Lula quer o dinheiro da poupança dos brasileiros:
Governo anuncia que haverão mudanças na taxa de remuneração da poupança, a pode ainda limitá-la a R$ 5.000 e cobrar impostos dos poupadores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nas últimas semanas de abril, que o governo vai fazer mudanças no cálculo de rendimento da poupança, bem como poderão ocorrer a limitação do valor que a conta poderá conter e que poderão incidir impostos sobre ela.
Em uma entrevista após uma solenidade no Palácio do Buriti, o presidente disse que está discutindo o assunto ”com carinho”, disse ainda que "Vamos discutir tudo com muita cautela. Nós não podemos permitir que pessoas que têm muito dinheiro o utilizem para aplicar na poupança", disse Lula.
A motivação para as alterações na poupança é a queda na taxa de juros, que hoje já esta em 11,25% ao ano. E, com a expectativa dos futuros cortes na taxa básica de juros, a Selic - que podem variar entre 2 e 2,5 pontos porcentuais até junho deste ano -, o governo estuda ainda a possibilidade de limitar as aplicações na mais popular aplicação do país até o nível de 5.000 reais.
Com a queda dos juros, a rentabilidade da poupança tende a ficar muito maior do que a dos fundos de investimento. Na crise financeira atual, esse movimento pode diminuir ainda mais a oferta de crédito no país, pois os fundos de investimento, como DI e de Renda Fixa, são as principais fontes de recursos para os empréstimos dos bancos.
Além dos fundos de investimento, o governo sofre uma grande perda com a redução das taxas de juros. A Selic é a taxa que determina a remuneração dos títulos de divida pública do Brasil. Estes títulos são “vendidos” pelo governo para investidores internacionais como forma de “rolar” a dívida pública brasileira. Se a taxa de juros cair ao patamar previsto, a remuneração dos títulos da divida pública, assim como os Fundos de Investimento, poderão ter uma remuneração inferior à poupança, sendo que ainda sofrem com a incidência de impostos (algo que a poupança até hoje não paga), o que tornaria sua venda difícil, pois os investidores prefeririam investir na poupança à comprar os títulos do governo. Isso seria desastroso para o governo que amargaria um duro golpe na divida pública.
As alterações de Lula deixam mais uma vez clara a intenção do governo de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. A poupança é uma conta muito usada pela população trabalhadora, não pelos ricos. A medida que o governo reduza a remuneração desta conta, a população veria o dinheiro que poupa ser comido pela inflação, que hoje esta praticamente no mesmo patamar da remuneração das poupanças. Além disso, a cobrança de impostos sobre ela seria mais um assalto aos bolsos dos trabalhadores por parte do governo. Por fim a limitação da conta para os R$5.000 é quase o selamento de um confisco do governo sob o dinheiro dos trabalhadores. Com isso qualquer pessoa que tenha mais do que esse valor poupado, seja para casa própria, seja por uma indenização que recebeu pela sua demissão, ou por economia para comprar algum bem, será obrigada a “investir” num fundo de investimento ou mesmo comprar títulos do governo federal, que terá seu rendimento inferior a inflação e ainda será consumido pelos impostos cobrados sobre estes investimentos pelo governo.
Os trabalhadores a cada dia percebem que Lula é seu inimigo. O governo faz questão de a cada semana anunciar um novo ataque aos trabalhadores. Corte de verbas, apoio e financiamento de empresas que demitem e flexibilização de direitos são alguns do ataques mais comuns neste período. Agora as alterações na poupança são mais um ataque violento aos trabalhadores. É uma extorsão do governo contra os trabalhadores. Por isso, e por tudo que o governo vem fazendo, é preciso sair às ruas, protestar e fazer greves, para derrotar Lula e os patrões, que estão fazendo de tudo que os trabalhadores paguem pela crise. Apenas com a luta os trabalhadores poderão derrotar o governo e fazer com que sejam os ricos que paguem pela crise capitalista.
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