Balanço do 1º encontro nacional de mulheres da CONLUTAS
Nos dias 19,20 e 21 de Abril ocorreu o Encontro Nacional de Mulheres da Conlutas, com aproximadamente mil pessoas. O encontro tinha como objetivo discutir um programa para entidade que correspondesse às necessidades das mulheres trabalhadoras. No primeiro dia, foram apresentadas as teses (seis no total) das organizações que compõem a Conlutas, entra elas a do Movimento Revolucionário. Ao longo do resto do encontro, houve mais uma plenária de concepção da luta das mulheres, grupos de discussão e um painel sobre conjuntura em que ninguém pôde falar.
O conteúdo dos debates mostrou que há muitos acordos políticos na Conlutas, ao mesmo tempo em que há também sérias diferenças, que, infelizmente, não são discutidas também na base dos sindicatos que a compõe, nem mesmo nos próprios organismos gerais da Conlutas, onde a discussão sobre opressões praticamente não existe.
Um debate importante feito por nossa organização foi a exigência de que a Conlutas se posicione cada vez mais na linha de frente da defesa dos interesses das mulheres e na denúncia de medidas como a criminalização do aborto, que é responsável por até150 mil mulheres com seqüelas ou mortas todo ano. Neste debate, a principal figura pública do Psol (Heloísa Helena) é contra o direito das mulheres não morrerem em clínicas clandestinas e representou um programa de conciliação de classes entre patrão e empregados em 2006.
Como se isso não bastasse, a chamada "frente de esquerda" não defendeu mulher nenhuma, nem nosso programa. Heloísa mantém sua postura pró-machismo, e pró-burguesa quando participa da Marcha Mundial de Mulheres, que reúne mulheres de todas as classes sociais, financiadas por governos e que defendem políticas capitalistas e elitistas como forma de diminuir o machismo. Também integrou o encontro de mulheres empresárias e marcha em defesa da vida com Igreja católica. Ou seja: Heloísa helena, quando faz isso, é inimiga dos trabalhadores e das mulheres que sofrem com o capitalismo, com suas empresárias e com a ignorância da Igreja.
No encontro, a direção da Conlutas, com o PSTU e o PSOL à frente, passou por cima de tudo isso e defendeu Heloísa, impedindo qualquer crítica pública a essa posição reacionária.
No que se refere ao debate sobre a fusão da Conlutas com a intersindical, mais uma vez, se dividiram aquelas que entendem que não é possível uma nova entidade com a Intersindical que se dê nos marcos do classismo e na combatividade ao governo Lula, e as que defendem a fusão a qualquer custo. As representantes do Movimento Revolucionário são contra a fusão, pois ela representa um retrocesso na luta contra o governo neoliberal de Lula, à medida que parte da Intersindical está até mesmo na CUT.
A intersindical se caracteriza nos sindicatos por posturas burocráticas, oportunismo político, afastamento da base e traição à luta das trabalhadoras. Em SP, traiu as bancárias ao fazer um acordão com a CUT e o governo Lula, e fechando chapa com eles para o sindicato de bancários.
A fusão com a Intersindical passou com a maioria dos votos do plenário. É lamentável que a Conlutas, que foi fundada para ser uma alternativa aos trabalhadores diante da CUT governista, hoje tenta se fundir com este setor que, em muitos locais, trai a classe trabalhadora. O PSTU está abandonando o programa da Conlutas pelo seu interesse eleitoreiro, de coligar com o PSOL mais uma vez, na reedição da frente de esquerda. É necessário que o programa da Conlutas seja anti-governo e qualquer setor que o componha seja contra o capitalismo e pratique isso. Somente assim, nossas lutas poderão ser vitoriosas rumo ao socialismo.
Neste encontro, portanto, ao se discutirem os problemas das mulheres, na verdade o que se discute é que programa e com que métodos se vai mobilizar a classe trabalhadora para mudar sua vida. O Movimento Revolucionário entende que é preciso mudar a direção da Conlutas exatamente para isso. Para que se possa impedir a fusão com a Intersindical, para defender as mulheres e seu direito a decidir sobre seu corpo para todas as massas, e não só entre militantes.
A luta da mulher precisa da revolução
A mulher sofre com o machismo no mercado de trabalho, tendo menor salário perante os homens (mesmo ocupando o mesmo cargo). Se for negra, sofre duplamente, pelo machismo e racismo. A cada 15 minutos, uma mulher sofre violência física, moral e psicológica, onde o agressor, na maioria das vezes, é o marido, companheiro, pai e outros familiares. Muitas se sujeitam às agressões porque tem medo de denunciar, pois sabem que a justiça não oferece nem proteção à mulher nem punição ao agressor.
O capitalismo se utiliza dessas opressões para super-explorar as mulheres trabalhadoras e dividir a classe. Por isto, é preciso chegar à compreensão de que a luta contra as opressões é uma luta de toda classe trabalhadora, para pôr fim ao capitalismo. Para avançar a consciência das massas, é necessário que estejamos presentes nas lutas e mobilizações materializando o nosso programa de luta contra todo tipo de opressão.
A Conlutas, neste sentido, tem a tarefa de ser linha de frente na luta pela emancipação da mulher, assim como dos negros, dos indígenas e GLBTs. E, para poder ser vitoriosa, toda luta dos trabalhadores, desde as econômicas até lutas tão decisivas como essa, precisam ir adiante naquilo que questionam. É preciso que se tornem contra o capitalismo como um todo, já que é da existência deste sistema que surge a exploração dos trabalhadores, e, em especial, a super-exploração de gênero, raça e orientação sexual. Por isso, nossa luta deve ser pela derrubada do capitalismo e pelo triunfo da revolução socialista. Só assim pode-se libertar o conjunto da classe e seus setores mais oprimidos.
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