Publicada em 09/07/2009

O CAPITALISMO NÃO EXISTE SEM O PRECONCEITO. Pesquisa mostra que população, além de vítima, reproduz o preconceito, devido à ideologia burguesa. 

         Uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, revelou que 99,3% entre estudantes, professores e funcionários de escolas estaduais e particulares revelaram ter algum tipo de preconceito. A maioria respondeu não suportar a presença de pessoas com deficiência mental ou física, negras, indígenas e homossexuais no ambiente escolar.

Ainda que a metodologia aplicada na pesquisa deva ser questionada, porque generaliza o que é o preconceito com a percepção de que ele existe, os dados não revelam uma realidade muito longe da verdadeira. O que explica uma quantidade tão grande de trabalhadores e jovens (que já não nasceram numa sociedade supostamente mais plural e multiétnica) é o aumento da miséria, da competição pelo salário e de outros tantos males próprios da sociedade de classes e tão fartamente explorados pelo capitalismo.

Em nossa sociedade, para melhor explorar uma parte dos que só têm sua força de trabalho pra vender e  se sustentar, o capitalismo joga as pessoas umas contra as outras. É por isso, que ele acirra as diferenças, cria e desenvolve a opressão racial aos negros, por meio do racismo, e o mesmo com as mulheres e homossexuais, vítimas do machismo e da homofobia.

A esse tipo de comportamento, o capitalismo hipocritamente dá o nome de "bullying", tentando dar um novo nome para toda e qualquer forma de agressão física ou moral. Esta definição, que é real quando se trata de identificar a briga por "ser popular", por ser aceito e se destacar na sociedade, desde a escola, tendo que passar por cima dos outros, é uma deformação grave do capitalismo, mas nada tem a ver com o preconceito destacado na pesquisa.

A opressão, embora se combine com o bullying, muitas vezes, é uma prática consciente e deliberado por parte do capitalismo, que precisa de sua reprodução e aplicação para se manter. Como dizia Malcom X, líder dos direitos dos negros, "não existe capitalismo sem racismo". E não existe capitalismo sem qualquer opressão. Isso tem semelhanças, mas é muito mais violento e repulsivo que o bullying ou a agressão individual a pessoas menos competitivas ou tidas como "inadequadas" comportal ou esteticamente.

Como resultado dessa ideologia da discriminação mais geral, o conjunto de negros, mulheres e homossexuais é vítima de piadas, agressões verbais e físicas, além de humilhações, no que consiste a opressão. Mas, dentro do conjunto de oprimidos, o verdadeiro alvo do capitalismo é poder mais brutalmente explorar o setor proletário dessa população vítima do preconceito. Assim, mulheres, negros e homossexuais ficam à mercê de piores salários, maior desemprego e falta de direitos.

E o capitalismo não sustenta essa política discriminatória apenas por meio de uma ideologia "externa" aos trabalhadores. Para massificar sua abrangência, o preconceito, como de resto qualquer ideologia da sociedade, reproduz as ideias e concepções da classe dominante. É por isso que, depois do bombardeio nos meios de comunicação, das leis que preservam a discriminação, e da família e Igreja repetindo e conservando esta opressão, o preconceito acaba sendo incorporado pelas próprias vítimas.

É por isso que homens pobres também exercem o preconceito, contra as mulheres. Brancos pobres discriminam outros negros pobres e heterossexuais pobres também oprimem homossexuais pobres. Resumir as diferenças  da sociedade a ricos e pobres, portanto, embora esta seja a dualidade essencial no capitalismo, é uma visão míope, para não dizer cegueira, diante da superexploração de milhões de pessoas.

Não basta somente, portanto "cotas sociais" ou medidas contra a pobreza extrema. É necessário cota racial, para mulheres e todos os setores oprimidos, assim como utilizar cada uma dessas lutas para o fortalecimento de uma luta ainda maior, contra o capitalismo, a propriedade privada dos meios de produção e a exploração como um todo, que estão na raiz do preconceito, tão odioso e inaceitável.  

Durante esta guerra,  é inaceitável este tipo de comportamento por parte dos explorados! Não devemos aceitar que por causa da cor da pele ou orientação sexual, pessoas sejam mortas ou sofram represálias a cada dia, sem o direito de ter controle sobre suas próprias vidas.

 A pesquisa divulgada pelo O Estado de São Paulo trás à tona a face fascista e nazista latentes no capitalismo, que se utiliza desse tipo de atitude para humilhar e desmoralizar a classe trabalhadora. Individualmente, cada trabalhador deve não apenas romper com esta corrente preconceituosa como denunciar e  combater, no seu dia-a-dia estas práticas, pois uma coisa é entender de onde vem o apoio popular à ideologia burguesa, outra coisa é naturalizá-lo.

 

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