Plano de Carreira da Caixa mostra que ataques de FHC continuam sob Dilma
Com critérios e regras mais restritivos e, porque não dizer, punitivos, a Caixa a cada ano tenta excluir mais empregados da promoção por mérito. Retomada através do Plano de Cargos e Salários (PCS) de 2008, após mais de dez anos sem ocorrer dentro da Caixa, a promoção por mérito veio com possibilidades mais escassas de ascensão na carreira, em comparação com a que existia anteriormente. A discriminação aos novos funcionários (pós-98) que não recebem o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), que representa um anuênio, é mais um ataque ao quadro funcional, que gera desestímulo à carreira e impede a isonomia.
Neste contexto de retirada de direitos e não concessão de promoções, a Caixa tratou de imediato de transformar o que poderia ser uma conquista dos bancários em algo apenas virtual. Um retrocesso em relação ao ATS e com regras cada vez mais injustas.
A promoção tornou-se uma disputa encarniçada para se obter, via de regra, apenas um delta (como é chamado o interstício entre um patamar e outro do PCS), quando na antiga promoção se poderia ascender até cinco deltas. A distribuição de um segundo delta, máximo que se pode obter na avaliação atual, é algo raro e que depende do tamanho da unidade de trabalho e dos recursos alocados pela Caixa para isso, definições que não são sequer divulgadas para os empregados.
No primeiro ano da atual sistemática, a promoção por mérito excluiu 20% dos empregados de obterem algum delta. Foi delta zero para 1/5 dos empregados que construíram o resultado da Caixa. Além disso, até hoje os empregados que tiram licença saúde são prejudicados no cálculo da nota objetiva da promoção, composta também por uma avaliação subjetiva.
Da mesma forma os colegas que ingressaram ao longo do ano no banco, mesmo que tenho sido bem no início – março, por exemplo. Neste caso, a nota por “assiduidade” seria descontada em cerca de 1 ponto, mesmo que a assiduidade do funcionário tenha sido de 100%. No final, todos ou quase todos estes funcionários também ficaram sem delta.
Para a avaliação desse ano, a Caixa foi ainda mais longe no desrespeito aos trabalhadores e acrescentou a licença por acidente de trabalho entre os motivos de ausência que são descontados do cálculo de frequência ao trabalho. É a Caixa punindo absurdamente suas próprias vítimas de acidente de trabalho.
E vale lembrar que esses moldes da avaliação receberam a anuência da CONTRAF/CUT, sem que tenha havido uma ampla discussão sobre seus critérios com os empregados Caixa!
Não bastassem essas aberrações para o cálculo da nota objetiva, na avaliação subjetiva, composta por uma autoavaliação, avaliação dos pares e do gestor da unidade de trabalho, a Caixa dá o mesmo peso para a avaliação dos colegas e do gestor. Tal medida deixa o empregado vulnerável à avaliação de gestores perseguidores e assediadores. Sabe-se que, para muitos gestores, não é suficiente que o empregado cumpra suas tarefas diárias (o que os colegas de trabalho estão muito mais aptos para avaliar), é preciso também que seja submisso e/ou “puxa-saco”. Esse tipo de postura e prática dos gestores, colocada em ação na promoção por mérito, pode prejudicar seriamente a ascensão funcional dos empregados que não correspondem a esse padrão.
Vemos que, apesar de possibilitar a ascensão no PCS, a promoção por mérito mantém a desigualdade existente entre os novos e antigos funcionários. Ela não esconde, e, com esses critérios excludentes, apenas reforça a necessidade da luta por isonomia de direitos e salários.
O Adicional por Tempo de Serviço (ATS), a Licença-prêmio e outros direitos que foram retirados durante o governo FHC, e que foram e continuam sendo negados pelos governos Lula e Dilma aos bancários da Caixa e de outros bancos públicos, é uma das nossas lutas mais urgentes para enfrentar o achatamento salarial por que passa os bancários de todo o país.
Além disso, é urgente que se reponham as perdas salariais acumuladas especialmente por estes 3 últimos presidentes do país, e que chegam a cerca de 100% desde 1994 dependendo do banco. Hoje, os bancários lutam e se digladiam por uma falsa promoção que representa em torno de 2% do seu salário, mas suas perdas são 50 vezes maiores que isso. A base da valorização funcional, portanto, está numa remuneração digna e que reponha o poder de compra perdido, como parte elementar de um novo plano de carreira discutido e aprovado pelos próprios funcionários.
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