Publicado em 25/11/2010

Depois das promessas de campanha,

proposta de aumento do salário mínimo é de R$28,00!

Tanto Dilma quanto Serra se utilizaram da promessa de aumento do salário mínimo para barganhar alguns votos nas últimas eleições. Serra chegou a fazer disso um dos eixos de sua campanha, com a proposta de reajuste para R$600 (atualmente o mínimo está em R$510).

Passadas as eleições, iniciam-se as discussões reais quanto ao aumento do salário mínimo e, como sempre, governo e oposição acabarão chegando a um consenso de reajuste, rebaixado e que não supre as necessidades básicas da família de um trabalhador. Mesmo a maior proposta, como a de R$600, é uma piada: o DIEESE aponta que hoje o salário mínimo, para suprir dignamente as necessidades de um trabalhador, deveria ser de R$2100,00.

        O relator geral do orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF), confirmou que a Comissão Mista de Orçamento aprovou no texto base do relatório preliminar o valor de R$538,00 para o salário mínimo a partir de 2011. Com o reajuste de R$28,00 o impacto nas contas será de R$ 1,46 bilhão aos cofres públicos. Para se ter uma idéia do quanto é ridículo esse valor basta comparar com alguns gastos do governo diante da crise econômica. Para salvar o Banco Votorantim o governo deu R$ 4,2 bilhões, sem adquirir qualquer direito de mando nas decisões internas. Na prática o banco continua o mesmo, porém a família Ermírio de Moraes está com R$ 4,2 bilhões a mais. Somando tudo o que Lula deu aos banqueiros e grandes empresas, chega-se a um valor de R$300 bilhões. Com corrupção, estima-se que roubem mais de R$70 bilhões ao ano, segundo estudo da FIESP.

        Em discurso recente, Lula tenta posar de bom moço afirmando: “Frente à ameaça de um colapso financeiro internacional, os líderes mundiais não hesitaram em gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar bancos falidos. Com menos da metade desses recursos seria possível erradicar a fome no mundo". O que Lula deixa de dizer é que faz parte deste mesmo grupo de magnatas que está mais empenhado em salvar bancos e governar para os patrões do que em erradicar a fome e, menos ainda, em conceder salários decentes aos trabalhadores.

Um salário digno é possível: Lutando contra o governo e as centrais traidoras!

Todo ano é a mesma discussão: de um lado o governo e os patrões fingindo lamentar a impossibilidade de um aumento maior e, de outro os trabalhadores vivendo com a alta do preço da comida, do transporte, do aluguel. É claro que se depender dos compromissos do governo, a prioridade são os lucros dos patrões, das multinacionais e dos grandes bancos. O que sobra para o trabalhador é o mínimo do mínimo, que não supre nem a inflação real do período.

Porém, mais lamentável que isso é que as organizações que deveriam representar os trabalhadores já partem para a negociação pedindo um reajuste também rebaixado. Representantes das Centrais entregaram, no último dia 4 de novembro, a pauta unificada ao relator do Orçamento para 2011, reivindicando aumento de 13% para o salário mínimo, que pode chegar a R$ 580,00 – um aumento real de 7,5%.

        No final das contas tanto governo como as centrais traidoras estão juntas, contribuindo para deixar os trabalhadores “a ver navios”. Defendemos que o governo não empreste mais um centavo para salvar banqueiros e nem conceda isenção aos grandes empresários, assim como pare de pagar a dívida interna. Somente essas medidas permitiriam que se dobrasse o salário mínimo. Entretanto, no que depender do governo Lula e de Dilma, a lógica continuará sendo essa: primeiro os empresários, bancos e patrões, a corrupção, e o que sobrar se divide em migalhas dadas aos trabalhadores.

Para conquistar um salário mínimo decente é necessário lutar contra o governo e as centrais que traem nossas lutas e reivindicações!

       

 

 

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