Publicada em 23/10/2008

POLÍCIA CIVIL X POLÍCIA MILITAR:

As 2 Polícias defendem os exploradores. Nosso lado é com os grevistas, que poderiam pôr em xeque a própria estrutura da polícia 

A greve dos policiais civis do Estado de São Paulo por reajuste salarial, que já dura 37 dias, trás à tona uma discussão muito importante para o conjunto dos ativistas e dos militantes sociais. Na semana passada, uma mobilização dos trabalhadores da Polícia Civil acabou em um grande enfrentamento com a Polícia Militar do estado paulista, sob comando do governador José Serra (PSDB).

A mobilização se dirigia para frente do Palácio do governo estadual, quando três barreiras da Polícia Militar se formaram para impedir a chegada dos manifestantes. A disposição de luta dos funcionários da Polícia Civil foi tanta que duas das barreiras foram quebradas e, na terceira, formada pela Polícia de choque, começou a repressão de forma mais violenta contra os policiais civis, que durou mais de 15 minutos. A ordem de repressão foi dada diretamente por José Serra, que deu entrevista depois defendendo a ação da PM, que utilizou bombas, balas de borracha e muita pancadaria. Segundo Serra, reivindicação só se faz na mesa, e não na rua com manifestação. Só esqueceu-se de dizer que na mesa os trabalhadores nunca são ouvidos. 

Nós, do Movimento Revolucionário, apoiamos a luta da Polícia Civil por melhores salários e nos solidarizamos com a defesa dos grevistas diante da repressão da PM. A Polícia Civil é um aparato do Estado burguês para defender a propriedade e atacar os trabalhadores. Além disso, individualmente, existem muitos policiais civis que são extremamente reacionários, ou mesmo fascistas, e que apóiam a repressão contra quem é trabalhador e pobre. Apesar disso, nós defendemos o conteúdo da luta dos policiais em greve, e seu direito de se organizar e exercer a atividade sindical, com greves e mobilizações. A contradição desses servidores é muito grande, pois servem à ordem burguesa, atuando como inimigos dos trabalhadores; ao mesmo tempo, por outro lado, ganham mal, e, como assalariados, são explorados pelo Estado capitalista também. Justamente por isso, apoiamos e incentivamos qualquer movimento de dentro da Polícia, por parte dos trabalhadores, que vá no sentido do enfrentamento com seu próprio Estado burguês.

O último enfrentamento entre as Polícias evidencia exatamente isso: a possibilidade real de que em algum momento da luta de classe a Polícia e as Forças Armadas sofram deserções e possam, parcialmente, se dividir. Historicamente, durante revoluções e enfrentamentos sociais de maior porte, os trabalhadores que compõe os órgãos de repressão acabam se confrontando com seus superiores e podem romper. Um instrumento a esse favor é a utilização dos métodos de luta que a classe trabalhadora utiliza contra o Estado burguês e os patrões, como as greves, mobilizações e ocupações.

Nesse sentido, achamos que, do ponto de vista estratégico, um enfrentamento entre a Polícia Civil, cujos trabalhadores lutam por melhores condições de trabalho, contra as forças de repressão do Estado burguês deve ter a solidariedade de outras categorias de trabalhadores. Achamos também que os policiais civis em greve não só precisam utilizar suas armas e estrutura para lutar contra seus exploradores, como, também, têm a obrigação de ajudar a armar a população que estiver junto na luta contra a burguesia, incorporando outros trabalhadores em seus piquetes e manifestações.

Essa unidade entre os trabalhadores e os setores de luta da Polícia em ruptura com sua ordem é fundamental para o triunfo da revolução socialista, que deve ter o apoio do conjunto das massas trabalhadoras. Somente assim, o conjunto dos servidores terão salários dignos, bem como a população como um todo.

Além disso, somente com um processo de luta aberto e de enfrentamento com o Estado burguês é possível acabar com a Polícia Militar repressora, como parte de um processo de extinção da polícia como um todo, o que deve dar lugar a comitês de auto-defesa dos próprios trabalhadores, em cada bairro e articulados com suas entidades de moradia, trabalho e estudo.

 

 
 
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