Publicada em 18/11/2007

CONLUTAS RS:
SEMINÁRIO DEBATE PORQUE É ERRADO ACABAR COM A CONLUTAS

_____No dia 10/11, entre 170 e 180 pessoas discutiram a respeito da fusão da Conlutas com a Intersindical, grupo que ainda compõe parcialmente a CUT governista. O Movimento revolucionário foi decisivo para garantir o direito de a base conhecer e debater o que de fato pode alterar para sempre a estrutura da Conlutas: sua extinção em 2008, ao contrário do que queria a direção da Conlutas (PSTU/PSOL), que pretendia passar à margem da discussão.

O seminário estadual da Conlutas RS ocorreu num momento muito importante da luta dos trabalhadores. O movimento sindical, o popular e o estudantil enfrentam cada vez mais ataques do governo Lula. Lula quer, ao mesmo tempo, aprovar a continuidade da sangria dos bolsos da população com a CPMF, instituir as Reformas da Previdência (aumentando em 5 anos o tempo de contribuição para se aposentar) e Universitária (com o Reuni, projeto que pretende cortar verbas e qualidade do ensino superior). Estes ataques vêm junto com o aumento da inflação e da corrupção, com novos escândalos toda semana.

A resposta dos lutadores só poderia ser uma só: a luta desde a base, em cada categoria, com o objetivo de uma grande paralização e manifestações para Derrotar Lula e pôr Abaixo o congresso. Os anunciados mais de 1 milhão de pessoas presentes nos atos de Abril e Maio, no entanto, se transformaram em pouco mais de 10 ou 15 mil pessoas em Brasília, agora em Outubro. Para o Movimento Revolucionário, é hora de recuperar este espaço e voltar às bases, ao debate político e à luta contra Lula como um todo e contra todo o regime político do país. Em nossa opinião, é preciso discutir com os trabalhadores, os desempregados, a juventude explorada e com todos aqueles que são vítimas dos ataques do governo Lula, a necessidade de Derrotar Lula e todas as instituições que dão cobertura para o governo, Lutar contra o Congresso, contra o Judiciário (que faz algumas leis e ignora outros, mas sempre defende os ricos) e a polícia que reprime os trabalhadores. Temos que discutir a importância de que os próprios trabalhadores assumam o controle do país e de suas vidas. Essa é a saída que devemos apontar.

Infelizmente, a direção da Conlutas não quer discutir isso.  Para  o  PSOL/PSTU, o pensamento está já em 2008, ano em que pretendem selar duas alianças. A 1a aliança é com os pelegos da burocracia da Intersindical, à frente de métodos antidemocráticos, golpistas e cujo conteúdo não é de enfrentamento real ao governo Lula. A 2a aliança a ser firmada é a repetição da Frente Popular de 2006. A única diferença entre os 2 partidos é se há espaço ou não para o PV na aliança. Esta única diferença não deve durar muito tempo também...

Então, porque há dois projetos opostos para a Conlutas, também houve 2 propostas para o Seminário da Conlutas. Na opinião da direção da Conlutas, só se devia discutir a estrutura da Conlutas. E uma visão limitada da estrutura, restrita aos reflexos da burocratização, como os desvios de dinheiro, regalias, etc. O Movimento Revolucionário ganhou esta discussão e conseguiu, junto com  a base, discutir o conteúdo desta estrutura. Se debateu que, na raiz da burocratização está um programa de conciliação com os oportunistas e com o governo. Um burocrata, antes de mais nada, é um dirigente disposto a trair a categoria e vender uma luta, para manter seus privilégios.

Combater a burocracia no discurso, sem atacar a origem dos burocratas é se negar a ver que nada será pior para uma estrutura democrática e sadia na Conlutas que a própria fusão com a Intersindical, que afastará ainda mais a base das discussões, dará ainda mais controle aos burocratas da Intersindical sobre atos unitários que façamos e assim por diante. A prova disso é que, apesar de agora debater a burocratização (o que foi secundarizado por muito tempo como forma de "proteger" quadros e figuras públicas já acomodadas), seguem ocorrendo  casos de sumiço de dinheiro, acordos espúrios para garantir liberação sindical, etc.

Nós queremos muito mais unidade, muito mais crescimento da Conlutas e mais alianças. Mas a unidade que defendemos é com a base que luta. Com os milhões de desempregados, sindicalizados na base da CUT e Força Sindical e tantos outros que podem ser ganhos para o programa da Conlutas sem que, para isso, seja preciso abandonar tudo que já foi feito. A Conlutas saiu de uma estrutura de quase 5 mil sindicatos, para formar outra de 150 sindicatos porque entendeu que só assim podia defender os trabalhadores. Hoje não se pode voltar atrás do que se construiu. É preciso seguir em frente, com ainda mais força e mais Conlutas.

O resultado do seminário foram muitos contatos e jornais vendidos por nossa organização, mas uma vitória ainda maior: a certeza de que ainda há vida na Conlutas e enquanto houver base e gente que sofre na pele os efeitos do governo e dos pelegos sindicais, ainda haverá espaço para a política classista e revolucionária dentro da Conlutas.

 

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