Publicada em 21/01/2009

As mulheres seguem sofrendo com a violência e o machismo: Jovem de 23 anos é assassinada a tiros pelo ex-namorado e mulher de 48 é morta a facadas pelo ex-marido.

A violência contra a mulher segue a fazer vítimas no Brasil. Dois casos recentes chocaram o Brasil, num deles Marina Sanches Garneiro, de 23 anos, foi assassinada com vários tiros em uma academia de ginástica no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o crime ocorreu por volta das 21h50 de quarta-feira na recepção da academia aonde ela trabalhava. O assassino foi seu ex-namorado, cujo qual, já havia sido denunciado varias vezes por Marina por ter ameaçado matá-la.

Em outro caso uma mulher de 38 anos foi morta a facadas pelo ex-marido na manhã de uma quarta-feira. A vitima foi atacada quando chegava ao prédio da Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde, ela morreu antes de ser atendida no Hospital Miguel Couto, na Gávea. Após o crime, o agressor foi perseguido, onde então foi detido em frente a uma concessionária de automóveis. Cerca de 40 pessoas tentaram linchá-lo, segundo a polícia.

 A vítima, assim como Marina, já havia sido ameaçada de morte pelo ex-marido e prestado queixa numa delegacia e uma das amigas dela disse que o ex-marido a ameaçara com faca há duas semanas. Segundo esta testemunha, André falou para a ex-mulher que ela não estaria viva para comemorar o aniversário.

"Ele ameaçou com uma faca e disse que ela não chegaria até o aniversário. Ela empurrou o ex-marido e conseguiu fugir. Quando eu estava vindo para o trabalho, falaram que alguém havia sido morto. Quando soube quem era, pensei: ele cumpriu o que tinha prometido" disse a amiga.

 A mulher assassinada trabalhava como manicure. Ela estava separada há cerca de dois anos do ex-marido, com quem teve um casal de filhos.

A cliente afirmou ainda que, por mais de uma vez, a vitima buscou ajuda na Delegacia da Mulher, mas que falavam para ela que, sem flagrante, nada poderia ser feito. A amiga não soube especificar em qual delegacia a manicure prestou queixa contra o ex-marido.

Casos como estes, não apenas  aumentam as estatísticas de violência contra a mulher no país, como demonstram que não existe solução para a violência sem investimento social, emergencialmente, e o fim do capitalismo e do machismo. A lei Maria da Penha, que está em vigor desde setembro de 2006, expressa uma conquista parcial da classe trabalhadora e das mulheres, ao ser necessário se incluir na lei medidas de amparo à mulher agredida, mas, sem investimento, não tem eficácia alguma, e a lei acaba sendo mais um instrumento vazio, limitado e que não serve às trabalhadoras.

As delegacias das mulheres, que deveriam facilitar o acesso das vítimas, evitando constrangimentos e sendo mais rápidas nos atendimentos dos casos, são insuficientes e, na prática, não têm demonstrado diferença nenhuma na solução de casos em que as mulheres sofrem agressões ou crimes como o assassinato.

Ao mesmo tempo em que nos indignamos com situações com esta, o governo divulga que a violência contra a mulher diminuiu, em decorrência da existência da lei Maria da Penha. Mas a realidade mostra que o governo mente, pois a violência contra a mulher aumenta a cada dia; aumenta na mesma proporção em que aumentam a pobreza, a falta de acesso a políticas públicas como saúde, educação e assistência social no nosso país.

 

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