Publicada em 13/05/2008

PAC: Inauguração só de promessas.
Por que as obras não saem?

Iniciada nos primeiros meses de 2008, a operação de segurança com a polícia de elite no Rio de Janeiro já gastou mais de R$ 72 milhões.

Isso é mais do que a Secretaria Nacional de Segurança Pública, que mantém essa Força Nacional, já gastou com o projeto de segurança para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (R$ 55 milhões).

Importante observar que, desde que o Governo Lula lançou o PAC, esse tem sido divulgado enquanto principal projeto do seu segundo mandato, sendo a sua “criadora”, Dilma Rousseff, a maior aposta do PT para as próximas eleições presidenciais. Ainda assim, mesmo sendo um projeto prioritário do governo, ele não consegue investir tudo o que se propôs, justamente por opções como essa: o fundamental não é construir casas e investir em emprego, saúde e educação, e sim colocar polícia em torno dos morros em nome de uma suposta “segurança”.

Aqui, mais uma vez comprova-se a escolha que Lula, o PT e seus aliados vêm fazendo desde a campanha eleitoral de 2002: aliar-se a banqueiros, empresários e outros milionários, trocando favores com estes, lhes dando incentivos fiscais, flexibilizando leis trabalhistas e respondendo a demandas sociais através de projetos assistencialistas, como Fome Zero e Bolsa Família -que tornam os seus “beneficiados” reféns do governo, seus eternos eleitores, incapazes de qualquer movimento que vá contra aquele que garante o seu mínimo sustento-.

Iniciativas de segurança como estas -mais presídios e policiais- são ineficientes, pois não atacam a causa dos problemas, e sim a sua conseqüência. Aquele que não tem um meio de sustento que lhe garanta o mínimo para a sua sobrevivência, é tentado a buscar outras formas de suprir suas necessidades. As centenas de jovens recrutados para servir ao tráfico correspondem, em sua imensa maioria, a casos como esse.

Essa tropa de elite, que teria como principal função coibir o tráfico, não vem tendo sucesso em suas ações. Além de não conseguir impedir a fuga de traficantes do Complexo do Alemão (principal ponto de tráfico onde atua) para outras “bocas”, faz investidas que deixam dezenas de supostos criminosos mortos. Inclusive perante as leis da justiça burguesa, teoricamente, todos são inocentes até que se prove o contrário. Nós, trabalhadores, sabemos que não é assim: a justiça é rápida, eficiente e “justa” para quem tem dinheiro, mas para quem é pobre -e principalmente se for negro- ela é muito menos “tolerante”. E fica a pergunta: quantos inocentes foram mortos pela polícia nessas operações? A quantos foi dada uma oportunidade que não o tráfico e a marginalização?

Entretanto, também não podemos esquecer a polícia. Ainda que sirva a um Estado que só beneficia os milionários e seja parte fundamental na proteção e sustentação da propriedade privada, é composta por trabalhadores que ganham salários miseráveis, são odiados por todos os lugares onde passam e, muitas vezes, precisam esconder seu emprego nas comunidades onde vivem, por medo de represálias a eles e a suas famílias.

Para se ter uma idéia, esses policiais de elite receberam, no último ano, remuneração equivalente ao que a polícia militar fluminense recebe em quase cinco anos de trabalho. Logo, nos depararmos com policiais desmotivados e envolvidos em corrupção tende a se tornar algo cada vez mais comum.

A tropa de elite enviada pelo governo Lula ao Rio de Janeiro, para combater o crime organizado, atua, além do Complexo do Alemão, nas orlas da cidade e no estádio Maracanã.

Defendemos o fim da polícia organizada pelo Estado burguês, de modo que possamos, a partir da própria organização popular, garantir a nossa segurança. Entretanto, a tropa de elite do governo deve retirar-se imediatamente do Rio de Janeiro, devido ao terrorismo que pratica sobre a população, e os policiais militares devem receber reajuste salarial, que os compense pelo trabalho de alto risco que cumprem.

 

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