Publicado em 05/10/2010

E o Oscar vai para:

"Lula, o filho do Brasil" !?

Lula ainda tenta criar fatos políticos em torno de seu filme biográfico. “Lula, o Filho do Brasil”, filme de Fábio Barreto, que estreou no dia 1º de janeiro deste ano, será o filme brasileiro representante no Oscar 2011. Uma grande marmelada!

Mesmo depois de ser um fracasso completo de bilheterias, já que filmes como “Alvin e os Esquilos” e até mesmo "Xuxa, em o mistério da feiurinha", em cartaz no mesmo período que o filme do petista, tiveram um público muito maior, Lula ganhou a indicação pelo Brasil.

A escolha, anunciada no dia 23/09, foi feita por uma comissão maior do que a dos anos anteriores. Normalmente, a escolha dos filmes para representar o cinema nacional na premiação norteamericana é feita pela Comissão de Seleção do Ministério da Cultura.

Este ano, para não “pegar mal” para Lula, que, por antecipação, já sabia que seu filme seria o escolhido, se colocou pessoas que não são “ligadas” ao seu governo. Além dos 3 represetantes do Ministério da Cultura, o governo colocou para a escolha mais 2 representantes da Ancine (Agência Nacional de Cinema), que também é ligada ao governo; e mais 4 representantes da Academia Brasileira de Cinema, sem independência nenhuma.

Para qualquer pessoa, já era óbvio que o filme de Lula iria ganhar, pois, num simples cálculo, 5 votos eram de gente nomeada pelo governo Lula, contra 4 dos “independentes”. Mas a votação acabou sendo unânime: os nove votos foram totalmente favoráveis ao filme. Marmelada pura!

Na justificativa dos votantes, os argumentos foram de que "parece ser o mais indicado por mostrar a história de centenas de milhares de brasileiros, não apenas do presidente", e ainda “nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida”, como disse Roberto Farias. E segue a bajulação: “nosso partido é o cinema brasileiro”.

A comissão não representa o interesse dos apreciadores da 7ª arte, até por que, quem gosta minimamente de cinema e tem o mínimo de gosto crítico, percebe que o filme não passa de um blockbuster enlatado e mal feito, com os mesmos truques recorrentes em melodramas do tipo.

O próprio público não concorda com a decisão. Além do fracasso de público, apesar da verba oficial de divulgação ter sido recorde, o Ministério da Cultura promoveu uma enquete em seu site entre os dias 8 a 20 de setembro para ver a opinião do público. 70%, ou 130 mil votos, colocaram o filme “Nosso Lar” em 1º Lugar. Em segundo lugar, vem “Chico Xavier”. “Lula – O filho do Brasil”, superprodução considerada um dos filmes mais caros do país, recebeu apenas 1% dos votos, atrás de filmes com pouca divulgação como “Os famosos e os duendes da morte”, “O grão” e “Antes que o mundo acabe”.

 Não dá para levar a sério esta indicação.

Independência na escolha? Dependência no financiamento!

Os tais “independentes” da Academia Brasileira de Cinema que votaram a favor da escolha do filme de Lula, na verdade, de independência não possuem nada. Da mesma forma que hoje a produção cultural brasileira não tem nada de indepente!

Desde o governo FHC, leis de incentivos fiscais são o grande fomento a todas as artes e iniciativas culturais no país, e um controle e censura são impostos silenciosamente, pelos patrocinadores. O dinheiro é público, vindo do orçamento, mas a ideologia é dos empresários e do governo.

Ao invés de um artista ter a garantia de verbas públicas para o fim de promover a cultura genuinamente brasileira, de forma independente, sem que seja imposto nenhum fim mercantil em sua arte, o governo Lula, assim como o de FHC, vende toda nossa produção cultural para as empresas brasileiras e multinacionais.

Ao invés de verbas públicas diretas, com controle social, ou de financiamento privado, sob risco e custo das empresas; o governo concede isenção fiscal para as empresas que financiam cultura, e, com isso, elas ligam as suas marcas à produção artística, sem gastar um centavo.

No caso do filme de Lula, a realidade é ainda pior, já que muitas empresas pratrocinaram seu filme, mas sem ganhar isenção fiscal. Estranho, não? Não! Foram doações diretas, naquele toma-lá-dá-cá, velho conhecido.

As construtoras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa, e as montadoras Volkswagen e Hyundai, por exemplo, são algumas daquelas que, em “agradecimento” pelos esforços de Lula durante seu governo, resolveram doar gordas quantias para “incentivar a cultura brasileira”, enquanto fazem propaganda escrachada para o presidente dos banqueiros.

 

Leia mais sobre este assunto:

 

http://www.movimentorevolucionario.org/nacional/filmelulafracasso.html

 

http://www.movimentorevolucionario.org/nacional/filmelula.html

 

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