Publicada em 03/09/2009

Ministério do Trabalho reconhece: mulher negra ganha menos e tem menos oportunidade no mercado de trabalho!

Os ministérios, que compõem o governo, são dirigidos por membros de confiança do presidente e que dizem “amém” para todas as suas decisões, ainda assim, precisam reconhecer coisas caras à imagem da gestão de Lula.

Uma delas é a informação apresentada pelo Relatório Anual de Informação Social (RAIS), do Ministério do Trabalho: as mulheres negras têm salário menor e menos oportunidades no mercado de trabalho.

O dado é constatado a partir de números como a comparação salarial entre o homem branco e a mulher negra. De acordo com o RAIS, a mulher negra ganha, em média, R$ 790 e o salário do homem branco chega a R$ 1.671,00, quer dizer, mais que o dobro.

A sua distribuição dentro do mercado formal é outro elemento importante. São 498.521 empregos formais de mulheres negras, contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos.

Esses índices, na verdade, só reforçam o que os movimentos sociais dizem há muito tempo e lutam para erradicar: o machismo e o racismo existente em nossa sociedade. Na verdade, esses preconceitos e formas de opressão -o machismo e o racismo- são a base da discriminação sofrida pela mulher negra.

Mesmo aqueles que pensam ser uma questão de preparo e qualificação, devem se perguntar se a mulher negra tem as mesmas condições do homem e da mulher branca para estudar e se preparar para o mercado de trabalho. É evidente que não. As oportunidades são condicionadas de acordo com a raça, o gênero e a classe social.

A mulher negra, além de sofrer o machismo e a opressão que todas as mulheres sofrem devido à sua condição feminina (o assédio sexual; a dúvida quanto a suas capacidades), ainda é vítima do racismo -fortíssimo- em todas as partes do mundo.  Se à mulher, em geral, fica o papel de objeto sexual, quando se trata de uma mulher negra, e pobre, é pior ainda, pois é comumente exposta a meios e redes de prostituição.

O dado apresentado pelo governo demonstra que mesmo ele (conivente e responsável pela situação de abuso e exploração a que são submetidas as mulheres pobres e trabalhadoras em nosso país) é incapaz de negar e esconder uma situação tão evidente.

Entendemos que as mulheres negras devem se unir às mulheres brancas e trabalhadoras, e aos homens trabalhadores, brancos e negros, para destruir esse sistema explorador e preconceituoso. O fim do machismo e do racismo só pode se dar com o fim da exploração capitalista como um todo e, para isso, precisamos estar unidos enquanto classe, sem distinção de raça e gênero.

 

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