Publicada em 31/03/2009

Sarney tenta melhorar imagem do Senado cortando diretorias, sendo a maioria criada por ele mesmo

           O presidente do Senado, José Sarney, acredita ter causado ótima impressão no Brasil inteiro quando decretou o fim de metade das diretorias da instituição.

            As 181 diretorias causaram escândalo por todo ao país ao serem divulgadas na imprensa. Diretorias de Garagem, de Check-in, de Autógrafos e de todo o tipo de bobagem que se possa imaginar, tudo para que os supostos diretores e seus agregados recebessem um “adicional” de salário.

            Sarney e vários senadores se declararam surpresos com a denúncia, afirmando não saberem da existência de tais diretorias. Das duas, uma: ou eles não estavam no plenário no dia dessa votação -o que não seria nenhuma novidade- ou estão mentindo -o que também é de praxe-.

            Mas, apesar da tentativa de Sarney de melhorar a imagem dos políticos diante da população, há um “detalhe” que não pode ser omitido: ele é o responsável pela criação de cerca de 70% dessas diretorias. Desde 2001 o número de diretorias saltou de 32 para 181, quando o aliado de Sarney, Edison Lobão (também do PMDB), na época presidente da Casa, converteu algumas subsecretarias em secretarias, abrindo a brecha para o surgimento das outras 149.

            O próprio Sarney, ao desmantelar algumas dessas secretarias, disse que nada tinha a ver com o escândalo da repercussão, e sim com algumas mudanças estruturais necessárias à instituição. Os diretores passarão, agora, a serem escolhidos pelo mérito.

            Mas que critério será esse? Como avaliarão o mérito de alguém? Será o mérito de ser amigo ou parente? Relações pessoais e vantagens financeiras são os critérios dessa corja para escolher seus aliados e assessores.

            Assim, ainda que negue, a atitude de Sarney está, sim, intimamente ligada à péssima repercussão que teve a questão das diretorias. Como Senado, Câmara e demais instituições políticas já estão extremamente desgastadas diante da população -que, cada vez mais, acredita menos nas eleições e nos políticos-, a saída dessa corja é tentar parecer diferente do resto.

            Não nos enganemos: eles são todos iguais. Lula, seus aliados e a oposição de mentirinha, todos esperam o melhor momento para se elegerem e encherem os bolsos com o dinheiro roubado dos trabalhadores. Derrubar essa máfia e construir outro tipo Estado, controlado pelos trabalhadores e sem privilégios pessoais para uma minoria é a única forma de acabar com a corrupção.

 

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