Publicada em 29/11/2008

Trabalhadores da Polícia Civil em luta contam com nosso apoio!

        Depois de muitas manifestações dos policiais civis em SP, com uma longa e fortíssima greve, onde chegou a haver um violento enfrentamento com a Polícia Militar (com bombas, tiros e choque físico), chegou a vez dos colegas gaúchos lutarem.

        Os trabalhadores da Polícia Civil do RS, sem reajuste há muitos anos, com um efetivo em que faltam milhares de funcionários, e que precisam comprar a própria munição em muitos casos, e não têm nenhuma condição material para trabalhar, também preparam sua greve.

        Em manifestação dia 17 de Novembro, quase 1 mil policiais fizeram uma passeata e ato no Centro de Porto Alegre, exigindo salário e concurso público, além de se somarem na denúncia e enfrentamento contra o governo de Yeda Crusius (PSDB).

Esquerdização da população e aumento das lutas

        As manifestações de setores da Polícia, em geral ausentes das lutas e sob um forte controle e repressão por parte dos governos, mostra uma nova realidade no país.

        A crise econômica, o aumento dos preços, arrocho e cortes nos salários dos trabalhadores, tem feito muitos setores lutarem. Depois de anos sem greves fortes, os bancários têm aumentado muito sua força. Nos Correios, se fez 3 greves em menos de 1 ano! Os petroleiros, há muito sem mobilizações, voltaram a protestar este ano. E quem já lutava, como professores, servidores federais e outras categorias, fortaleceu a luta neste ano. Só não há uma generalização ainda maior de mobilizações por conta da traição das direções.

        Os policiais, neste sentido, são parte deste processo. Por mais que seu papel seja o de reprimir outros trabalhadores, os policiais também ganham muito mal, têm que pagar aluguel, comprar comida para a família,roupa para os filhos e pagar impostos e taxas.

        Mesmo educados a obedecer e manter a ordem, os trabalhadores das polícias sofrem com o capitalismo, e são levados à necessidade de se enfrentar com a ordem, a lei e as instituições, inclusive o próprio aparato de repressão, do qual fazem parte.

        A greve em SP obrigou os policiais a trancar vias de trânsito, jogar viaturas em direção aos PMs, desacatar as ordens dos chefes e do governador, e incluir reivindicações políticas e contra os governos em sua pauta... No RS, poucos dias depois da Brigada Militar espancar manifestantes que tentavam chegar próximos ao Palácio estadual, os policiais civis fizeram um ato anunciando que, se fosse preciso, iriam para o confronto.

        O resultado foi que a governadora Yeda retirou toda a PM do Palácio, e os civis se manifestaram exatamente como pretendiam, inclusive mantendo faixas de “Fora Yeda”. Nas falas de seus integrantes, se repetiu a importância da luta com professores e outros funcionários, contra os incentivos às grandes empresas, etc. Isso não é a pauta do sindicato pelego da PC. Este discurso demonstra a esquerdização que há na sociedade, e a vontade de lutar que está crescendo. 

        Como efeito deste recuo da repressão estadual, as manifestações seguintes, de outras categorias, também não foram mais importunadas pela PM. Esta lição apenas comprova que uma luta amplia e ajuda a outra, num processo dialético, de Ascenso da classe trabalhadora.

 

Nosso combate às forças de repressão, em defesa dos trabalhadores

        Alguns trabalhadores e militantes sociais olham com desconfiança ou desdém para as manifestações de policiais. Uns são contra que sequer as apoiemos. Em nossa opinião, isso é um grave erro!

        No capitalismo, muitos trabalhadores vão ser recrutados como força de trabalho contra outros trabalhadores. Uns vão ser seguranças privados, defendendo a propriedade de bancos, transportadoras e fábricas, reprimindo quem quiser questionar esta propriedade. Estes homens e mulheres, chamados eufemisticamente de vigilantes, cumprem o papel de bate-paus do patrão nas greves, por exemplo.

        Também há os trabalhadores municipais que “fiscalizam” os camelôs (na verdade os reprimem, chamando os PMs)... O braço mais visível disso tudo são os policiais, civis e militares, e os integrantes das Forças Armadas, como soldados e fuzileiros.

        Para os revolucionários, todas estas instituições, empresas e braços armados (legais e ilegais) que a burguesia sustenta, precisam ser destruídos. Não existe nenhuma possibilidade de fazer mudar seu caráter ou mudar seu conteúdo.

        No entanto, uma coisa é destruir a Polícia, outra coisa é ignorar que há trabalhadores policiais, e que eles só têm a ganhar com a revolução. Nossa obrigação, portanto, é a de apoiar todas as mobilizações em que estes trabalhadores lutem por seus direitos e contra a piora de seu nível de vida. Esta luta deve procurar ligar estes setores ao restante da classe trabalhadora e seus interesses, e opô-los a seus chefes, patrões e governos.

        Na Rússia de 1917, os bolcheviques agitavam permanentemente nos quartéis e nas trincheiras, para dividir ao máximo os integrantes da forças de repressão, no sentido de ganhar alguns de seus membros para seu lado.

        Nosso objetivo é dialogar com os trabalhadores das polícias, não para falar o que eles querem, ou seu programa, mas para apresentar o programa da revolução, e tentar demonstrar a necessidade de que, junto com todos os explorados, destruam o Estado burguês como um todo, suas instituições e forças repressivas           

 

 

 

 
 
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