Publicada em 22/03/2008

Lula promove movimentos sociais à criminalidade.

Nas últimas semanas os ativistas do MST, da Via Campesina e os trabalhadores do campo e da cidade demonstraram a sua força, com ocupações e atos que agridem o poder da burguesia, e o governo Lula, como defensor dos empresários e banqueiros não tardou em lançar mão de medidas repressivas duras contra os movimentos sociais.

A classe vai à Luta, a burguesia vai aos Tribunais

No mês onde o MST, a Via campesina e o MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens), demonstraram sua força, fechando ruas, bloqueando ferrovias e hidrelétricas, setores que atingem diretamente os negócios da burguesia, o governo Lula e as instituições do Estado Burguês deram suas respostas. Um exemplo foi no caso da ocupação dos trilhos de ferrovias utilizados pela Vale, antiga Vale do Rio Doce.

Segundo informações da empresa, durante as 12 horas em que o trilho foi bloqueado, cerca de 300 mil toneladas de minério de ferro deixaram de ser exportadas; representando um prejuízo gigantesco para os acionistas estrangeiros da empresa. Após a manifestação, a Vale entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e obteve uma liminar "preventiva" que proíbe o MST, assim como João Pedro Stédile, de promover atos e ações de qualquer espécie que interrompa as atividades da Vale, sujeitos a pena e multa. Ou seja, no que depender do governo Lula e das instituições burguesas, como a justiça, todas as medidas que afrontem o direito dos ricos de explorar os trabalhadores serão reprimidas.

Mas não são só com penas e multas que a burguesia ataca os trabalhadores que lutam. A burguesia ataca os trabalhadores principalmente com muita repressão e violência! Como foi o caso do agricultor Welinton da Silva, que foi atingido por um tiro na perna, quando participava do protesto promovido pelo MST e demais movimentos sociais que ocupavam a hidrelétrica de Estreito, na divisa do Maranhão com Tocantins.

Lula: de lutador à repressor dos movimentos sociais.

Os movimentos sociais do Brasil estão , a cada dia que passa,    sendo mais criminalizados. Ações que antes tinham uma "certa tolerância" dos governos burgueses, hoje são reprimidas principalmente pelo governo de Lula, um ex-metalúrgico, líder de greves históricas como no ABC paulista. E, em se tratando de greves, os ricos também têm seus planos para acabar com essa ferramenta da classe trabalhadora: novas leis que "regulamentarão" as greves, estabelecendo que se uma categoria em greve não seguir as regras impostas pelo governo, a greve  será considerada ilegal, e os trabalhadores serão tratados como criminosos, e punidos como tais.

A imprensa defende soluções fascistas contra os que lutam por terra

Para ajudar Lula em sua missão de criminalizar os movimentos sociais, e tentar ilegalizar as greves, a grande imprensa (paga por anúncios milionários do governo) redige matérias sob encomenda da burguesia contra os trabalhadores. O Estadão é um dos melhores exemplos dessa campanha fascista promovida pela mídia. Seguem os trechos mais policialescos do editorial:" O juiz substituto de Piranhas (AL), John Silas da Silva, expediu na quinta-feira mandados de busca e apreensão e autorizou a Polícia Civil a fazer uma devassa em fazendas e em acampamentos e assentamentos de sem-terra à procura de armas na região.

Essa decisão foi tomada depois do conflito de quarta-feira, que deixara oito sem-terra feridos. Centenas de pessoas ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) haviam tentado invadir a Fazenda Lagoa Comprida e foram recebidas a tiros, disparados por pessoas a serviço do proprietário da fazenda, Jorge Fortes Gonçalves - que foi preso e levado à Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.(...) Consideremos agora o seguinte: em qualquer propriedade urbana é permitido o uso de pessoas empregadas no serviço de segurança - contra invasões ou assaltos -, inclusive, quando autorizadas legalmente, portando armas de fogo. Por que deve ser diferente em se tratando de propriedade rural? Terá o dono da fazenda menos direito de defender o que lhe pertence? Se uma residência ou uma empresa é invadida ou assaltada na cidade, é hábito a Justiça mandar fazer uma investigação para saber se a vítima possui algum tipo de arma? Ou será que o parágrafo 1º do artigo 1.210 do Código Civil Brasileiro não tem vigência alguma no campo, mas apenas nas cidades? Pois não resta dúvida de que o trabalho de segurança, contratado pelos proprietários urbanos, pode constituir uma 'intimidação', uma 'ameaça' e até uma ação concreta (um tiro) contra eventuais invasores.(...) ."

Aí está o Estadão como porta-voz da burguesia fascista e criminosa, infelizmente amparadas pelo governo Lula com toda sua força. 

Lula cria novas formas de repressão aos movimentos sociais

Lula já está criando outras formas de repressão aos movimentos sociais mais eficientes. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já foi encarregado de identificar pontos mais vulneráveis, de setores importantes à burguesia, como o caso de hidrelétricas, trilhos ferroviários, portos e etc. Justamente esses setores são os quais a burguesia utiliza para escoar sua produção. Este gabinete, seguindo o projeto, prevê um funcionamento conjunto entre setores de inteligência do governo, ministérios, e as polícias.

A Via Campesina,o MST, MAB e demais movimentos sociais da cidade e do campo, para serem coerentes com as suas lutas, precisariam romper com o governo de Lula, tão neoliberal e inimigo dos trabalhadores quanto o do FHC. A miséria, o desemprego, o problema da falta de moradia e a urgente reforma agrária só virão com a derrota do governo Lula e do congresso corrupto.

Contudo, por trás do governo de Lula, encontra-se a burguesia e o capitalismo, que em sua época imperialista nada pode conceder aos trabalhadores. A única maneira de, de fato, de se terminar com a exploração e começar a resolver os problemas do Brasil é derrotar o capitalismo e construir uma nova sociedade, uma sociedade socialista.

É isso que os movimentos como o MST se recusam a defender. Ao participar do governo Lula e ser sustentados pelas verbas que o governo lhe repassa diretamente ou através de suas ONGs, o MST se torna cúmplice dos próprios assassinatos que sofre. Por isso, não é possível romper com a política fundiária e assassina de Lula sem romper com o próprio MST. É preciso uma nova direção na luta dos trabalhadores rurais, assim como para a classe de conjunto. É preciso uma direção revolucionária.  

 

 

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