Polícia assassina! Brigada militar invade acampamento e mata sem-terra no RS
Nesta sexta-feira, 21 de agosto, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em ataque aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), matou um dos membros do movimento.
Eltom Brum da Silva, de 44 anos, foi executado quando a Brigada tentava remover um acampamento de dentro da Fazenda Southall ocupada pelos sem-terra, em São Gabriel (RS). Numa comumente chamada “ação de reintegração de posse”, mais de 230 policiais invadiram o assentamento e agrediram cerca de 270 sem-terra, sendo que metade eram mulheres e crianças.
O Coronel Lauro Binsfeld, comandante dessa operação, foi afastado do cargo já no dia seguinte à fracassada ação policia, numa tentativa de personalizar a conduta fascista de toda a corporação militar e do governo Yeda. O Comandante-Geral da BM, João Carlos Trindade, reconheceu o “erro” da equipe, principalmente devido ao uso de munição letal, o que, segundo ele, contrariou o planejamento elaborado.
Como não foram encontradas armas de fogo entre os sem-terra, não há qualquer dúvida de que os disparos que mataram Brum partiram da arma de um dos policiais (possivelmente até mais de um). De qualquer forma, será aberto um inquérito policial-militar para apontar quem matou o sem-terra.
Considerando-se o histórico da polícia em confrontos com os movimentos sociais, fica claro que eles atiraram contra os militantes com o intuito de matarem, sim. E, a isso, chama-se assassinato, e não acidente ou erro.
Considerando-se o histórico de fracassos nas operações policias, por exemplo o seqüestro do ônibus 174, no RJ; ou o caso Eloá, em SP, também não é de se duvidar que a tragédia tenha se agravado devido ao despreparo e incompetência dos militares. Mas a incompetência e despreparo só podem se manifestar porque a Brigada Militar, a serviço de Yeda Crusius (PSDB), a governadora mais corrupta da história gaúcha, tem sido autorizada a agir com toda a truculência e métodos fascistas que quiser. Foi assim quando agrediu bancários e professores no ano passado, resultando inclusive num militante do movimento revolucionário que teve que ser operado e em uma ativista que teve um dedo arrancado devido à violência estatal.
Reagir com violência à violência do latifúndio
A morte de Eltom foi causada, antes de tudo, pela existência de gigantescos latifúndios e na inexistência da reforma agrária, tanto no RS como no Brasil. Se foi a Brigada quem puxou o gatilho, foi Yeda quem deu a ordem, e Lula quem deu o motivo. O governo federal do PT, Lula e Sarney, prioriza o agronegócio, o latifúndio e as multinacionais do campo, obrigando até ao governista MST a tomar medidas de críticas a Lula, para não perder sua base (que segue morando em acampamentos precários).
A polícia, neste caso, invadiu o assentamento por ordem judicial, ou seja, é vontade também da Justiça de não só manter os latifúndios, como proteger os latifundiários, coronéis ladrões de terra.
Southall é um milionário que possui dezenas de milhares de hectares. A obrigação do governo era acabar com o seu latifúndio -e o de todos os outros- e fazer da terra um bem público, onde todos pudessem produzir, viver e tirar o seu sustento. Mas há anos arrasta-se o dilema governo-MST-Southall. E isso justamente devido ao tamanho abusivo da propriedade do latifundiário, boa parte improdutiva, mas toda ela sustentada na exploração de peões, nos calotes a dívidas e no rouba de verbas públicas. Lula, depois de tudo, ainda foi capaz de pagar uma indenização milionária ao latifundiário parasita, em troca de uma pequena parte da propriedade.
Nada mais correto que quem queira produzir que ocupe a terra. E não apenas ocupe, como resista.
Mas o governo, aliado dos latifundiários e empresários, ou compra a terra (a dita indenização) ou deixa os sem-terra desamparados (já que reforma agrária não é nem promessa). Diante disso, além dos latifundiários, os governos Lula e Yeda também são inimigos da reforma agrária e dos sem-terras. Aliás, eles e todas as instituições burguesas.
Nesse caso, foi o que aconteceu. Lula não queria briga com Southall, e também não queria ter de responder ao MST -sua histórica base eleitoral- e resolveu se esconder, deixando para a “Justiça” cumprir o seu papel histórico: proteger os ricos e prender-matar os pobres. Agora, é hora de responder à altura.
Nem mais um segundo de paz aos ruralistas. Nem mais um latifúndio na região. Os assassinos de verdade seguem nos gabinetes, como políticos; e em suas camionetes de última geração e ganhando dinheiro do governo, para ou não produzir nada, ou gerar lucro para si mesmos, no campo. Mas a luta e a morte de Eltom, e tantos outros, não vai ficar em vão: a classe trabalhadora vai vingar esta morte, com toda a força que for preciso!
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