Publicado em 26/09/2010

Privatização “branca” na Caixa Econômica Federal. Lula autoriza imobiliárias a lucrarem usando estrutura e funcionários do banco público.

        A Caixa Econômica Federal (CEF), que tem 76% do mercado brasileiro de crédito imobiliário, se estrutura para dar o maior passo para acelerar a privatização interna, que consiste na política do governo Lula de manter o banco com 100% de ações estatais, mas garantir “parcerias” e convênios com todo tipo de empresa privada, que lucram fortunas usando a estrutura pública.

        A Caixa, sob ordens do governo, quer que o comprador de imóvel saia com o empréstimo aprovado dentro das imobiliárias e das construtoras, exatamente como acontece no mercado de veículos, em que o comprador sai da concessionária com carro novo, financiamento e seguro aprovados. A diferença é que, neste caso, o “carro” pode envolver verbas do FGTS, juros subsidiados e ás vezes até mesmo recursos públicos a fundo perdido.

        Hoje, a Caixa, como único banco inteiramente público, é responsável por levar adiante a política habitacional do Brasil, financiando imóveis com juros baixos, e operando  os processos de lançamento de conjuntos residenciais de baixa renda, por exemplo.

        Com a substituição parcial deste papel por imobiliárias mafiosas e exploradoras, o governo está entregando um “filé” de mão beijada, lesando o orçamento das famílias brasileiras e os cofres de seu único banco estatal 100% público.

        A imensidão de empresários que já lucra parasitando a estrutura física das agências e sistemas da Caixa, além do trabalho de seus funcionários, vai se multiplicar ainda mais. Os correspondentes lotéricos e negociais terão o acréscimo dos correspondentes imoliários, sendo que, ao mesmo tempo em que abocanham os lucros que deveriam ser públicos, estes setores seguem necessitando e sobrecarregando os funcionários, que são os que concluem todo negócio.

        Segundo a Caixa, os correspondentes imobiliários farão “90%” do serviço, e terão treinamento para fazer simulações, esclarecer dúvidas, identificar e propor o melhor caminho de financiamento para cada cliente. Poderão inclusive receber e conferir os principais documentos, encaminhando tudo para aprovação interna do banco, que dá a palavra final.

        Ou seja, os privados entram com tudo pronto, fazem suas negociatas, ganham suas comissões gordas, dos clientes e do próprio banco, por seu trabalho; e, ao final, são os bancários que concluem tudo.

        Este modelo é claramente privatista e atende à concepção do governo Lula, de manter uma fachada de público, mas um interior oco, susbstituído pela entrega do controle, lucros e condições privadas de trabalho e operações.

        Os trabalhadores precisam defender a Caixa pública, e cancelar imediatamente todo processo de terceirização e privatização interno. Além disso, devemos lutar pela reestatização total do Banco do Brasil e Petrobrás, e evitar a privatização dos Correios, através do plano de Correios S/A.

 

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