Ex-diretor demitido dos Correios joga lama no ventilador
Que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos passam por um dos seus piores momentos já é notório. Os trabalhadores dessa empresa sentem isso no dia a dia em que são obrigados a trabalhar sem as mínimas condições, convivendo com falta de funcionários que deveriam ser repostos pelo concurso que já foi adiado diversas vezes. A população também sente isso no atraso das entregas, contas e cartas, isso quando chegam ao seu destino final.
Em entrevista concedida a Folha de São Paulo nesta semana, Pedro Bifano, ex-diretor de recursos humanos dos Correios, meses após a sua demissão, veio a público dizer que em sua gestão a empresa contava com um caixa de 4 bilhões de reais e que a política de “sucateamento” é coisa pensada e programada pelo governo Lula com o fim de privatizar os correios.
Segundo palavras de Bifano: “Hélio Costa (ministro das comunicações) ficava segurando os gastos, não deixava contratar carros, não deixava contratar aviões, não deixava eu contratar funcionários, para mostrar que o atual modelo não dava. E nós, com R$ 4 bilhões aplicados em caixa. Podia comprar avião, precisava contratar 10 mil funcionários, precisava comprar 2.000 carros".
Essa declaração de Bifano é a pura realidade. Realidade essa que contou com sua cumplicidade junto de Lula, Custódio e Hélio Costa a levar os Correios a essa situação.
E como ele mesmo admite na entrevista, só veio a público depois de sua demissão por que o governo tenta jogar toda a culpa em suas costas usando-o como bode espiatório para tentar parecer que a gestão de Lula está preocupada com a realidade da empresa e agora se empenha em resolver os problemas.
Agora virou uma discussão em que o sujo fala do mal lavado, um tentando jogar a batata quente no colo do outro.
O sucateamento dos correios é algo arquitetado pelo governo para justamente jogar a população contra essa empresa pública que é uma das instituições de maior credibilidade para abrir as portas para a privatização.
Todas as estatais estão sendo sucateadas e privatizadas ao longo dos governos FHC e Lula, e os Correios é a atual “menina dos olhos” da iniciativa privada, junto com a Caixa Econômica Federal por serem as duas únicas que ainda contam com capital 100% estatal. O projeto de abertura de capital da empresa, iniciado no governo Lula, agora deverá ser levado à prática sob a tutela de Dilma.
Já foi demonstrado que se depender do governo, seja ela qual foi, as estatais serão cada vez mais precarizadas, servindo de cabide de emprego e fonte para corrupção. A única solução é ter um Correio controlado pelos trabalhadores. Chega dos Correios servir para indicações políticas de acordo com os interesses da base aliada do governo e de grandes empresas prestadoras de serviços! Estes comemoram a crise.
É hora da população, junto com os trabalhadores desta empresa, travar a luta por um correio público 100% estatal, pela abertura e aplicação imediata do concurso público.
VOLTAR |