2º turno: ainda mais nulos e abstenções!
Diante de falsas polarizações, os trabalhadores não se mobilizaram no segundo turno.
O segundo turno dessas eleições demonstrou com maior clareza o fenômeno que vem marcando os processos eleitorais mais recentes. A grande maioria da população não deposita grandes ilusões no voto e vão às urnas para votar no candidato menos pior, de "nariz tapado". Mesmo no 2º turno, onde a imprensa e os partidos da burguesia tentam construir um cenário de polarização, como se existissem dois projetos completamente diferentes para as cidades, a população se recusou a votar nos mesmos de sempre.
O marasmo e a ausência de mobilizações eleitorais de massas marcaram o primeiro e o segundo turno. No 2º turno, mais ainda, quem cresceu foram os nulos, brancos e as abstenções. O que já era recorde, aumentou mais de 2% em todo o país. Isso significa mais de 30% no RJ, BH e muitas outras capitais.
Seja em que cidade for, eram 2 candidatos, mas só um programa concorrendo no 2º turno. Em POA e Salvador, por exemplo, o segundo turno se deu entre o PT e PMDB. Essa disputa não apresentou nenhum debate ideológico e programático profundo. E não poderia deixar de ser diferente, pois ambos os partidos estão juntos no governo federal e em várias prefeituras do país. No RJ, onde o segundo turno foi disputado entre o PV e o PMDB, ambos também fazem parte do governo Lula e estão aliados com os mais diversos partidos pelo país afora. O PT apoiou o candidato do PMDB, Eduardo Paes, contra Fernando Gabeira, e saiu vitorioso.
Em SP, mesmo o duelo sendo entre PT e DEM, também não existiram grandes diferenças, pois ambos os partidos, governo e oposição de direita, possuem um acordo a nível nacional quando o assunto é defender os empresários e atacar a classe trabalhadora. Em BH, o candidato eleito Márcio Lacerda (PSB) teve apoio do PT e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves -do PSDB- derrotando o PMDB.
Nesse sentido, o Voto Nulo no segundo turno foi a única política coerente e que expressou os interesses dos trabalhadores e explorados. Através do voto nulo foi possível avançar na discussão com a população sobre o quanto os partidos da burguesia são iguais nos interesses que defendem, desde o PT até o DEM.
Fiasco do PT no 2º Turno
Para o 2º Turno das eleições, o PT resolveu se apoiar nas últimas pesquisas de aprovação de Lula e apostar na figura do presidente como última cartada para ganhar mais votos e eleger seus candidatos. Mas isso não deu certo!
Envolvido na disputa das principais capitais do país, o PT não ganhou em nenhuma delas, e amargou fortes derrotas. Em Porto Alegre, capital gaúcha que foi governada pelos petistas por dezesseis anos, o candidato do PMDB, José Fogaça, foi reeleito, derrotando a petista Maria do Rosário, e por um percentual constrangedor de diferença. O mesmo ocorreu em Salvador, onde o PT foi derrotado pelo PMDB. As pesquisas que o PT critica indicavam empate técnico, mas a realidade foi uma "lavada" contra o PT.
Em São Paulo, principal cidade do país, a situação se repetiu. O candidato dos Democratas (ex-PFL) venceu a petista Marta Suplicy com mais de 60% dos votos válidos. E, além de perder votos, o PT perdeu o pouco de respeito que muitos trabalhadores ainda nutriam, diante de uma campanha despolitizada, homofóbica e de direita.
Ou seja, mesmo com pesquisas apontando uma popularidade crescente do governo Lula, a realidade é que as pessoas já não confiam nesse governo como antes. O fato de aprovarem o governo federal simplesmente mostra que não existe ainda alguma alternativa diante de Lula e, por isso, preferem que siga ele mesmo.
Mas a realidade provou, em 1º lugar, que o PT eleitoralmente não está tão forte como se pensava; e, em 2º lugar, que uma coisa é voto (que o PT ainda tem), mas outra coisa é apoio político (que o PT tem cada vez menos). Assim, a derrota do PT nas principais capitais mostra que a população está fazendo sua experiência com a Frente Popular e, qualitativamente, já rompeu com a expectativa de mudança pela via eleitoral.
Falta agora, exatamente, construir uma alternativa diante desta "ruptura silenciosa". Os trabalhadores já sabem o que rejeitam, mas é preciso que disputemos sua consciência para que compreendam o que defender no lugar da sociedade que conhecemos. Este é o papel que devem cumprir os ativistas sociais, estudantes e trabalhadores: organizarem-se e lutar pela revolução socialista.