Publicada em 29/03/2009

TODO APOIO A GREVE DOS PETROLEIROS!
É preciso manter a greve e unificar a luta com as outras categorias!

No capitalismo é assim: poucos com muito e muitos com pouco.

Os trabalhadores da Petrobrás entraram em greve nessa segunda-feira, 23 de março, para exigir o aumento na participação nos lucros e resultados da empresa. A greve está marcada para durar cinco dias e foi desencadeada depois que a Petrobrás divulgou a proposta de PLR para os trabalhadores, onde oferece valores inferiores aos últimos anos - mesmo diante de um aumento de 60% nos lucros de 2007 para 2008 -.

Além disso, os gerentes e chefes da empresa receberão cerca de 50 mil reais, mais do que o dobro do valor dos operários que vivem nas refinarias diariamente. A tentativa da Petrobrás é dividir a categoria, dando uma PLR maior para determinados funcionários e menor para outros, sem deixar claro os critérios para a divisão do lucro.

Esse roubo se repete de diversas formas todos os dias no capitalismo. Quando a economia cresce e os lucros não param de subir, os empresários e os governos não transformam esse crescimento em aumento real de salário, redução da jornada de trabalho e investimentos sociais. Agora, com a economia em colapso e os prejuízos batendo recordes, os burgueses e o alto escalão das estatais também não abrem mão do seu lucro.

Assim como na AIG, nos EUA, se usa o dinheiro público para pagar milhões de dólares em bônus a 70 executivos, na ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) se oferece 800 reais para mais de 50 mil carteiros e mais de 40 mil para 10 chefe e em todas as empresas existe o roubo descarado das riquezas produzidas pelo trabalhador.

A Petrobrás cresce e os trabalhadores não ganham nada.
Reestatização já! Por uma Petrobrás 100% estatal e dos trabalhadores!

Sempre que se fala em crescimento fica uma pergunta: para onde vai o aumento da riqueza? Na economia, sempre que o PIB cresce, por exemplo, se percebe que os trabalhadores e a população não tem nenhum retorno. Quem ganha mais são os donos das empresas, que aumentam seus lucros e seus investimentos na especulação financeira.

Na Petrobrás não é diferente. Nos últimos anos, a empresa estatal de capital misto (o governo controla a maior parte das ações, porém quase metade delas estão na mão de investidores privados) bateu recordes nos lucros, além de ter descoberto a camada pré-sal, que, segundo o governo Lula, levará a Petrobrás a ser uma das maiores produtores de petróleo do mundo. De 2007 para 2008, a Petrobrás cresceu 60%.

Entretanto, esse crescimento não ser reverteu na redução da jornada e aumento salarial, muito menos na divisão dos lucros (PLR), que diminuiu.

Além dos próprios petroleiros, a população como um todo não ganha nada com o crescimento e o descobrimentos de novos postos de petróleo. A gasolina, os alimentos e o conjunto dos produtos derivados do petróleo não param seguem muito acima do nível salarial da maioria.

UNIFICAR AS LUTAS PARA DERROTAR LULA E AS CENTRAIS GOVERNISTAS

A greve dos petroleiros tem uma importância muito grande. Primeiro, pelo momento em que ela estoura, de crise e demissões em massa no país inteiro. Por se tratar de uma categoria federal, o enfrentamento é diretamente com o governo Lula, principal responsável por jogar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores e que vê sua popularidade caindo junto com o PIB brasileiro.

Em segundo lugar, a greve por uma PLR mais justa é importante porque é mais uma que quebra a lógica da greve somente em data base. O sindicalismo pelego criou uma cultura em algumas categorias, onde só se luta em campanha salarial. No ano passado, os trabalhadores dos correios mudaram essa lógica, fazendo duas greves em menos de 3 meses para conquistar os 30% do adicional de risco no salário.

Coincidentemente, nesse momento, os trabalhadores dos correios também discutem a proposta ridícula de PLR e já foi votado em todas as assembléias um indicativo de greve para primeiro de abril.

A necessidade da classe trabalhadora exige a unificação dessas duas categorias para aumentar a luta dos trabalhadores e o enfrentamento com o governo Lula. Assim, é possível garantir uma participação mais digna nos lucros das empresas e impulsionar para outro patamar a luta do conjunto dos trabalhadores no Brasil, contra as demissões, o capitalismo e o governo Lula.

Junto com isso, as mobilizações devem ter um enfrentamento permanente com a CUT, que dirige a FUP (Federação única dos Petroleiros) e a Fentect (Federação dos Trabalhadores da ECT), que, mais ainda em um momento de crise, fará de tudo para impedir que as lutas coloquem o governo Lula contra a parede. 

Todo apoio à luta dos petroleiros. Ela mostra o caminho diante do capitalismo em crise: Lutar, parar a produção, ocupar fábricas e terras, fazer protestos e atos de rua, até a derrota de Lula e da CUT e a construção de uma alternativa de direção, socialista a revolucionaria.

Nesse momento, várias assembléias já discutem o encerramento da greve, primeiro porque foi programada para durar 5 dias e, também, porque a Petrobrás recuou em alguns pontos significativos, como a renegociação da PLR, a garantia de mais segurança nos locais de trabalho, entre outras coisas. Entretanto, 6 sindicatos, ligados a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que rompeu com a FUP da CUT, defendem a continuidade da greve.

O momento de crise e demissões no Brasil aumenta o espaço para luta e a disposição dos trabalhadores. Para conquistar vitórias em suas lutas os trabalhadores podem apenas contar com a força de sua luta, pois a CUT já mostrou que se depender dela os trabalhadores vão apenas receber migalhas, e também demissões como aconteceu em diversas outras categorias. É preciso fortalecer a luta e a greve dos petroleiros, unificá-la com a mobilização das outras categorias para derrotar Lula, os patrões e a CUT e sua política de arrocho e flexibilização de direitos dos trabalhadores.

 

VOLTAR

 
 
Notícias Relacionadas

•A casa caiu! Economia brasileira encolhe 3,6%, e a recessão bate à porta do Brasil.

• Embraer demite mais de 4 mil e Lula dá aval!

•A "justiça" ataca de novo: MST, de vítima a réu

• Novas denúncias de corrupçãono RS: Mais lama no Governo Yeda

• Sindicatos do RS falam em “Fora Yeda” não para derrubar governadora corrupta, mas como campanha petista para eleições de 2010

• Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal batem recordes de lucro mesmo com crise. Lógica privada, juros altos e exploração de bancários explicam resultados