Obras para os ricos, chuva para os pobres.
No último mês, 2 acontecimentos opostos ocorridos em Porto Alegre (RS) mostraram bem claramente o caráter dos governos, neste caso a prefeitura de José Fogaça (PMDB). Um fato foi a inauguração do Conduto Álvaro Chaves. Este conduto foi construído ao longo de vários anos, sendo o maior investimento já feito em drenagem na capital gaúcha e consumiu a maior fatia do orçamento da cidade em investimentos. Com sua inauguração, bairros nobres afetados por alagamentos, como Rio Branco e Bela Vista terão seus problemas bastante amenizados, senão resolvidos.
O segundo fato foi a verdadeira inundação ocorrida em bairros inteiros da Zona Sul, também de Porto Alegre, como a Restinga e Hípica, bairros pobres. Nesta última enchente, casas inteiras foram alagadas, famílias perderam tudo que tinham, e houve escolas que chegaram a fechar e suspender as aulas.
Estes dois fatos são bem representativos das escolhas dos governantes pelos ricos, enquanto os pobres são abandonados.
Água, para os pobres, só em enchente.
Um dos bairros bastante atingidos pelas chuvas é a Medianeira, o bairro mais antigo, oficialmente, de POA. Este bairro, com muitas moradias precárias, nunca recebeu qualquer investimento em drenagem. Em termos populacionais, pela ordem, Rubem Berta, Sarandi, Restinga e Santa Tereza são os mais populosos. Por conta disso, deveriam concentrar também maior volume de construção por metro quadrado da cidade, mas não é isso que acontece. Curiosamente, todos estes bairros são extremamente pobres.
Nesse ranking, a liderança de investimentos fica por conta de Petrópolis, Cristo Redentor, Bela Vista e Menino Deus, os bairros dos ricos ou da classe média com um poder aquisitivo maior.
A Restinga concentra os maiores problemas sociais no que se refere a assassinatos, violência policial, desemprego e enchentes também. Quando chove mais forte, a população já pensa: o que a chuva vai levar desta vez? A prefeitura de Fogaça nunca investiu para resolver esta situação. Da mesma maneira, o Cristal, a Vila Nova e o bairro Camaquã, também na Zona Sul, só contam com a sorte quando chove. O arroio Cavalhada sobe e inunda as casas a sua beira, na Zona Sul, levando sujeira e doenças para dentro das casas.
No bairro Glória, devido aos deslizamentos de encostas do morro na Rua Agulhas Negras, moradores também estão sendo atendidos. O problema é semelhante no bairro Partenon, onde a chuva está provocando o deslizamento das encostas dos morros existentes no local. A chuva também causou uma erosão na Avenida Protásio Alves, a mais extensa de Porto Alegre, formando um buraco de 4 m.
Eles são todos iguais
Mas este problema não se restringe a Porto Alegre, no RS, muito menos ao PMDB. Em Mostardas, no interior, mais de mil casas – cerca de 30% das residências do município (!!!) – foram destelhadas por um temporal. Isto poderia ser "culpa da natureza", mas o criminoso é que a Defesa Civil e as "autoridades" não só não fazem planos de prevenção, como deixam a população atingida por sua própria conta, depois que os desastres acontecem.
Esta postura é igual a todos os partidos: o PT administrou Porto Alegre por 16 anos e é o maior responsável pela falta de investimentos em saneamento, moradia e canalização de cursos d'água. Fogaça só continua o que o PT fez por quase 20 anos: nada!
Em matéria de alagamento, porém, ninguém ganha de Lula, que deixa o país inteiro sem recursos, o que explica porque em todo o Brasil as enchentes têm as mesmas conseqüências, com milhares de desabrigados, mortes, deslizamentos de terra e prejuízos econômicos. O metrô que liga Porto Alegre à região metropolitana, de responsabilidade federal, por exemplo, ficou fechado por causa da chuva há poucos meses. Pode?
Um transporte que liga cidades e que, em alguns casos, é a única ligação das pessoas com seu emprego, fica fechado, por um dia inteiro, por causa de chuva? É o fim do mundo!
O dinheiro dos pobres paga o conforto dos ricos
Como se fosse outro mundo, o conduto que drenou os bairros nobres de POA, cuja população total reunida é de 100 mil pessoas, o mesmo número de moradores de apenas um dos quase 10 bairros pobres atingidos pelas chuvas, garante tranqüilidade à classe média bem remunerada. Evidentemente que o conduto era necessário, e é um absurdo que tenha levado tanto tento para ser construído. A questão, no entanto, é por que as imagens do parque Moinhos de Vento (Parcão) alagado eram tratadas com muito mais indignação e choque do que a de casas debaixo d'água na Restinga?
O Parcão, onde empresários, gerentes de banco e políticos dão suas caminhadas, exigiu milhões para ser drenado. Mas as ruas da Zona Sul, onde crianças adoecem ao andar por meio da lama e do lixo, não recebem um centavo. O pior disso tudo, é que as áreas alagadas dos pobres, proporcionalmente, pagam ainda mais impostos, como o IPTU. Quer dizer: são os pobres que esperam ônibus na chuva que pagam as obras para que a classe média alta possa passar de carro por ruas bem asfaltadas sem aqüaplanar seus veículos particulares caros.
Por investimentos imediatos em moradia de qualidade para todos, em locais adequados.
Pela remoção das famílias de áreas de risco. Salário e saúde para todos
Por grandes obras públicas, controladas pelos trabalhadores, que urbanizem os bairros e favelas.
Por organismos dos trabalhadores para agir contra as calamidades, que substituam a Defesa Civil inútil.
Que os trabalhadores assumam o controle do orçamento para determinar onde seu dinheiro será aplicado
Sobretaxar os ricos; isentar de impostos os mais pobres e os desempregados.
Derrotar todos os governos capitalistas. Por uma revolução dos trabalhadores, que imponha o poder da maioria da população.