Exército colobora com Traficantes
para assassinar jovens do morro da Providência no Rio de Janeiro
Vem ocupando espaço na mídia nacional o caso da execução de três jovens do Morro da Providência, em Duque de Caxias (RJ). Eles teriam sido detidos por militares e entregues aos traficantes do Morro da Mineira, de uma suposta facção rival.
Wellington Gonzaga Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio da Silva, de 24, teriam sido abordados por cerca de 11 militares na manhã do sábado 14 de junho, quando voltavam de uma festa. Foram detidos e entregues a um grupo de traficantes do Morro da Mineira.
Alguns dos militares envolvidos já assumiram o ato, dizendo acreditar que os rapazes levariam apenas uma surra e, depois, seriam liberados. Os corpos dos três foram encontrados na tarde do domingo -15/06- no Aterro Sanitário de Gramacho, um lixão de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), mutilados e com marcas de tortura.
De acordo com as investigações da polícia, há um oficial, três sargentos e sete soldados envolvidos no crime. O soldado José Ricardo Rodrigues de Araújo revelou, em seu depoimento, que o tenente Vinicius de Moraes Andrade teria dito aos traficantes “eu trouxe um presentinho para vocês” ao entregar os rapazes aos seus “cuidados”, encerrando o contato com um “valeu”.
O Exército vem ocupando o Morro da Providência desde dezembro de 2007, devido ao projeto Cimento Social, de reforma das fachadas das casas, para garantir a “segurança” dos moradores, equipamentos e materiais utilizados nas obras.
Em protesto pela morte dos garotos e contra a presença do Exército no Morro, a comunidade fez uma manifestação na tarde do sábado -14/06- botando fogo em um ônibus e depredando pelo menos outros nove.
A Justiça decretou na quarta-feira, 18 de junho, a retirada das tropas do exército do Morro da Providência, mas até a quinta-feira elas ainda ocupavam a favela.
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse que esse tipo de atitude é fruto de um acordo entre o Exército e o tráfico, de que um não importune o outro. Também acreditamos nesse acordo, mas ele é de longa data e não se restringe à cidade do Rio de Janeiro.
Os moradores do Morro da Providência apresentam uma longa lista de reclamações do Exército, pelos seus abusos de autoridade e uso de violência constante e gratuita contra a comunidade. A morte dos três rapazes não pode ser tratada como um fato isolado e nem podemos entender que isso é responsabilidade exclusiva dos militares envolvidos: Exército Militar, polícia e governo (Municipal, Estadual e Federal) são responsáveis, culpados e cúmplices.
Por onde passa, a polícia é alvo de repúdio e desconfiança, seja em protestos, em estádios de futebol, nas ruas. Essa reação da população não é à toa: a polícia e o seu braço superior (o Exército) freqüentemente atuam com truculência e abusos, principalmente contra comunidades mais pobres. O dado revelado pelo IBGE no início do ano, de que homens jovens, negros e pobres são as principais vítimas da violência policial, é uma das provas disso.
O acontecimento dessa semana é mais uma das provas de que o Exército e a polícia não existem para garantir a segurança das pessoas, de um modo geral, pois tratam os trabalhadores e a população mais pobres enquanto marginais, ameaças constantes à ordem, ao Estado, aos ricos e suas propriedades.
Defendemos não somente a retirada do Exército do Morro da Providência como a prisão imediata dos militares envolvidos, tanto direta como indiretamente. Mas só isso não é suficiente: as outras comunidades que convivem com um exército de ocupação e rondas freqüentes de policiais também são ameaçadas e agredidas. A polícia e o exército devem ser extintos e a segurança dos moradores garantida por eles mesmos, através de milícias organizadas, inclusive para se defenderem dos traficantes.
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