É PRECISO UM MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO MUNDIAL
Introdução
O Congresso Nacional dos Estudantes acontece num momento importantíssimo da luta da juventude e dos trabalhadores. Junto com a crise econômica e o aumento dos ataques aos trabalhadores e estudantes, temos um aumento significativo nas lutas e mobilizações no mundo todo.
Mais do que nunca, é preciso reagir e protestar contra os efeitos do capitalismo. Já são milhões de desempregados, guerras e pessoas jogadas na miséria, despejadas e sem nenhuma condição de vida. Contra esse tipo de ataque, nós precisamos de um plano de lutas, que apresente um programa de ruptura com o capitalismo e de combate às instituições que sustentam esse sistema.
E, para organizar os estudantes e a juventude, é preciso a construção de uma entidade estudantil que esteja presente nas salas de aula e nas lutas da juventude, para colocar os estudantes ao lado dos trabalhadores que lutam para derrotar o governo Lula, o congresso corrupto e todos que são inimigos da educação e dos estudantes, entre esses, as direções oportunistas e traidoras do movimento estudantil como a UNE e a UBES.
É possível e necessário um novo movimento estudantil, combativo, pela base, socialista e revolucionário.
A CRISE HISTÓRICA DO CAPITALISMO
A vida está cada vez mais difícil para os trabalhadores e a juventude. No mundo inteiro, o capitalismo se mantém através de uma forte ofensiva contra os povos. Com a crise econômica atual, os trabalhadores e as massas respondem às demissões e ao empobrecimento com um grande aumento e radicalização das lutas.
De uma forma ou de outra, a crise econômica acaba atingindo a juventude, e de um modo brutal. São os jovens uns dos que mais sofrem com o desemprego, pois não há novas contratações. Em relação ao custo de vida, as contas são cada vez mais apertadas, seja com o aumento do preço da comida e do aluguel, que afetam todo mundo; como da passagem, a mensalidade da universidade, o lazer, etc., que são especialmente agravados no caso dos estudantes.
Além disso, em tempos normais, sem uma crise tão visível e evidente do sistema, a educação já é um dos setores que menos recebe verbas, com um sucateamento enorme. Agora que as coisas ficam mais difíceis, a educação pública começa a sofrer ainda mais ataques. O que se vê são escolas e universidades precárias, com prédios sem reforma há anos, em que faltam professores, as vagas são sempre insuficientes e que, ao final da formação profissional, não há emprego!
A violência é especialmente cruel para a juventude. Principalmente a violência policial que agride e assassina os jovens, na sua maioria negros e pobres, criminalizando o simples fato de se morar na periferia.
E esta realidade só vai piorar. Em termos gerais, se compararmos as perdas que a atual crise já atingiu, elas já são maiores que as perdas causadas pela II Guerra Mundial, onde países inteiros foram destruídos fisicamente, e milhões de trabalhadores e jovens foram mortos. Embora as perdas atuais não tenham surgido diretamente de uma guerra, suas conseqüências são ainda mais graves, pois as fábricas e pontes que hoje não são bombardeadas são fechadas pelos próprios capitalistas. Assim, pelo próprio sistema capitalista, aumenta o número de pessoas miseráveis e desempregadas, da mesma forma que aumenta o preço dos alimentos e o custo de vida em geral.
O sistema capitalista faliu historicamente, e a crise atual prova que ele oscila entre períodos de crescimento e recessão, em que, a cada ciclo desses, o conjunto da economia e da sociedade sai ainda mais desigual e em conflito, com suas contradições ampliadas. Entretanto, mesmo quando a economia cresce, o conjunto da população segue cada vez mais pobre e apenas uma minoria de ricos enriquece.
A formação de grandes monopólios; a anarquia da produção; a busca incessante pelo lucro e, ao mesmo tempo, a tendência de redução da taxa de lucro inerente ao capitalismo; e a especulação financeira; jogaram a economia no buraco. Mais de 50 milhões de trabalhadores perderão o emprego no mundo em função da crise econômica, que ainda está longe de acabar.
E, mesmo quando economia voltar a crescer, nunca irá chegar ao patamar anterior à crise. Essa é a tendência do capitalismo em decomposição: períodos de crescimento e recessão, onde as perdas nunca conseguem ser recuperadas do ponto de vista da vida dos trabalhadores e povos do mundo.
As Frentes Populares e o Keynesianismo tentam, mas não podem salvar o capitalismo
Diante das demissões em massa, os governos do mundo inteiro têm adotado a mesma postura. Destinam montanhas de dinheiro público aos grandes banqueiros, reduzem o orçamento público e deixam os trabalhadores pagarem pelos prejuízos. Mesmo aqueles que falam em nome dos trabalhadores, e que se dizem de esquerda, como Lula, Obama, e até Hugo Chavez e Evo Morales, têm feito a mesma coisa.
No fundo, eles são todos iguais, e a diferença é que os governos oriundos de Frentes Populares ou com grande respaldo popular fazem a mesma coisa, mas contam com seu prestígio para manter os trabalhadores sem protestar. Os governos de “esquerda” ou “populares” governam tanto para os banqueiros e para salvar o capitalismo como os políticos diretamente escolhidos de dentro do meio burguês tradicional, mas são mais eficientes que estes, porque contam com o apoio traidor da maior parte das direções de sindicatos, movimentos populares e estudantis.
Contra esta realidade, como já vem ocorrendo desde o início do novo século, os povos do mundo inteiro têm se levantado para lutar contra o imperialismo com cada vez mais força. Na América Latina, diversos processos revolucionários derrotaram governos neoliberais, derrubaram presidentes, ocuparam o Congresso, como no Equador, abalaram a estrutura do capitalismo e estiveram prestes a ameaçar o capitalismo com a tomada do poder. Como reflexo dessas lutas, se criaram as condições para o ascenso das Frentes Populares, que, por sua vez, começam a ser questionadas pelos trabalhadores.
No Oriente Médio, as massas iraquianas, afegãs, libanesas e palestinas têm mostrado ao mundo seu heroísmo na luta contra os EUA e o Estado nazista de Israel. Com a crise atual, os trabalhadores da Europa, berço do capitalismo, tem mostrado toda sua disposição de luta, com fortes greves gerais, ocupações de fábrica e radicalizações dos protestos. Estes são apenas alguns exemplos de que a correlação de forças está diferente de poucos anos atrás, e está mais favorável aos trabalhadores.
Ainda não estamos diante de um ascenso revolucionário mundial, com organismos de duplo poder, ou com o capitalismo totalmente acuado. Mas já não estamos nem perto de um período de refluxo. Podemos dizer que as massas estão em grande movimento e há condições reais, imediatas, de se agitar a necessidade da revolução socialista em dezenas de países ao redor do mundo, combinando essa saída com a luta diante de cada problema econômico surgido ou agravado pela crise.
Mais do que nunca, é preciso que, em cada mobilização, se levante a bandeira do socialismo e da revolução como forma de denúncia do capitalismo em crise e de construção do germe da nova sociedade, sem exploração e miséria. O capitalismo está conduzindo a humanidade ao caos completo, com o aumento da miséria, da fome, da violência social e da degeneração em todos os sentidos da vida humana. Nesse momento, onde esse sistema mostra que está caindo de podre, vale repetir a velha máxima de Rosa Luxemburgo, de “Socialismo ou Barbárie”.
O Neoliberalismo e a Social-Democracia morreram! O Socialismo e a revolução vivem!
20 anos atrás, a burguesia mundial aproveitou o colapso da União Soviética e da burocracia stalinista no Leste Europeu para fazer uma ampla campanha ideológica sobre a população do mundo todo. Dizia que a queda do Muro de Berlim significava a vitória final do capitalismo diante do socialismo e que tudo que estivesse relacionado com a luta de classes, as greves e as mobilizações era coisa do passado.
O neoliberalismo cresceu nesse período, determinando que o Estado deveria ser o menor possível, quase inexistente, pois o mercado livremente se autorregularia. As consequências dessa ofensiva foram nefastas. Vieram as privatizações, o desmonte da educação pública, as reformas contra os trabalhadores, aposentados e estudantes, como a Universitária, e mais arrocho e ataque aos direitos trabalhistas.
Entretanto, o maior estrago político dessa “maré pró-capitalismo” ocorreu dentro da própria esquerda, quando quase todas as organizações políticas que reivindicavam a revolução e o socialismo passaram a defender uma estratégia diferente, de disputa eleitoral e por dentro do sistema. O resultado pode ser visto na trajetória do PT, que deixou de ser um partido de trabalhadores e estudantes, e das lutas (mesmo que nunca tenha sido revolucionário) para ser um partido de empresários, burguês, em que os burocratas e quadros formam um exército para manter o capitalismo e os lucros dos grandes monopólios.
A esquerda do PT, incluindo aí os que se diziam socialistas, hoje ganha mensalão, se alia com gente da ditadura e espanca trabalhadores quando é governo, vide DS no RS e Ceará. O PSOL tem como militantes o ex-prefeito de Belém, que reprimiu funcionários públicos; gente como Pedro Ruas (RS) que foi eleita com dinheiro da burguesia; assim como manteve senador que empregava parentes e agora está filiado a partidos da burguesia. Nas últimas eleições, o PSOL se coligou até com o PSDB, mostrando que é inimigo dos trabalhadores. Estes fatos escandalosos mostram o quanto a ideologia de “fim do socialismo” foi forte, causando a traição e venda de muitos partidos, que passaram para o outro lado.
Agora, porém, a situação mudou. O neoliberalismo morreu ideologicamente. A primeira coisa que os banqueiros e empresários falidos nos EUA fizeram foi pedir ajuda ao Estado, o mesmo que antes deveria ser mínimo, quase inexistente. George W. Bush e, depois, Barack Obama, gastaram trilhões de dólares com a burguesia que jogou a economia na crise e os trabalhadores nas ruas. Lula no Brasil, Sarkozy na França e quase todos os presidentes do mundo fizeram o mesmo.
Alguns teóricos capitalistas foram obrigados a reconhecer que estavam errados; que a não intervenção do Estado na economia é uma teoria equivocada, que leva a economia à ruína. Mas a solução “intervencionista”, keynesiana, que propõem, não é capaz de resolver nada, pois não enfrenta o essencial que levou à crise: a propriedade privada dos meios de produção e a anarquia da produção.
Assim, ao mesmo tempo em que o neoliberalismo morreu, o projeto reformista e social-democrata também morreu. Fazer como fez a “Frente de Esquerda” do PSOL e PSTU tem feito nas últimas eleições, de defender ética na política e um projeto nacional-desenvolvimentista, que não rompe com o capitalismo e sim propõe sua reforma e humanização, é um crime nos dias de hoje!
O socialismo é a única alternativa contra a crise. E está cada vez mais vivo e presente em cada luta dos trabalhadores no mundo. Do ponto de vista da necessidade, nunca o socialismo esteve tão atual e na ordem do dia como agora. A crise mostrou que é impossível impedir que o desemprego e a miséria aumentem sem que os trabalhadores tomem o poder e que é preciso um outro sistema, superior ao capitalismo, um sistema socialista, que virá das lutas e de uma revolução.
· Contra as demissões e o capitalismo. Pelo Socialismo e a Revolução!
· Estatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, de todas as grandes empresas e do sistema financeiro!
· Fora Obama do Iraque/Afeganistão e Lula do Haiti!
· Todo apoio à luta do povo Palestino!
· Pelo fim do Estado genocida de Israel!
· Todo apoio à luta dos trabalhadores no mundo todo! Pelo aumento das greves, ocupações e protestos!
· Construir a resistência popular, convertendo as lutas econômicas em lutas políticas, que questionem sempre o poder.
Derrotar Lula e o Congresso Corrupto
Quando Lula foi eleito pela 1ª vez, representou a esperança de mudança que muitos tinham. Foi o discurso de que o país tinha que ser governado por um trabalhador, que governaria para os mais pobres, junto com o ódio a FHC e seu governo neoliberal, que levou Lula à presidência. Mas, depois de uma lua de mel com os eleitores por algum tempo, os 7 anos que vieram deixaram uma coisa bem clara: nenhum governo, através do voto, ganhe quem ganhar, vai mudar a vida significativamente.
Em 7 anos, a mística do PT acabou. Mesmo a popularidade de Lula,que segue alta, não é mais a de um “popstar”, um “salvador”, como quase era considerado. Ninguém mais se dispõe a passar noites viajando a Brasília para assistir à posse de Lula, ou fazer campanha eleitoral “no amor” para seus candidatos. O apoio a Lula é menor e mais frio. O apoio ao PT é comprado e eleitoreiro, sem militância de ativistas de base, como era antes.
O Congresso nacional se desmoraliza a cada dia que passa com um novo escândalo. Não existem mais grandes ilusões por parte da população de que é possível resgatar a moral e ética na Câmara e no Senado. Assim como as demais instituições, como a própria Justiça e a grande mídia, o Congresso está a serviço dos grandes empresários, e a maioria da população já as rejeita ou tem desconfiança, ao menos.
Por isso, do ponto de vista da organização da luta dos estudantes e trabalhadores, é necessário um partido revolucionário, que não tenha como principal atividade a busca pelo voto a cada dois anos, e sim a luta direta dos trabalhadores em defesa de seus direitos e contra Lula, o Congresso corrupto e o capitalismo como um todo. Mas é fundamental, também, que exista uma grande entidade estudantil que ajude nesse processo. Há espaço, e é necessário, lutar para destruir o capitalismo e suas instituições, agitando a necessidade de uma revolução socialista, no Brasil em no mundo. A Conlute e demais entidades de base podem, se tiverem direções coerentes em seus organismos, ocupar este papel.
- Derrotar Lula! Abaixo o Congresso Corrupto!
- Pelo aumento das lutas, greves e ocupações!
- As eleições não mudam nada. Apresentar candidaturas revolucionárias opostas e contra as saídas reformistas
Por uma nova direção para as lutas
Lula e o PT não poderiam trair milhões de jovens e trabalhadores sozinhos. O governo contou com o apoio de entidades do movimento de massas do Brasil que cumpriram um papel progressivo na luta das décadas anteriores, e por isso tinham prestígio para trair sua base neste momento. A CUT no campo sindical; a UNE e a UBES entre os estudantes, foram fundamentais para evitar que os descontentes e indignados com os rumos do governo se mobilizassem e tomassem as ruas.
Essas entidades governistas sempre traíram a luta, jogando água fria nas mobilizações, e fazendo acordos com o governo, patrões e reitorias, Brasil afora. Até à violência e repressão contra os lutadores essas entidades apelam.
Em função disso, teve inicio um processo importantíssimo de ruptura com essas entidades governistas e construção de alternativas de luta e independentes do governo. A Conlutas foi o que surgiu de mais progressivo, pois aglutina trabalhadores, desempregados, movimentos populares e estudantes sob um programa de enfrentamento com Lula e a CUT, ainda que, na prática, em função de sua direção (PSTU e PSOL), esse programa tenha sido deixado de lado para dar lugar a permanentes chapas em comum com os próprios governistas.
No Movimento Estudantil, especificamente, a Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (CONLUTE) foi fundamental para impulsionar vários grêmios estudantis, diretórios e centros acadêmicos e executivas de cursos a romperem com a UBES e UNE. Foi na luta em defesa da educação publica e contra sua privatização, que se percebeu a necessidade de construir uma ferramenta nova, pois as antigas entidades não mobilizavam mais os estudantes e ajudavam o governo no desmonte do ensino.
Nesse sentido, a tarefa que a CONLUTE deu início segue perfeitamente na ordem do dia e mais necessária do que nunca, ainda que, na prática, o PSTU tenha desistido desse projeto. Nós achamos que mesmo que surja uma nova entidade estudantil, que tenha outro nome, ela deve ser construída sob a mesma perspectiva que a CONLUTE lançou: pela ruptura com a UNE e UBES; para derrotar Lula e defender a educação pública; lado a lado com a luta dos trabalhadores; e pela estratégia socialista.
O aumento das lutas da juventude, com ocupações de reitoria por todo o país torna ainda mais urgente a construção de uma entidade nacional, que unifique a luta contra Lula e a UNE em todo o país. Só é possível derrotar o REUNI e os ataques à educação publica em geral, com uma entidade nacional forte, que se construa por fora e contra as entidades governistas.
Não é possível que,depois de 5 anos, ainda sejamos levados a, em nome de uma “unidade” que não existe porque as próprias correntes do PSOL não a constroem na prática, ter que engolir uma entidade laranja, artificial, ou sem programa algum definido. Pior ainda que os argumentos dos setores do PSOL que seguem dentro da UNE com seus cargos e dizem que “ainda é cedo para romper com a UNE, é o argumento de que “não podemos reafirmar a Conlute” ou que “devemos formar outra entidade mais ampla” porque ainda é cedo para entrar em polêmicas com o PSOL.
É tão falso achar que não se pode disputar a base da UNE sem estar em seus fóruns, como é falso achar que se rompe com a base honesta e lutadora do PSOL ao não dizer claramente o que é sua direção ou se reafirmar uma entidade estudantil de luta, sem capitulações, seja ela se chamando Conlute ou qualquer outro nome.
· Romper com a UNE e UBES governistas!
· Reafirmar a CONLUTE e seu programa!
· Em defesa da uma entidade nacional para derrotar Lula, a UNE e os inimigos da educação! Não ser refém da unidade pela unidade, e abandonar o que precisa ser feito já!
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