Publicado em 13/01/2010

Morre o coronel fascista e ex-deputado Erasmo Dias

O ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo na época mais bárbara da ditadura, e coronel reformado Erasmo Dias, enfim morreu, aos 85 anos. Braço direito do regime militar, ele comandou, em 1977, uma invasão à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde estudantes contrários à ditadura tentavam recriar a União Nacional dos Estudantes (UNE).

        Somente nesta ocasião, mais de mil alunos acabaram presos e levados para o quartel da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (a famigerada e assassina Rota) e para o Dops, a polícia política que torturava e perseguia quem se opusesse aos gorilas da ditadura brasileira.

Ele foi um dos fundadores do partido político Arena, sustentáculo mais aberto da ditadura e, após o regime militar, deputado federal, estadual e, ultimamente, vereador pelo Partido Progressista (PP), sucessor da Arena, e que, ironicamente, hoje faz parte e governa o país junto com Lula e o PT.

Formado em História pela Universidade de São Paulo (USP) e em Direito pela Universidade da Guanabara, o “nobre e distinto” conhecedor das leis e professor aplicou-se com muito afinco na tarefa de eliminar pessoas desarmadas, amarradas e espancadas até a morte, sem nunca terem tido direito à defesa, ou a um julgamento justo.

        Erasmo Dias compôs a escória do que há de pior entre o ser humano, produto do capitalismo e de regimes de exceção, dados ao arbítrio, à violência e ao terror contra a maioria da população.

Depois de estar internado no Hospital do Câncer de São Paulo, a morte de Erasmo Dias só não pode nos encher de satisfação, pelo fim da vida de um criminoso contra a classe trabalhadora, pelo fato de que não foi desfechada por suas vítimas e o torturador sai da vida sem sequer ter sido julgado, em pleno vigor na Lei de Anistia.

Considerada intocável até mesmo por quem manda no governo Lula, esta “lei da impunidade”, garante a velhice sadia e a morte tranquila para esses que fizeram da vida de tantos um martírio, e da morte de milhares um legado que até hoje não se pode esquecer.

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