Publicada em 28/12/2008

Pior Natal da década! A crise chega ao Brasil com força

 

E cai sobre as cotas dos trabalhadores na forma: de férias coletivas, ameaça de retirada dos direitos trabalhistas e demissões.

 

A crise econômica que preocupa o mundo inteiro chegou com muita força no Brasil. Diversas empresas já liberaram os trabalhadores através de férias coletivas, e o governo já ameaça tirar os direitos trabalhistas para diminuir o efeito da crise no país, conforme pressão que vem sendo feita por empresários.

 

A General Motors (GM), por exemplo, já anunciou que na unidade de Gravataí (RS) vai haver um terceiro período de férias coletivas. Isso em menos de três meses. A montadora agendou um novo período de paralisação entre os dias 19 de janeiro e 8 de fevereiro para os 5,2 mil metalúrgicos, que ainda estão parados e só voltam ao trabalho dia 5 de janeiro.

 

No mês de novembro, a unidade gaúcha só trabalhou 1 dia; em dezembro foram 5 dias; em janeiro, vão trabalhar menos de dez dias úteis, e em fevereiro também vai haver produção em metade dos dias. Tudo para ajustar a produção à demanda em queda, quer dizer, simplesmente parar de produzir, pois se parou de comprar.

 

Também outras grandes empresas são afetadas pelo efeito avassalador da crise. A Vale deu férias coletivas para 563 trabalhadores. Metade dos funcionários para em férias coletivas do dia 2 até dia 31 de janeiro a outra metade, para do dia 1º de fevereiro a 2 de março. Sendo que a empresa no inicio do mês já havia demitido 1,3 mil trabalhadores.

 

A AGCO, empresa de produção de colhedeiras no noroeste do RS, demitiu 155 funcionários. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) também anunciou esta semana a demissão de 400 trabalhadores.

 

Na Volks mais de 2 mil funcionários já foram demitidos neste final de ano nas várias filiais existente no país.

 

A indústria está despedindo gente o tempo inteiro (mais de 80 mil pessoas somente em novembro) e fechando as portas. Quem ainda estava salvando o PIB e a economia brasileira como um todo, era o setor de serviços, em especial o comércio. Porém, estes dados começam a fazer água também: segundo avaliação dos lojistas, as vendas este ano decepcionaram e muitos produtos vão ficar encalhados. Depois de crescer mais de 10% em 2007, o aumento de vendas este ano mal passou dos 3% até o Natal, representando a falta de dinheiro que já afeta a maioria da população.

 

Como se não bastasse todos esses efeitos nas costas dos trabalhadores, agora mais um cruel ataque surge das empresas, com o apoio do governo. Querem aplicar sobre a classe trabalhadora a redução da jornada de trabalho embutida com a redução do salário, além de prever a possibilidade de suspender o contrato de trabalho, sem remuneração.

 

Ou seja, querem retirar partes dos direitos trabalhistas conquistados com muita luta pelos trabalhadores. Isso é inadmissível! Mesmo a redução da jornada, nestes termos, é inaceitável. As empresas aceitam que se diminua a jornada porque, por conta própria já não estão tendo jornada nenhuma, em função das demissões e férias coletivas. Assim, no papel, fazem de conta que estão cedendo um pouco em troca de os funcionários também cederem, diminuindo seus salários. Na realidade, porém só os trabalhadores perdem e os patrões ganham duas vezes.  

 

É preciso barrar mais esta medida em vista, saída do acordo entre o governo lula e os empresários. Para cada demissão é preciso que se realizem protestos e greves, não só da categoria atingida, mas de todas as outras, não somente pelo aspecto econômico, mas também pela compreensão de que a derrota da burguesia em seu projeto, de empurrar a crise para os trabalhadores, em uma categoria enfraquece o conjunto da burguesia e fortalece os trabalhadores e sua luta.

       

Somente a classe trabalhadora unida, lutando contra a burguesia, o governo e seus dirigentes pelegos do movimento sindical, poderá ser capaz de enfrentar a crise capitalista, impondo seus interesses e necessidades contra os interesses dos patrões e governo.

 

 

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