Baixaria de governador do MS expõe como a homofobia, métodos fascistas e discurso reacionário são práticas comuns entre políticos
Em função de disputas quanto ao debate ecológico e de preservação das riquezas naturais do país, degradadas ao extremo no governo Lula, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi vítima de uma ameaça grosseira e fascista. Minc é o substituto “pró-empresário” de Marina Silva (que já era cúmplice dos níveis escandalosos de desmatamento no Brasil, mas ainda tinha alguns limites). O atual ministro é conhecido por ser ecologista de fachada e defensor dos empresários e do agronegócio, mas, por ter que negociar concessões às lutas e demandas ecológicas, entrou na linha de fogo dos setores mais reacionários e fascistizantes do país, no que se refere à destruição ambiental.
O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), como porta-voz dos interesses dos empresários do setor da indústria e comércio, diante da proibição do plantio de cana-de-açúcar na região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai, que inclui o MS, usou palavrões, ameaçou e cometeu crimes, ao criticar o ministro.
Depois de chamar de "veado" o ministro, disse que, se Minc participasse da Meia Maratona Internacional do Pantanal, marcada para dia 11 de outubro, ele "o alcançaria e o estupraria em praça pública". Depois ainda deu declarações chamando Minc de maconheiro, por supostamente defender as manifestações pela legalização da droga.
Com essa atitude celerada, ignorante e carregada de preconceito, Puccinelli cometeu, além de um discurso de extrema direita, uma série de crimes, como o de agressão, apologia ao crime e ameaça de estupro. Sem falar da “acusação” de homossexualidade, como se fosse um delito. Um governador, que detém o poder de mobilizar as tropas da polícia militar, dar este tipo de declarações sobre o consumo de drogas, ou sobre a orientação sexual das pessoas prova o quanto a política e as instituições capitalistas são tomadas por uma ideologia e práticas fascistóides e inaceitáveis.
Reação “indignada” de Minc, mas todos seguem amigos
Após isso, o ministro de Lula, foi à imprensa para dizer que Puccinelli devia ter algum trauma em relação à sexualidade, além de acusá-lo de contribuir com o desmatamento do Pantanal. Depois da repercussão negativa de suas baixarias, o governador do Mato Grosso do Sul pediu desculpas públicas a Minc, que por outro lado disse que não as aceitava.
A primeira coisa a ser ressaltada neste bate-boca é o nível de discussão que há muito tempo toma conta de todos os parlamentares burgueses: não existe princípio algum no debate, e parece que se está diante de uma baixaria qualquer num boteco. Puccinelli, por seu lado, chegou a um grau de homofobia que deveria ser preso imediatamente. Mas como sempre, ainda mais quando se trata de crimes referentes à opressão, nada acontece com ninguém. Por outro lado, Minc, ao invés de levar o assunto adiante, processar o governador e fazer um debate político, resolveu devolver com ainda mais “gracinhas”, como se fosse uma discussão de rua.
Mesmo diante da aparente indignação de Minc, que tentou fingir não ser homofóbico, ele faz parte do governo Lula, que nada faz para combater a homofobia, cujas consequências seguem mantendo lá em cima o índice de gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais, que são espancados e muitas vezes até mortos, sem nenhuma punição.
Além disso, no que se trata ao Meio Ambiente, é sob o governo Lula que cresceram, ainda mais que no governo de FHC, as taxas de destruição ambiental no Brasil. Da mesma forma, por mais incrível que pareça a um desavisado, Minc e Puccinelli são aliados e igualmente membros da base de apoio do governo Lula,em nível federal.
Assim, se comprova que, apesar da truculência maior de alguns, no fundo, eles são todos iguais. Esse episódio é somente uma pequena parte das baixarias que acontecem o tempo inteiro, e que veio à tona. Imagine-se o que fica embaixo do tapete...
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