Lula chama MST de vândalo
Não é nenhuma novidade que o presidente Lula tenha mudado suas posições ao longo dos anos. Aliás, conforme suas próprias palavras, ele é uma “metamorfose ambulante”. Nesse mesmo sentido, ele passou a ser mais uma voz a tachar o MST de um grupo de vândalos. Isso acontece ao mesmo tempo em que se criou uma CPI para investigar o movimento, como tentativa de aumentar a intensidade do processo de criminalização da luta por terras no Brasil. Junto da direita com traços fascistas, ruralista, que mata lutadores no dia-a-dia e agora quer “investigar” somente a ação dos sem-terras, Lula se soma ao latifúndio e agronegócio contra os trabalhadores.
Lula, ao longo de sua carreira política sempre se apoiou nos movimentos sociais para construir sua imagem. Hoje, depois de dois mandatos, já está mais que provado que este governo não é capaz de fazer coisa alguma para melhorar a vida dos setores mais pauperizados do povo; ou seja, não é capaz de cumprir nada do que prometeu aos setores que um dia foram sua base de apoio entre os trabalhadores.
Lula deixou bem clara qual sua verdadeira posição em relação ao MST em uma declaração, onde opinava sobre a ocupação da fazenda Santo Henrique. No dia 28 de setembro, cerca de 250 famílias ocuparam a fazenda, e depois, sob determinação judicial, a mando do governo Lula, essas famílias foram retiradas da terra.
Essas terras pertencem a maior produtora de sucos de laranja do país, a empresa Cutrale, que agora quer fazer com o que o Movimento dos Trabalhadores sem Terra pague todos os supostos danos causados à fazenda. Ao mesmo tempo, ninguém fala dos crimes da empresa, em relação à exploração dos funcionários, à sonegação de impostos e a seu papel social nocivo, de exportar laranjas que o povo brasileiro nunca vai comer, e transformar esses lucros em aplicações que sequer ficam no país.
Sem dúvida, isso representa mais um ataque aos trabalhadores que lutam por terras no país. E pior ainda é o discurso de Lula, que só favorece os grandes latifundiários, que junto de seus partidos, e agora com apoio declarado do presidente do país, tentam criminalizar os movimentos sociais e suas lutas.
MST: triste fim de uma direção cooptada pelo Estado burguês
Os trabalhadores da cidade e do campo devem repudiar mais esse ataque desferido contra nossa classe. Assim como devem se mobilizar para derrotar Lula, que tem se demonstrado cada vez mais inimigo de quem luta por seus direitos nesse país. Lula exalta a Constituição do país, como se esta tivesse algum valor. A “carta magna” só garante a violência e exploração contra os trabalhadores, defendendo a propriedade, deixando em segundo plano questões mais básicas, como direito à moradia, terra, emprego e uma vida digna.
É necessário também entender que isso não acontece por acaso. Hoje o MST se encontra completamente enfraquecido e incapaz de levantar a voz diante de um ataque como este. E isso acontece, pois, desde que Lula foi eleito, a direção deste movimento tem ajudado Lula a implantar sua cartilha, dando trégua ao governo, que em quase nada difere do de FHC. A direção do MST, com alguns membros hoje com cargo no governo, é totalmente incapaz de levar até as últimas consequências a luta por terra no Brasil. Não é capaz nem mesmo de responder à altura uma ofensa como essa que saiu da boca de Lula.
É necessário os trabalhadores do campo romperem as amarras da direção governista do MST, e travar uma luta radicalizada no campo, pois essa é única forma de fazer uma ampla e radical reforma agrária no país. Já está provado que, no que depender de Lula, quem vai seguir dominando nossos milhões de hectares produtivos serão os grandes latifundiários e o agronegócio.
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