Publicada em 16/11/2009

O aumento -mentiroso e eleitoreiro- de Yeda!


            Na última sexta-feira a governadora do Rio Grande do Sul veio a público anunciar uma medida que soou surpreendente aos ouvidos da população gaúcha. Chamaram toda a mídia para a divulgação de seus novos projetos em relação a categorias do serviço público do Estado.

Dentro desse pacote de projetos está a inclusão de um 14º salário para os servidores que atingirem as metas estabelecidas dentro das instituições determinadas. Serão contemplados os trabalhadores da educação -professores- e os da segurança pública -Brigada Militar, Polícia Civil,  SUSEPE (responsáveis pela segurança nos presídio)-. No pacote destacam-se o aumento do piso salarial dos membros da Brigada Militar, que passará a ser de R$ 1,2mil, e o aumento do piso salarial para os professores estaduais.
Atualmente, um professor ganha R$ 862,80 por 40 horas trabalhadas. Com a aprovação do projeto, o salário passará a ser de R$ 1,5mil.


A mídia não economizou palanque para as benfeitorias do projeto de Yeda.

A forma como o projeto foi elaborado é um dos primeiros questionamentos das categorias envolvidas. Sem qualquer discussão e consulta, agora será enviado à câmara estadual em caráter de urgência. As categorias “beneficiadas” pelos projetos estão reivindicando melhores salários e condições de trabalho, mas a resposta do governo segue sendo o descaso e, de vez em quando, a concessão de migalhas.

Assim tem sido com os professores, que além de terem seus salários totalmente arrochados, estão prestes a terem o seu plano de carreira modificado pelo governo -conforme compromisso estabelecido por ele com o Banco Mundial-. Os policiais militares seguem em estado de greve por melhorias salariais. Além da defasagem salarial, estão diante de uma função de alto risco que, sem dúvida alguma, não é recompensada financeiramente.

Quando Yeda divulgou o déficit zero nas contas do Estado, a mídia não perdeu tempo em divulgar as melhorias generalizadas que poderiam ser implementadas diante da “nova realidade”. O que se mostrou uma mentira deslavada.

O que existe por trás desses projetos que aparentam grandes avanços para os servidores e, por conseqüência, para toda a população gaúcha, é o eleitoralismo vindo de um governo desesperado para conseguir uma continuação de mandato. O governo, um dos mais corruptos da história do Estado, em véspera de ano eleitoral, tenta apagar da memória dos trabalhadores os escândalos de propina e caixa-dois através de supostas melhorias para categorias tão atacadas no último período.

Na prática, a realidade de arrocho salarial dos servidores está mantida, já que Yeda confunde ,propositalmente, piso salarial e teto salarial. Piso trata-se de um salário inicial (base)sobre o qual serão feitos os anuênios, qüinqüênios e outras gratificações que o trabalhador venha a receber. Já o teto é o valor máximo que o trabalhador pode receber. A categoria de professores é dividida em seis níveis, cada qual com o seu salário. A maior parte desses trabalhadores são dos níveis 5 e 6, que ganham acima dos R$ 1,5mil por 40 horas semanais, conforme o proposto pelo governo. Logo, não receberão um centavo a mais. Os que recebem são dos níveis mais baixos -1 e 2-, que são professores que não possuem nível de escolaridade superior ou formados somente no magistério ou
nível técnico. Uma minoria receberá o “abono”, como complemento ao que já ganha (uma espécie de bônus), até que se completem os R$ 1,5mil. Quanto aos que já recebem valor acima, ficarão sem aumento por mais tempo, pois tiveram aumento recentemente!  

A luta da categoria segue, pois Yeda não desistiu de mudar -para a pior- o Plano de Carreira, que além de extinguir conquistas, ataca a gestão democrática das escolas, onde toda a comunidade escolar decide quem será o diretor da instituição. Com isso, a governadora quer impor sua vontade dentro das instituições de ensino e ter como diretores os seus escolhidos, capachos e traidores dos trabalhadores.

 Então, aqueles que tem acompanhado essas notícias nos principais meios de comunicação, devem pensar “mas ao menos tem a proposta do 14º salário, então significa que algum avanço terá!”. Porém, não existe garantia de nada, já que esse “abono” será concedido mediante o alcance de metas por produtividade pré-estabelecidas pelo próprio governo, subordinado ao “equilíbrio” nos sofres públicos. Quer dizer, nunca, pois para pagar as tais dividas, é da saúde, da educação, que se tira o dinheiro.

A população ainda não esqueceu os escândalos de corrupção envolvendo o governo Yeda. A máfia do DETRAN foi só mais um esquema em um oceano de falcatruas que o governo estadual promoveu.

Atacou os direitos dos trabalhadores e dos estudantes, com medidas como a enturmação (em que empilhava alunos dentro das salas de aula, criando turmas superlotadas), fechou escolas (superlotando outras), reduziu verbas em diversas áreas. Alcançou o “déficit zero” cortando todas as verbas destinadas a serviços “não essenciais”, como saúde e educação: dessa forma é que conseguiu economizar.

Assim, é natural que tenha alguma sobra para poder conceder esses aumentos e, por tabela, garantir alguns votos para seu partido em 2010.

 

 

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