Publicada em 29/06/2009

Recessão: economia brasileira encolheu 0,8% no 1º trimestre de 2009. E a economia segue de mal a pior.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira entrou em recessão técnica a partir deste trimestre. Mas diante do mesmo período de 2008, a queda foi ainda maior, de 1,8%. O PIB (Produto Interno Bruto) já havia recuado 3,6% no último período de 2008 e, com isso, o Brasil entra na definição mais utilizada do que se chama de recessão técnica, quando se registram dois trimestres consecutivos de queda, o que não acontecia desde 2003.

O PIB registra o valor de tudo o que é produzido no país por meio da indústria, agropecuária e serviços, descontadas as despesas com os insumos utilizados no processo de produção, tais como matéria-prima, mão-de-obra e impostos. Assim, entrar em recessão significa redução na produção das indústrias, no número de vagas e no valor dos salários, investimentos e negócios.

Frente ao quarto trimestre de 2008, a maior redução da atividade aconteceu na indústria, com recuo de 3,1%. A agropecuária, por sua vez, caiu 0,5%. Já o setor de serviços apresentou alta de 0,8% no primeiro trimestre. Isso significa que a produção e a riqueza estão diminuindo. Os serviços ainda cresceram (mesmo assim minimamente) porque os efeitos do desemprego ainda não vieram em toda sua intensidade.

Porém, independente dos serviços ainda se manterem melhor que as demais áreas, o fato é que o Brasil está em recessão, e com sua economia no pior momento em mais de 15 anos, numa contração total de 4,5%. Foi a maior queda em dois trimestres consecutivos da série iniciada em 1996. Incluindo a série anterior, a queda é a maior desde 1990, no Plano Collor, quando houve um recuo de 6,7% do PIB nos dois primeiros trimestres.

A indústria recuou 3,1% ante o trimestre anterior, depois de ter caído 8,2% no último trimestre de 2008. Comparado com os três primeiros meses de 2008, a indústria encolheu 9,3%, o pior desempenho da série iniciada em 1996. A indústria caiu como um todo, e a pior contração, de 12,6%, foi na indústria da transformação (também o pior resultado da série). Foram particularmente afetados os segmentos de máquinas e equipamentos, metalurgia, veículos, mobiliários e vestuários e calçados.

A construção civil caiu 9,8% em relação ao primeiro trimestre de 2008, o pior resultado da série. O subsetor de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana caiu 4,2% e a indústria extrativa mineral, 1,1%.

Além da produção, os investimentos desapareceram

O investimento bateu recordes de queda no primeiro trimestre de 2009. Na comparação com o último trimestre de 2008, a chamada formação bruta de capital fixo (FBCF, um conceito muito próximo do investimento) recuou 12,6%, descontando-se as variações sazonais. Foi a pior queda da série iniciada em 1996. No último trimestre do ano passado, o investimento já tinha recuado 9,3% ante o trimestre anterior.

Ante o primeiro trimestre de 2008, o recuo foi de 14%, também o pior da série. Nessa segunda base de comparação, foi o primeiro resultado negativo desde o último trimestre de 2003. O colapso no investimento, na esteira da crise global iniciada em setembro do ano passado (anteriormente ele vinha crescendo num ritmo acima de 10% constante), está ligado a vários fatores. Os principais são a forte redução na produção e na importação de máquinas e equipamentos e o recuo da construção civil, que crescia a uma média de 10% ao ano nos três primeiros trimestres do ano passado, antes da crise.

A queda dos investimentos no primeiro trimestre, maior do que a do PIB, fez com que a taxa de investimentos recuasse para 16,6% do PIB, o que se compara com 18,4% em igual período de 2008. A taxa de poupança da economia, por sua vez, caiu de 15,3% do PIB no primeiro trimestre de 2008 para 11,1% de janeiro a março de 2009.

Esses dados são particularmente graves porque, além de não haver investimentos, o dinheiro também não está sendo poupado. A taxa de poupança (poupança/PIB) nos três primeiros meses deste ano foi de 11,1%. Em 2008, tinha sido 16,9% e no primeiro trimestre de 2008 de 15,3%. A conclusão é terrível: não é que os recursos deixam de ser investidos para ficarem “seguros” numa medida cautelosa de adiamento de decisões, como as de ampliar uma fábrica ou modernizar a maquinaria de produção. O dinheiro não investido, na verdade, foi consumido na crise, e simplesmente não existe mais.

Do lado das contas externas, as exportações de bens e serviços verificaram baixa de 16% e as importações diminuíram 16,8%. Esse resultado é decorrência da recorde dependência do comércio exterior vivida pelo Brasil. Com a economia mundial afundando, o Brasil é arrastado junto e essa tendência vai continuar.

Mais arrocho e ataque contra os trabalhadores

                Como alternativa à arrecadação despencando e à taxa de lucro empresarial em declínio acentuado, o governo Lula espera jogar os efeitos da crise sobre a cabeça dos trabalhadores. Assim, além dos cortes do orçamento, Lula já disse que vai vetar o reajuste dos aposentados e pensionistas pelo índice do salário mínimo, além de estar pressionando para impor reajustes bienais a categorias como metroviários federais e bancários.

                Todo o esforço de Lula é para arrochar os salários, e, ao mesmo tempo, blindar o ano de 2010, para que nenhuma greve atrapalhe a eleição de Dilma como sua sucessora. Mas a classe trabalhadora saberá reagir. As lutas já estão crescendo por todo o país, e nossa tarefa é justamente essa: unificar as lutas e combinar cada reivindicação específica de cada local de trabalho, com uma luta implacável para derrotar Lula.

Somente com esta estratégia é possível impedir pela raiz os ataques aos explorados e a luta por um verdadeiro governo dos trabalhadores, que não virá do processo eleitoral, mas da organização e luta direta dos trabalhadores.

 

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