Eleições Sindicais no RS
CPERS-sindicato: O Novo Rumo com a CUT?
Neste sábado, dia 28 de junho, ficou confirmada a vitória da chapa 1 encabeçada por Rejane de Oliveira -chapa Novo Rumo- às eleições do CPERS(Sindicato dos professores da rede estadual do Rio Grande do Sul), com uma votação bastante expressiva: 44,2% dos votos, sendo que a chapa da atual gestão, chapa 2, tendo como cabeça Simone Goldschmidt, atual presidente do sindicato, obteve 36,8%.
Com uma campanha que foi marcada por críticas amenas ao governo estadual, já que se tratava de uma chapa que foi composta pelos cutistas do PT, membros da CONLUTAS e da Intersindical, incluindo nesta composição setores inclusive do próprio governo federal (A presidente da Chapa, Rejane, faz parte do PT -da corrente DS-, uma organização que já provou ter como principal objetivo às eleições, e por isso trabalha para desgastar o governo estadual de Yeda (PSDB) visando as eleições de 2010).
Rejane e seu partido faziam parte da gestão do CPERS até alguns meses antes das eleições para a diretoria do sindicato, e por perceberem o desgaste da gestão na base da categoria, vendo que estava se tornando insustentável permanecer na atual gestão, saltaram para o barco da oposição para manter seus cargos e privilégios no sindicato.
O lamentável é que a Conlutas, que fazia com muito esforço um trabalho dentro da categoria, de oposição não somente à atual gestão, mas a todo o projeto da CUT e dos setores do governo que atuam no sindicato, acabou se inserindo na mesma chapa que Rejane e sua turma.
Na gestão que se inicia, PT, PSTU, PSOL e CEDS estarão juntos na direção do sindicato. A Conlutas, infelizmente, abriu mão de seu projeto, da luta coerente pela desfiliação do CPERS da CUT - que inclusive quase foi obtida (leia_a_matéria) e da luta coerente por uma educação pública de qualidade, que não passa somente por desgastar o governo estadual, mas por derrotá-lo, assim como o de Lula.
Enquanto isso, a Conlutas organiza uma chapa de oposição ao sindicato dos bancários
Nas eleições do sindicato dos bancários de Porto Alegre e Região, a Conlutas obteve 27% da votação, numa eleição marcada por um profundo debate a respeito do papel que o sindicato cumpre dentro da categoria: um tipo de sindicato onde o que interessa são os assistencialismos e benefícios dados à categoria, o chamado “sindicato de resultado”, onde as verdadeiras necessidades dos trabalhadores não são pautadas e a luta é a última opção para se obter conquistas.
A experiência com o sindicato dos bancários, da mesma forma que com a CUT, se aprofunda a cada ano que passa, concretizando-se no alto número de trabalhadores não-sindicalizados, pois não vêem seus interesses representados.
O programa que a Conlutas apresentava à categoria era a verdadeira saída para os trabalhadores do setor financeiro: melhoria imediata dos salários, isonomia, contra o assedio moral, luta direta contra o governo Lula, a CUT e os burocratas do sindicato de bancários. Um programa que colocava a luta direta e a mobilização dos trabalhadores como a única alternativa para mudar de vida.
Qual o rumo que os lutadores devem tomar nas próximas eleições sindicais?
Como se observa, hoje existem dois projetos distintos para a Conlutas: um defendido pelo PSTU e seus aliados, que usam a entidade para fechar seus acordos e garantir mais aparatos, e aqueles que realmente querem construí-la para defender os interesses da classe trabalhadora. Chegam a ser opostos os projetos da direção do PSTU no CPERS e no Sindicato dos Bancários de Proto Alegre, pois no CPERS se juntou com a DS para garantir sua vaga dentro da direção do sindicato, e no sindicato de bancários defendeu que se fizesse oposição à mesma corrente interna do PT, em uma chapa conjunta da CONLUTAS. Como diz o ditado popular “o mesmo peso e duas medidas”.
Nos do Movimento Revolucionário defendemos que os lutadores devem ter um só objetivo dentro das eleições sindicais: fazer avançar a luta, a organização e a consciência da categoria. Isso significa acentuar o desgaste dos governistas e apresentando um programa que represente os reais interesses e necessidades dos trabalhadores. A Conlutas nasceu para ser oposição ao Lula e a CUT, e isso deve ser dito e demonstrado, pois somente derrotando Lula e fortalecendo as organizações da classe trabalhadora é que poderemos sair vitoriosos.