Publicada em 12/03/2009

Posição da Igreja sobre aborto de menina de 9 anos estuprada causa revolta

O caso do aborto da menina de 9 anos do Recife, grávida de gêmeos de seu estuprador, que a abusava desde os 6 anos, causou grande polêmica no Brasil e no exterior , não somente pela questão do aborto  em si,  mas pelo posicionamento da Igreja católica sobre o fato.

A menina que  fez  o aborto, sofria abusos sexuais do padrasto há pelo menos 3 anos. Com a autorização da mãe, Esmeralda Aparecida, foi concedido, pela Justiça, o direito da menina poder realizar a interrupção da gravidez. No Brasil, o aborto somente é possível por lei em casos de estupro, risco de vida para a gestante e má formação do feto. Mas a pressão dos setores fundamentalista religiosos e mais reacionários da sociedade fazem com que nem nestes casos seja possível, na maioria das vezes, a mulher poder obter o direito ao aborto.

A Igreja, principalmente, mas também governo e patrões (que lucram muito com a opressão à mulher) difundem o machismo, a lógica da mulher como reprodutora e sem direito ao prazer. Por isso, passam a ideia da mulher como "dono do lar", pessoa incapaz e que deve estar sempre à sombra do homem, esperando casamento e servindo ao marido. Por causa do machismo, e das restrições ao aborto a todo mulher que queira evitar a gravidez, são cerca de 150 mil mulheres que morrem ou têm sequelas decorrentes de abortos clandestinos, por ano no Brasil. 

No caso da criança que estava grávida agora, ela foi descoberta depois que reclamou de dores e foi levada a uma unidade de saúde. Os médicos classificaram a gestação como de alto risco, pela idade: sua estrutura física mede apenas um 1,33m e 36 kg, e por ser de gêmeos.

O padrasto da menina Jailson José da Silva foi preso. Ele confessou o abuso sexual à policia e contou ainda que abusava sexualmente da irmã da vitima, uma adolescente de  14 anos portadora de deficiência física.

Igreja, que acoberta seus pedófilos, agora defendeu o estuprador

A repercussão do caso foi ainda maior pela reação da Igreja Católica ao aborto assistido pelos médicos. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe e a equipe médica envolvida no procedimento. Afirmou, com o apoio do Vaticano e da CNBB (que algumas pessoas ainda pensam ser progressiva), que o padrasto não pôde ser excomungado, pois estupro, na concepção da Igreja, é menos grave que o aborto. 

Essa posição desumana chocou até mesmo as próprias pessoas que seguem o catolicismo. Pois serve para amenizar o estupro, que é uma violência brutal contra mulher, e, isso  sim, é um atentado de morte contra a vida de alguém. O aborto é um direito de escolha da mulher em que cada uma decida o que for melhor para sua vida. Toda mulher deve ter o direito de decidir sobre o seu próprio corpo e o que é melhor para si.  

Essa postura retrógrada da Igreja em relação ao aborto, assim como condenar os anticoncepcionais (camisinha, inclusive), o divórcio e o sexo antes e dentro do casamento se não for para reprodução, mostra o quão doentia é a posição católica oficial. Enquanto isso, a Igreja é tolerante diante do aumento da gravidez precoce, das doenças sexualmente transmissíveis como a Adis, e, principalmente da pedofilia.

O Vaticano acobertou centenas de padres estupradores nos últimos anos, pagando indenizações e transferindo os criminosos, sem nunca excomungar nenhum, e sequer entregar para a polícia ou mesmo afastá-los da função de padre. O Vaticano, que apoio o nazismo e condena homossexuais e mulheres, agora está defendendo até mesmo os estupradores de fora de seus círculos, como no caso do padrasto criminoso de Pernambuco.

Ao dizer que o estupro não é tão ruim como matar (numa visão obscurantista de vida não nascida e de vida em potencial superior a de uma menina sofrida), a Igreja se iguala a Maluf, que disse sobre um estupro que chocou a sociedade "estupra, mas não mata", recomendando moderação aos estupradores e dizendo que sem morte a coisa poderia ser melhor entendida.

A lógica da Igreja católica é uma política de destruição e morte  da classe  trabalhadora, que não tem acesso à saúde;  em que as mulheres pobres são submetidas a abortos caseiros, enquanto as ricas podem pagar clínicas clandestinas.  

No sistema capitalista em que vivemos, o Estado burguês se utiliza da Igreja, que lhe é anterior e a qual precisou combater por seus atrasos e ignorância feudais,  para melhor oprimir e explorar os trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, governantes aceitam e são reféns das posições da Igreja contra o aborto, contra os anticonceptivos, etc. Para reverter esta situação, somente com  a luta unificada da classe trabalhadora pela destruição de todas as instituições atuais, que sustentam o machismo e a exploração.



 

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