Política de genocídio: polícia e forças armadas vão para a ofensiva e matam mais de 30 em 5 dias nas comunidades do Rio de Janeiro.
O Rio de Janeiro é um Estado em clima de terror constante, às vezes velada, outras aberta. E nesse instante o estado vive um destes momentos de conflito aberto.
Diante de ações do tráfico contra a implantação das 13 UPPs (Unidades de Polícia “Pacificadora”) nos morros, a resposta por parte do governo estadual de Sérgio Cabral (PMDB) é intensificar uma das políticas que vem tendo nos últimos anos, de limpeza social através da invasão, expulsão e ameaça aos moradores das zonas mais pobres do Rio. Numa das mobilizações militares mais ostensivas já vistas no país, são helicópteros, 13 blindados da Marinha, 7 caveirões do BOPE. São 402 militares, sendo 200 da polícia civil, 150 do BOPE e 52 fuzileiros navais. E o governo Lula anunciou ainda o envio de 800 soldados do exército, depois de comemorar o “sucesso” da operação de ontem. Na prática, o que se comemora é a morte de mais de 30 trabalhadores e filhos de trabalhadores, os principais atingidos por esta ofensiva do estado.
Os ataques a ônibus, carros e vans são orquestrados por um setor marginal do capitalismo: o tráfico, principalmente através da facção do Comando Vermelho. Além de uma resposta contra as UPPs, que dificultam o seu trabalho, a revolta também é contra a transferência de importantes líderes de sua facção para presídios de maior segurança. Discordamos e repudiamos estes ataques, primeiro por serem obra de um setor que oprime os moradores das favelas e morros do Rio de Janeiro e segundo porque são expressão da revolta de um setor que em nada está preocupado com as lutas e reivindicações da maioria dos trabalhadores. Ou seja, é uma disputa entre setores que querem lucrar e explorar os trabalhadores: a milícia, o tráfico, a polícia e o governo. Um é o explorador legalizado e oficial e o outro é o explorador ilegal, mas igualmente explorador e capitalista.
Entretanto, entendemos a própria existência do tráfico como mais uma das mazelas do capitalismo e culpa do próprio Estado burguês, que criminaliza a droga sobre a qual ele próprio lucra imensamente. Medidas como a legalização das drogas, sim, poderiam acabar com o tráfico e a imensidão de mortes inocentes por ele causadas. O tráfico de drogas é hoje controlado não pelos chefes dos morros ou pelos jovens que andam armados, mas sim por parlamentares e grandes empresários, estes estão bem longe do morro, morando em mansões, com empresas de lavagem de dinheiro e assistindo a tudo de camarote. Nesse momento o que o Estado faz é usar da desculpa de combate a um problema que ele mesmo cria para poder implementar sua política de ocupação das favelas e limpeza social, impondo terror à população. Tudo mascarado sob o pretexto da pacificação!
O Estado de Sergio Cabral e Lula não tem moral e nem direito de fazer o que está fazendo, aproveitando-se do senso comum contrário ao tráfico e à postura dos traficantes dos morros para promover uma política de genocídio sobre a população pobre nas favelas do Rio de Janeiro. Por isso defendemos a imediata retirada de todo o contingente militar dos morros e subúrbio do Rio de Janeiro. De fundo essa ocupação violenta está a serviço de interesses de um setor da burguesia que vê no tráfico, setor marginal, mas também inserido na engrenagem capitalista, um inimigo a ser combatido. O desfecho disso será passar o controle das extorsões com luz, água, aluguel, etc, para as mãos de grupos milicianos, outros setores do tráfico ou até mesmo para que a polícia e o Estado cumpram diretamente esse papel, de explorar, agredir e oprimir trabalhadores.
VOLTAR |