia por outro lado, em países semi-coloniais e subdesenvolvidos como o Brasil, é incapaz de possuir exércitos para "defender o país". Na verdade, as tropas brasileiras, profissionais, seriam incapazes de nos defender se houvesse um conflito com o imperialismo americano, por exemplo. A burguesia sabe disso e nem tem interesse em mudar esta situação.

O exército, para os governos como o de Lula, serve somente como força interna, de coerção contra a própria população, como ficam claros os exemplos de ocupação de morros no Rio de Janeiro, proteção de autoridades quando se realizam eventos no Brasil ou de substituição do policiamento de rua quando as polícias entram em greve, por exemplo.

Diferentemente da escola e das universidades, por exemplo, que também cumprem um papel nefasto ao transmitirem uma ideologia que justifica a exploração, as Forças Armadas cumprem o papel de agente da violência burguesa sobre a classe trabalhadora. Se os trabalhadores resolvem expropriar algum banco para pegar o dinheiro e investir em moradia; se os sem terra resolvem ocupar terras de algum latifundiário para plantar e dar de comer para seus filhos; são a polícia e, se necessário, o exército, quem garantem a "ordem" dos ricos.

Além disso, é o exercito brasileiro quem lidera as tropas da ONU/Minustah, que massacram o povo do Haiti, que está morrendo de fome. O exército brasileiro, a mando de Lula e Bush, proíbe os famintos do Haiti de expressarem sua revolta, defendendo o governo assassino daquele país, com armas e tanques de guerra, matando e invadindo casas de trabalhadores.

Pelo direito à instrução militar popular

Embora as Forças Armadas cumpram um papel nefasto, que garante a violência da burguesia sobre os trabalhadores, pior ainda seria se, aos trabalhadores, fosse negado o direito de receber instruções militares. Contraditoriamente, ao mesmo tempo em que tenta alienar e "fazer lavagem cerebral" no recrutas, a burguesia massifica a instrução e manejo de armas, ao exigir o serviço militar obrigatório. É por isso, quem na prática, a direita e a burguesia não se interessam pelo serviço militar.

Os revolucionários, pelo contrário, defendem o direito à instrução militar, acesso ao registro e porte de armas, bem como preços acessíveis aos armamentos, de modo que cada família trabalhadora que queira, possa se defender e possuir uma arma, seja contra a violência provocada pela miséria capitalista, seja a violência da polícia e do Estado burguês.

Embora saibamos que, por dentro do exército, o que impera é a ditadura dos altos comandos contra os soldados, nós achamos muito importante que todo filho de trabalhador tenha o direito de receber instruções militares, e essa instrução deve ter uma remuneração decente com todos os direitos que tem qualquer outro trabalhador, o que mesmo com esse reajuste está longe de acontecer. Somos a favor do serviço militar obrigatório, pois sem isso, é o Estado quem se desobriga de garantir este direito.

Defendemos, dentro do exército, a mais ampola democracia, que deve corresponder à eleição de oficiais pela própria tropa, direito à sindicalização e um programa militar onde as armas estejam a serviço do que definirem os organismos dos trabalhadores.

Estas mudanças, porém só podem vir com a destruição total das Forças Armadas que existem hoje, capitalistas. Será necessário construir embriões de armamento popular e operário, a partir de comitês de autodefesa em bairros, fábricas e demais locais onde isso for possível

O exército operário e a crise no exército burguês 

            Os latifundiários, banqueiros, empresários, a burguesia, como já foi dito, tem o seu exército para defender seus interesses. Os trabalhadores devem fazer a mesma coisa: devem construir seu próprio exército, e é nesse sentido que deve servir o serviço militar para a classe trabalhadora, de aprender com o inimigo como derrotá-lo através das armas.

            Outro fator importante é que mesmo dentro do exército burguês, pela quantidade de trabalhadores que o compõe e pela contradição de ter que defender uma classe que não é a sua, em todas as insurreições sempre tem setores, soldados, que debandam das trincheiras do exército burguês para a trincheira dos operários. Pois é na hora dos enfrentamentos que essa contradição chega a seu limite, fazendo com que soldados se neguem a atirar em seus companheiros de classe e apontem suas armas contra a burguesia e o seu exército.

            Toda a luta da classe trabalhadora deve estar voltada para um fim: A derrota da dominação da burguesia através de uma revolução socialista. E nesse momento, de uma crise revolucionária, não haverá pudor por parte da burguesia em usar de toda sua violência organizada através de seu exército. Por isso os trabalhadores devem usar toda a instrução militar para organizar seu próprio exército, para adquirir armas, pois só assim é possível garantir a vitória da classe trabalhadora sobre a burguesia. Usando da violência operária contra a violência burguesa.

 

 

 

 

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