Publicada em 16/07/2008
PM’s do Rio metralham carro
e matam criança de 3 anos

Nos últimos dias muitos ficaram chocados com o caso do menino João Roberto (3 anos) que foi assassinado de forma brutal pela polícia do Rio de janeiro. Os policiais estavam em uma troca de tiros com bandidos e alvejaram um carro que achavam ser dos bandidos em fuga. E mesmo com a mãe de João Roberto colocando a bolsa do bebê para fora da janela, para indicar que havia criança naquele carro, os policiais saíram disparando tiros contra o veiculo, matando a criança.

Este fato chama muito atenção, principalmente pelo espaço que a imprensa burguesa dá para o fato, mas também por isso ter acontecido longe de alguma favela e com uma família de classe média. Assim como no caso da menina Isabela a imprensa torna isso como principal manchete dos noticiários, como se fosse uma exceção dentro do capitalismo. Esses fatos são cada vez mais corriqueiros. Dezenas de crianças morrem semanalmente de fome no nordeste, perdem a vida como aviõezinhos do tráfico nas favelas, além de enfrentarem diariamente essa mesma violência policial nos bairros de periferia.

A população do Brasil e principalmente no Rio de janeiro se sente cada vez mais indefesa, sem saber o que fazer, tamanha a violência, por parte da polícia e dos traficantes. Existem lugares em que é o tráfico que faz as leis e as regras e que decide quem vive e quem morre. E supostamente quem deveria defender a população disso, a polícia, está totalmente atrelada ao tráfico. A corporação enquanto instituição não consegue hoje mais sobreviver sem contar com o dinheiro da corrupção, das propinas e negociatas feitas com traficantes nos morros. Essa a situação que se encontram os trabalhadores e filhos de trabalhadores: De um lado sofrem com a violência policial, que bate e prende quem faz greve, que entra nas favelas e na periferia descendo a lenha nos trabalhadores. E do outro lado, a miséria, o desemprego os baixos salários, faz com que mais e mais pessoas entrem para o tráfico, a violência nos morros só cresça, mate e amedontre a classe trabalhadora.

Morte de João Roberto: Um caso isolado ou uma prática corriqueira da polícia?

Muitos meios de comunicação tentam colocar esse fato como algo casual, que é fruto da incapacidade individual de alguns policiais, falta de treinamento. O próprio Governador do Rio de janeiro, Sergio Cabral, deu uma declaração dizendo que estes PM’s eram uns débeis mentais, tentando colocar a culpa nos indivíduos. A polícia militar tem o papel de cumprir com as “leis”, sair em defesa do estado. E são essas mesmas leis que prendem trabalhadores que se enfrentam com o patrão em uma greve, ou que sobe o morro de caveirão dando tiro para todo o lado, que prende um trabalhador que rouba um litro de leite para alimentar o seu filho, é essa lei que deixa soltos todos os corruptos envolvidos nos escândalos do mensalão, ou que agora mandou soltar Celso Pitta e Nahas. Esse é o papel do estado capitalista e de suas leis, é o aparato dos patrões, da burguesia que os permite seguir mantendo sua dominação sobre a classe trabalhadora. E a polícia, o exército cumprem o papel de garantir isso na base da força caso o poder da caneta não esteja dando muito certo.

Casos como estes servem para refletirmos não só a violência que produz o capitalismo contra a classe trabalhadora, mas também para debater qual o papel de instituições, como a PM, que teoricamente deveria defender os trabalhadores, mas na prática são os que reprimem da forma mais violenta. Se esse caso aconteceu ou não por “acidente” é o que menos importa, pois só escancara a orientação que recebem os policiais militares, que é de sair metendo bala, tudo em nome da lei, da justiça, mesmo que essas leis e a justiça vão contra os principais responsáveis por produzir todas as riquezas do mundo: Os trabalhadores.

Para acabar com a violência da burguesia, só derrotando o capitalismo

Toda essa situação de agravamento da violência nas grandes metrópoles é somente parte das dificuldades que sofrem os trabalhadores no dia a dia. Além do custo de vida cada vez mais alto, do desemprego, dos baixos salários, a violência vem a somar na lista de doenças sociais que o capitalismo desenvolve. Por isso a luta contra a violência social deve estar atrelada diretamente com a luta pela revolução socialista. É preciso acabar com o capitalismo como única forma de acabar com todas as suas “doenças”.

E nessa luta os trabalhadores vão se enfrentar com os patrões, com os dirigentes sindicais vendidos, e também com a polícia e com o exército. E a única forma de fazer frente à violência organizada da burguesia é com os trabalhadores construindo seu próprio exército, suas próprias milícias. Atualmente a questão da autodefesa dos trabalhadores se coloca em cada greve onde o patrão chama a polícia para reprimir os trabalhadores, em cada ocupação de terra onde os latifundiários contratam jagunços para matar os sem terra, e fatos como o caso do João Roberto, apontam que a única alternativa de garantir a segurança da classe trabalhadora não é esperando pela polícia, a única segurança é confiança que pode se ter é com os trabalhadores cuidando da sua auto defesa, quem se sentir mais seguro portando uma arma de fogo tem que ter o direito de possuir uma,  se os trabalhadores quiserem organizar pessoas nos bairros que terão a tarefa de garantir a segurança contra a violência do tráfico, dos assaltos e da polícia, isso deve ser respeitado e muito mais que isso, incentivado.

Diante de toda a violência do capitalismo esse é o debate que a juventude e os trabalhadores devem começar a fazer, além das lutas por melhores condições de vida, contra os ataques dos patrões e pela revolução socialista, a questão de como se defender da violência da burguesia contra a classe trabalhadora deve ser colocado em pauta.

 

 

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