Publicada em 15/09/2009

Disputa eleitoral por trás de polêmicas sobre Pré-Sal

Já sabendo das grandes dificuldades que existirão para eleger Dilma como sucessora de Lula no ano que vem, contra o candidato do PSDB, o PT e o governo tentam fazer “cara de esquerda” no assunto do pré-sal. Numa continuação da retórica usada contra tucanos no segundo turno de 2006 e numa indicação de rumo para a campanha governista de 2010, Lula buscou colocar seu governo como o oposto da gestão tucana no cada vez mais importante setor de petróleo.

Ele foi irônico ao lembrar da tentativa de trocar o nome da Petrobras para Petrobrax no governo Fernando Henrique Cardoso, e disse que a estatal era vista como "o último dinossauro a ser desmantelado".

Segundo Lula, 1997, ano da aprovação da atual Lei do Petróleo -que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração e instituiu o modelo de concessão-, "foi tempo de pensamento subalterno." E continuou: “Se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, a companhia passaria a ser a Petrobrax. Sabe-se lá o que esse "xis" queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro".

Esses discursos podem enganar os desavisados, por parecerem radicais para um Lula tão traidor, desmoralizado politicamente e moralmente ao longo de 7 anos de mandato. Mas Lula só está fazendo o que seus marqueteiros mandam. A avaliação dos analistas burgueses que sustentam Lula é de que Dilma e Serra (provável candidato tucano) parecem ser a mesma coisa, e que a população, até agora, prefere Serra, que é maia conhecido e administra o maior estado do país, São Paulo.

Por isso, assim como foi obrigado a fazer no 2º turno da eleição de 2006, em que Alckmin crescia criticando a mudança de discurso e práticas do PT, Lula faz um teatrinho de esquerda, para tentar ganhar votos diante de uma população que, majoritariamente, repudia o neoliberalismo, as privatizações e o programa de direita.

Segundo Lula, "desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras". No mesmo tom, Dilma, a pré-candidata de Lula para sucedê-lo, exibiu tabelas e fez um discurso emocional -ela ainda chorou, após o discurso de Lula. "Pingou uma lágrima", disse.

Segundo Dilma, o pré-sal abrirá "as portas para o futuro", será "fonte de felicidade material e espiritual" e os recursos da exploração trarão "mais casas, mais comida e mais saúde".

É um circo o que o PT promete e faz de conta para tentar ainda manter os votos de uma população que foi à esquerda nos últimos anos, mas que, ao não ver diferença nenhuma entre Serra e Dilma, pode muito bem votar no PSDB, pelo menos para trocar 6 por meia dúzia.

Disputa entre estados não é política, e sim eleitoral

Paralelo à encenação a respeito do controle da Petrobrás, o governo Lula tem que se desdobrar para agradar os atuais estados produtores, que não querem mudar o percentual de impostos do petróleo e, ao mesmo tempo, simular que os recursos irão para combater a pobreza, por exemplo.

Assim, primeiro o governo anunciou que mudaria as regras para o pagamento dos royalties do petróleo, tirando um pouco de estados como SP, RJ e ES, e distribuindo mais equilibradamente entre todo o país. Essa farsa acabou quando Sérgio Cabral (PMDB), governado do Rio, e aliado de Lula, ameaçou boicotar o anúncio do pré-sal, se emblocando com Paulo Hartung (ES) e o tucano José Serra (SP), maior adversário político do PT, neste momento.

Depois disso, Lula já mudou de conversa e promete manter os benefícios do sudeste. Na prática, tanto esta polêmica sobre a distribuição dos royalties, como a discussão sobre a urgência ou não-urgência nos projetos enviados pelo governo, escondem um acordo total entre oposição e situação.

A burguesia e seus partidos eleitorais têm acordo em tudo que é importante sobre o novo marco regulatório, em especial no que se refere à entrega de novas reservas e na manutenção dos lucros das multinacionais. Tanto é que acaba de ser fechado um acordo em que PSDB e DEM aceitam o calendário acelerado com que Lula quer aprovar o projeto, apenas se ganhando mais 2 semanas de “discussão”.

A verdade é que, se depender do Congresso, e dos partidos burgueses, já está tudo decidido, pois eles são todos iguais e querem acabar com o petróleo brasileiro.

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