Trabalhadores têm perdas salariais astronômicas nos últimos anos
Os trabalhadores tiveram uma grande perda salarial nos últimos dez anos. Durante o governo de FHC as perdas foram enormes, e somente nos três primeiros anos de governo Lula esse número chegou a 15% em muitas categorias. As perdas salariais dos trabalhadores bancários são de 24% na rede privada de bancos e até 90% na rede pública (Caixa Econômica Federal). Os trabalhadores dos Correios já somam perdas de 47% do poder de compra em comparação aos salários de 15 anos atrás.
O salário real dos 715 mil trabalhadores do comércio com carteira assinada na região metropolitana de São Paulo caiu 31,1% em dez anos. O rendimento real médio dos contratados formalmente, que representam 69,5% do número total de trabalhadores do setor, passou de R$ 1.469 em 1998 para R$ 1.012 em 2008.
Para barrar o arrocho, é preciso enfrentar governo, patrões e sindicalistas vendidos
O rebaixamento dos salários nada mais são que a comprovação de como os trabalhadores vêm sendo atacados desde o governo de FHC, e de como seguiram sendo arrochados durante o governo Lula. Esse fenômeno vem aumentando de forma ainda mais rápida com a crise econômica. Por um lado, os patrões fazem demissões em massa, e por outro lado os trabalhadores que seguem empregados têm grandes perdas. Mesmo quando recebem reajuste, depois de pressão, lutas e greves, esses aumentos não cobrem nem a inflação do último ano, aprofundando as perdas históricas.
Nesse momento, diversas categorias estão entrando em sua data base e começam discutir suas campanhas salariais de 2009. Infelizmente, hoje a maioria das direções (sindicatos, federações, etc.) estão cooptadas para ajudar a conter os trabalhadores, para que as lutas não saiam dos limites e não questionem o governo Lula. os sindicatos hoje estão vendidos e seus dirigentes, da CUT, CTB e Força Sindical, que são filiados aos partidos governistas, fazem de tudo para trair as lutas e defender seus empregos e relações com os patrões.
Essa é uma das principais causas de se somarem perdas salariais tão grandes: a traição e incompetência das direções sindicais, que preferem ter cargos e regalias do governo, e acabam virando as costas aos trabalhadores. Hoje a CUT, CTB e Força Sindical, com a ajuda em menor grau da Intersindical compõem, ou capitulam diante do governo Lula através de seus militantes, ou de forma indireta, como faz a Intersindical ao se colocar como oposição a Lula mas se negando a travar uma luta para derrotar seu governo, e sustentando seus sindicatos pelegos Brasil afora.
Mais uma vez, o desafio de repor o nível de vida dos trabalhadores; não para atingir o luxo de gerentes, diretores e patrões, que, ao contrário dos trabalhadores, tiveram um crescimento gordo nos seus contra-cheques, mas de preservar e reconstituir o que foi perdido nos últimos dez anos, está nas mãos dos próprios trabalhadores.
Agora que começam as campanhas salariais, é importante tirar as devidas lições desse último período e do papel que cumprem os sindicalistas que ainda insistem em defender o governo Lula. Esse discurso é o que ajuda os patrões e o governo a agir e não ter resistências, como no caso da Embraer que demitiu 4270 empregados neste ano e ficou por isso mesmo. Por isso, desde já é necessário sair à luta, para não aceitar acordos rebaixados, não confiar na Justiça trabalhista nem se enganar que o voto vá mudar alguma coisa nestas eleições viciadas que ocorrem de 2 em 2 anos, onde os candidatos são todos iguais!
Lula já provou que seu governo prefere salvar banqueiros, como fez no inicio da crise dando bilhões a grandes bancos. É necessário sair às ruas, para repor todas as perdas salariais históricas, lutar pela redução da jornada de trabalho para 36h semanais, por planos de carreira; e isso só será possível com greves radicalizadas, que sirvam como um impulso para derrotar o governo Lula e pôr abaixo o congresso corrupto!
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