Balanço da
1º Reunião Nacional da Conlutas de 2008:
Sem fusão com oportunistas, a Conlutas cresce quando define se opor mais forte ao governo!
Nos dias 29/02, 01 e 02/03, ocorreu, no Rio de Janeiro, a reunião da coordenação nacional da Conlutas, que contou com a participação de mais de 300 pessoas, de cerca de 100 entidades, entre sindicatos, oposições, entidades estudantis, populares e organizações políticas. Esta reunião tratou de temas fundamentais hoje em dia, como a conjuntura política, o debate acerca da situação e rumos da Venezuela e seu “capitalismo bolivariano do século 21”, da estruturação do movimento sindical e do futuro da própria Conlutas.
Brasil e Venezuela: diferentes, mas com a mesma necessidade
Os pontos mais políticos da reunião foram, sem dúvida, os relativos à crise econômica mundial e seus efeitos sobre o Brasil, principalmente; e sobre a Venezuela. Quanto aos efeitos da crise e o Brasil, o Movimento Revolucionário realçou a gravidade da atual recessão econômica e seus efeitos sobre as costas dos trabalhadores, com a recente iniciativa de Lula de aprofundar os ataques à população em geral com cortes de investimento e aumento do custo de vida e do crédito. A inflação deve crescer em combinação com a desaceleração econômica. Ao mesmo tempo, as reformas neoliberais planejadas seguirão sendo bandeiras de Lula, agora expressas na isenção de impostos aos empresários e redução de sua contribuição ao INSS. Lula quer quebrar a Previdência, para depois justificar o amento da idade mínima, em especial para as mulheres.
No tema Venezuela, reafirmamos que não existem “campos progressivos” ou “governos progressivos” no capitalismo. O conflito na Venezuela, como em todo mundo, é de classe. Chávez não é o responsável por enfrentamento nenhum, mas a expressão distorcida e eleitoral do enfrentamento que as massas protagonizam contra o imperialismo. Mesmo suas medidas, aparentemente “de esquerda” são tomadas como resposta à pressão popular.
Nossa política só pode ser a de lutar para expulsar o imperialismo e construir o verdadeiro socialismo na Venezuela, o que exige construir organismos dos trabalhadores que construam a possibilidade de derrubar Chávez e impor um governo realmente dos trabalhadores. Um governo que deixe de fornecer petróleo aos EUA, não pague a dívida externa e exproprie o conjunto da burguesia venezuelana, mantendo fechada a rede de TV RCTV, mas fechando também a Globovision e demais emissoras, além de expropriar os bancos, fábricas e empresas exploradoras, nacionais e multinacionais. Este caminho deu um passo adiante com o NÃO no plebiscito sobre a reforma constitucional de Chávez, mas precisa de um partido revolucionário para ir adiante.
Fundir a Conlutas com a base e não com os burocratas
Como defende o Movimento Revolucionário, a Conlutas vem crescendo, sem nenhuma fusão com o setor integrante da chamada Intersindical. A Intersindical é a continuidade da tentativa de setores petistas e do PSOL de barrar a construção da Conlutas, na época chamada de Assembléia Popular. A Assembléia Popular, então muito denunciada pelo PSTU (direção da Conlutas, e que mantinha o princípio das denúncias aos traidores do movimento), se converteu em Intersindical para manter seu mesmo papel.
Por todo o país, a Intersindical tem centenas de ativistas honestos e lutadores em seu meio; aliás, assim como o MST e o próprio PT. No entanto, as organizações são definidas pelo programa que defendem, a estratégia pela qual lutam e por sua direção. Sob qualquer um destes aspectos, a Intersindical é semi-governista, no sentido de que não tem cargos nos ministérios de Lula, mas trai greves como na Previdência (setor onde tem força), despolitiza a luta e dá golpe na democracia operária. Seus sindicatos são burocráticos, oportunistas e seus dirigentes são, via de regra, acomodados socialmente e usufruem de privilégios materiais, além de métodos antidemocráticos.
A Conlutas não ganha nada se fundindo com a Intersindical, e só o PSTU e o PSOL defendem isto, pois estão de olho, não na necessidade do trabalhador, mas na necessidade deles mesmos de eleger vereadores nas eleições de outubro deste ano.
A realidade, no entanto, faz com que a burocracia da Intersindical estabeleça, ela própria, seu ritmo de fusão, ao perceber que a direção da Conlutas é completamente submissa às suas exigências. Resultado: vão esperar as eleições para crescer mais que o PSTU e fundir em melhores condições, só em 2009. E a direção da Conlutas, com o PSTU à frente, aceitando tudo e agradecendo a “boa vontade” da Intersindical...
Melhor para nós e para os trabalhadores: contrariando este desespero pela fusão, e dando razão aos ativistas da esquerda da Conlutas, entre eles o Movimento Revolucionário, a Conlutas, sem fusão, segue crescendo, como demonstra a reunião massiva do RJ e a simpatia que tem na base, exatamente por ainda não ter a presença dos personagens nocivos da Intersindical, opostos ao que sempre defendeu a Conlutas.
O papelão do PSOL
O partido de Heloísa Helena mostrou, mais uma vez, como é muito pior do que o PT era em seus primeiros anos. Na discussão sobre os rumos do país, o Movimento Revolucionário denunciou a fala da líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Luciana Genro, que, em nome do partido, disse que apoiava a redução da contribuição patronal ao INSS, desde que se sobretaxassem os especuladores. É a velha manobra, típica do PCdoB e partidos da escola stalinista e nacionalista, de achar uma “burguesia boa” para contrapor à “burguesia má”. Neste caso, Luciana e o PSOL acham que os industriais e burgueses ditos produtivos são progressivos em relação aos banqueiros, deixando claro seu projeto de apenas “melhorar” o capitalismo. Sobre este crime ideológico e político, o aliado PSTU não disse uma palavra!
No debate da Venezuela, as correntes CST e MES, do PSOL, conseguiram a façanha de expressar suas diferentes formas de capitular ao governo Chávez, de maneira muito criativa. A CST de Babá defendeu a abstenção no plebiscito de Chaves, e o MES foi a favor do Sim. Enquanto isso os trabalhadores disseram Não!
O PSTU, que defendeu o “Não” corretamente, como o Movimento revolucionário, criticou muito o MES, mas não disse uma palavra sobre a linha “centrista” da CST, que na verdade é uma traição do mesmo tamanho, ao se negar a ajudar os trabalhadores a romperem com um governo burguês.
08 de Março – Mulheres de luta X mulheres de eleição
No encaminhamento da reunião sobre o dia de luta das mulheres, 08 de março, ocorreu um fato curioso e outro deplorável. O fato curioso ficou por conta do informe de que a Conlutas iria organizar atos contra o governo, este ano. Os atos seriam contra a CUT e com pontos mínimos bem mais à esquerda que em 2007. Em 2007, foi exatamente esta tática que defenderam os companheiros da direção do PSTU no Rio Grande do Sul, e que foi maioria na regional do partido. No entanto, esta votação foi desrespeitada e a direção nacional do PSTU impôs atos com o governismo do PT, PCdoB, CUT e MST em todo país. O final da história é que os que defenderam a política que hoje é consenso na Conlutas foram expulsos do PSTU e chamados de sectários, e hoje formam o Movimento Revolucionário.
O fato deplorável foi a censura da maioria da Conlutas ao texto definido pelo GT de mulheres da Conlutas, que dizia o que todo mundo sabe: que Heloísa Helena vai contra as mulheres quando se coloca contra o direito ao aborto. Apesar das mulheres terem incluído esta discussão no panfleto, um acordo hipócrita e cúmplice da opressão à mulher, entre o PSOL e o PSTU, tratou de censurar esta frase, jogando a discussão para debaixo do tapete e ajudando a vida da Igreja e dos que atacam as mulheres, incluindo Heloísa Helena.