Publicada em 27/01/2009

As más companhias do PT:
um partido que já é de todos, menos dos trabalhadores

Em quinze de janeiro desse ano, o petista Jairo Jorge -prefeito de Canoas (RS)- nomeou Cézar Busatto (PPS) para o cargo de chefe da Secretaria Especial de Estratégia e Inovação da cidade.  Busatto ficou somente três dias no cargo e, em 19 de janeiro, apresentou sua carta de renúncia.

            Esse episódio reacende um debate há muito tempo travado, principalmente no Rio Grande do Sul: o PT gaúcho é, de fato, diferente do PT dos outros Estados?

            A começar pela coligação feita pelo PT na cidade, para concorrer à prefeitura: são, ao todo, nove partidos, o que Jairo Jorge defende com orgulho.  A questão é que, após a nomeação do secretário, Jairo Jorge recebeu fortes reprimendas de Olívio Dutra, Raul Pont e do atual Ministro da Justiça, Tarso Genro, todos petistas, gaúchos e fortemente ligados à política do Estado.

            Mas por que o PT, nacionalmente, se colocou tão contrário à nomeação de Busatto, se a base aliada de Lula é tão “ampla”, como o próprio Olívio Dutra classificou de “más companhias”?

            Em nada tem a ver com Busatto ter trabalhado no governo de Antônio Britto (na época no PMDB) e ter articulado a campanha deste na oposição ao governo de Olívio. Também não está ligado ao fato de também ter servido ao governo da atual governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB). Muito menos tem a ver com o escândalo, que resultou na saída de Busatto do atual governo do RS, quando o vice-governador, Paulo Feijó, gravou uma conversa entre os dois, na qual Busatto falava que TODOS os partidos se elegem, e se sustentam, com dinheiro de instituições públicas, como o DAER, o DETRAN e o Banrisul.

            A rejeição do PT ao nome de Busatto é, simplesmente, uma disputa de cargos.

            Partidos que vivem da disputa de eleições, e somente existem para isso, se sustentam com os cargos do governo, são parasitas das instituições públicas. Assim, qualquer carguinho a menos é uma boquinha a menos.

            A essência do PT já é o que o próprio Jairo Jorge diz buscar: “o PT que eu desejo não é o PT do isolamento, é o PT que tenha capacidade, sim, de construir um novo bloco político humilde, sem arrogâncias com seus parceiros”. Mas ele pode ficar tranqüilo pois, de fato, o PT constrói diversos “blocos políticos”, com qualquer tipo de parceiros e sem nenhum isolamento.  É um partido que já é de todos, menos dos trabalhadores.

 

 

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