Publicado em 11/01/2010

Saldo da balança comercial em queda: a marolinha continua a afundar navios

Ao contrário do que se propagandeia na mídia burguesa, a crise econômica não terminou. Na verdade, os trabalhadores continuarão vendo seus reflexos por um bom tempo... A economia começa a ficar mais estável, mas está longe de ser o que era. O desemprego continua a ser um tormento, principalmente dentro das maiores economias do mundo, sendo que, tanto nos EUA, quanto na União Europeia, o número de desempregados ainda é maior que o nível anterior à crise.

Numa clara demonstração que a economia capitalista, a cada crise que a atinge, acaba tendo mais dificuldade em se reerguer, levando as populações a amargarem arrochos salariais e consideráveis pioras em suas vidas. Mesmo a "volta ao que era antes", nunca volta, realmente, ao que era antes, muito menos para a mesma quantidade de pessoas.

E, se existem reflexos nos países centrais do capitalismo, a crise é muito forte também em países periféricos como o Brasil, onde segundo os dados divulgados pelo governo nas últimas semanas, o saldo da balança comercial, ou seja, a comparação entre tudo o que se comprou, e se vendeu, entre o Brasil e o restante do mundo; o resultado dessa fração foi o pior desde 2002, com uma queda maior que 20%.

O superávit comercial – o somatório de tudo o que foi comercializado – de 24,62 bilhões de dólares é uma queda impressionante, em comparação com 2008. As exportações caíram 22,2% em comparação à média diária, somando um total de 152,25 bilhões de dólares.

 A maior parte das exportações brasileiras mudou de destino, e deixaram de ser para os EUA e o conjunto da União Europeia, para ir à China. Seguindo a lógica de que grande parte das indústrias das potências deixou de produzir nos mesmo patamares que nos períodos anteriores, e também pelo número absurdo de desempregados que existe nesses países, o que resulta em menor consumo. Em compensação, aquilo que era produzido nos países ricos, agora a China produzirá, já que possui uma das mãos-de-obra mais baratas do mundo.

Os índices demonstrando a fraqueza da economia capitalista brasileira não param por ai. Em relação aos tipos de produtos que vendemos, também fica claro o quanto é falso o discurso de que o Brasil possui uma economia sólida. A maior parte dos produtos que vendemos continuam sendo as matérias-primas, que representam produtos sem valor agregado, mais barato, e também que geram menos empregos.

Enquanto os produtos industrializados continuam sendo os primeiros da lista de compras do Brasil, ficando claro o quanto o caráter da economia brasileira segue sendo semi-colonial.  Continuamos compramos das "metrópoles" os produtos industrializados muito mais caros, feitos com os artigos que vendemos em forma bruta - as chamadas commodities, como os produtos agrícolas, pecuários e minerais.

Lula, preparando terreno para as eleições do ano que vem, ignora os fatos, e diz que a economia brasileira não sofreu com a crise, já que os planos econômicos do governo foram bem sucedidos. Porém, o que o próprio órgão governamental, IBGE, anunciou foi que, de 27 setores da economia, somente 6 estão produzindo em patamares acima do que se produzia antes de setembro de 2008. E justamente esses setores são aqueles que estão tendo o subsidio do governo, ou seja, o governo está tirando dinheiro público para artificialmente elevar o nível de produção. A indústria em geral continua 5,9% abaixo dos índices pré-crise.

A economia capitalista ao redor do mundo continua sofrendo os reflexos de sua pior crise. Os trabalhadores ao longo de 2010 continuarão a ver seus reflexos. E o Brasil, como parte dessa corrente de produção, sofrerá também. Como demonstram os próprios dados, a economia não é tudo aquilo que se propagandeia, e o governo Lula acaba ficando em uma encruzilhada. Já que as reservas que existiam estão acabando.

 

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