Publicada em 05/03/2009

A "justiça" ataca de novo:
MST, de vítima a réu

        No último 21 de fevereiro, durante o carnaval, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promoveu a invasão de uma fazenda no agreste de Pernambuco. Durante o conflito com os seguranças da propriedade, na verdade jagunços armados, quatro deles foram mortos.

        Qualquer pessoa minimamente informada conhece os meios que os latifundiários usam para “proteger” a sua propriedade: contratam pistoleiros, capangas; que passam as vinte e quatro horas do dia armados, coagindo e, muitas vezes, exterminando quem atente contra as vontades de seu patrão. Esse era o caso em PE, com verdadeiros assassinos de aluguel e bandidos defendendo o latifundiário.

        Mas isso só os “minimamente informados” sabem.  O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, e o promotor agrário de Pernambuco, não se encaixam nesse seleto grupo. Para estes indivíduos, que fazem questão de ignorar os argumentos das vítimas, que moram em barracas de lona e não têm terra para produzir, só o que existe é a distorção da lei a favor dos ricos.

        Para o promotor pernambucano, por exemplo, o argumento do MST, de ter agido em legítima defesa, é falso. Segundo ele, durante a “luta”, o lado que foi atacado, ao ter a situação sob controle, deve “dar a outra face” e libertar o seu agressor. Esse argumento é novo e, mesmo na justiça burguesa, vai contra o mínimo razoável. Fica claro que a “legítima defesa” só existe para garantir o direito à propriedade dos ricos. Sabe-se que a reação de qualquer pessoa, ao ser atacada, é válida e compreensível, mesmo que desproporcional - o que não é o caso quando se trata de defender-se de ser baleado por capangas.

        Lula e Gilmar Mendes são empregados do latifúndio

Já o Ministro Gilmar Mendes - aquele mesmo que mandou libertar a quadrilha de Daniel Dantas, questionando o uso de algemas nos “distintos senhores” - entende que são as ações de protesto e de manifestação política que têm resultado em violência, sendo os que lutam os culpados pela violência que eles mesmo sofrem e, eventualmente, de quem faz a segurança das terras.

        Essas declarações seriam motivo de risada, consideradas absurdas e beirando a insanidade, não fossem provenientes do presidente da principal instituição do judiciário, o STF. É o fascista Gilmar Mendes, inimigo de qualquer direito de protestar e apoiador da ditadura, quem decide quem tem razão e quem pode ser preso no Brasil.

        O promotor agrário de Pernambuco, por sua vez, inova nos argumentos, mas a essência de seu julgamento é antiquíssima: inverter os papéis e desviar a discussão o máximo possível, até que o agressor (rico) torne-se a vítima do agredido (pobre). E, no caso da ocupação do MST, isso significa transformar os capangas do latifundiário em vítimas dos sem-terra.

        Gilmar Mendes deveria manter a boca fechada pelo resto de sua corrupta e abominável existência! Depois de desacatar o mandado de prisão da Polícia Federal, com a Operação Satiagraha, e entender que aquele bando que causou um prejuízo de milhões nos cofres do país não deveria usar algemas (afinal de contas, algema não é para bandido, e sim para ladrões de galinha), ele mostrou publicamente de qual lado o principal órgão da justiça está: dos corruptos.

Mais que os dois bandidos a serviço do latifúndio, que foram mortos justamente, a reforma agrária, para acontecer no Brasil, terá que passar por cima do cadáver de muitos mais bandidos; alguns de grande destaque, entre eles o fascista Mendes, de quem ninguém lamentaria a morte, na luta por terra e trabalho.

Mas Mendes e a polícia não estão sozinhos nesta campanha pró-coronelismo e latifúndio no campo. O presidente Lula é o mais famoso e importante empregado dos ruralistas brasileiros e multinacionais. Lula apóia os madeireiros que destroem a Amazônia, os agroburgueses que exploram mão de obra semi-escrava e os posseiros que roubaram terras no Paraguai e tem no governo um aliado para manterem seus latifúndios.

Agora, Lula agora saiu em defesa do direito dos capangas que ameaçam os sem-terras. Neste caso, Lula disse que: “É inaceitável usar a desculpa de legítima defesa para matar quatro pessoas”. Lula afirmou que o MST é um movimento antigo e que sabe o que é legal e o que é ilegal. Segundo o presidente, o movimento também sabe que todos têm de pagar pelas ilegalidades cometidas. E, achando ainda não ser o suficiente, Lula ainda continuou: “Com certeza, a Justiça vai agir”.

É preciso uma direção combativa no campo, e não a conciliação atual do MST

Mas o MST, depois de apanhar de Lula e do STF, ainda conseguiu surpreender-se com a declaração do ministro. Segundo Ulisses Manaças, da coordenação nacional do MST no Pará, a entidade esperava uma posição de neutralidade dele em relação a esse tema. E desde quando a justiça, o Estado e a política são neutros?

        Isso não é ingenuidade da direção do movimento, e sim expressão de sua degeneração e burocratização. O MST, que surgiu da necessidade da luta pela reforma agrária, recebe anualmente milhões de reais do governo Lula. Que tipo de independência e comprometimento com o programa dos trabalhadores pode ter uma organização que se sustenta com o dinheiro do patrão que a explora?

        Defendemos que os militantes sem-terra que estão presos sejam soltos imediatamente, pois agiram em legítima defesa, dado que são permanentemente perseguidos. Quanto ao MST, sua ruptura com Lula não deveria ser apenas no papel, e sim na prática.

A reforma agrária não vai ser feita no canetaço, mas sim na luta cotidiana e intransigente contra os exploradores e traidores da classe trabalhadora, sem qualquer vínculo com os patrões e corruptos. Para isso, ou o MST vai para a oposição e coloca como sua tarefa derrotar Lula, inimigo dos trabalhadores e aliado dos ruralistas, ou o MST estará colaborando com quem impede a reforma agrária e terá que ser, também ele, atropelado pelos sem-terra que não se venderem.

 

 

VOLTAR

 
 
Notícias Relacionadas

• Novas denúncias de corrupçãono RS: Mais lama no Governo Yeda

• Sindicatos do RS falam em “Fora Yeda” não para derrubar governadora corrupta, mas como campanha petista para eleições de 2010

• Fórum Social Mundial: Cada vez mais perto do seu fim...

• Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal batem recordes de lucro mesmo com crise. Lógica privada, juros altos e exploração de bancários explicam resultados

•A vida mais cara: Inflação faz subir o preço da cesta básica em 14 capitais brasileiras. E Dieese afirma que salário mpinimo deveira ser de R$2.178,00 para garantir vida digna.