Publicada em 02/01/2008


Tortura no RS: A polícia é inimiga dos trabalhadores

 

        O que pode ser uma frase evidente para muitos, para outros precisa ser repetida o tempo inteiro: a polícia, como qualquer outra força armada pelo Estado, dentro do capitalismo, é inimiga dos trabalhadores. O motivo de sua existência é um só: aterrorizar os trabalhadores e defender a propriedade privada dos ricos

        Nesta semana que passou a polícia militar do RS, da região de Caxias do Sul, cometeu mais uma atrocidade contra os trabalhadores. Primeiro, um policial, fora do expediente, com mais dois amigos, tentou invadir uma residência atrás do dono da casa. Pouco importa que a pessoa em questão fosse um traficante, um desafeto pessoal ou o que quer que seja. È inadmissível que um funcionário público, que supostamente deve servir à população, tente invadir uma casa, tanto em serviço como fora dele. Mas fora dele ainda caracteriza o abuso de autoridade de forma mais flagrante, à medida que se comprova a mistura de interesses públicos com privados (como os que a burguesia sempre exige que a polícia defenda, só que desta vez pelo próprio agente da repressão).

Mas isso é só o começo: o dono da casa, em circunstâncias ainda pouco claras, matou o policial que tentava invadir sua casa. Pelo direito burguês, não haveria nada de errado, pois era a defesa da propriedade que estava em jogo. Mas este é o discurso contra os sem terra ou miseráveis que roubam potes de margarina. Por se tratar de um policial, a burguesia, expressa nas suas forças armadas, joga no lixo suas próprias leis e defende, antes de mais nada, seu Estado, suas instituições terroristas contra a classe trabalhadora.

        Foi assim que mais de 40 policiais se envolveram, à margem de qualquer processo “legal”, em uma caçada ao autor do disparo contra o policial. No episódio mais bárbaro de uma série de arrombamentos, espancamentos e intimidações, policiais invadiram a casa do suspeito, que não se encontrava, e promoveram torturas contra 4 jovens que estavam na casa, dois deles filhos do procurado. As cenas envolveram chutes, socos, espancamento repetido e as “técnicas do BOPE – tropa de elite” também. Os torturadores usaram o famoso saco plástico para tentar assassinar os jovens, e um cabo de vassoura introduzido no ânus de um deles, que teve que ser internado no hospital, em estado grave.

        Após as barbaridades, o secretário estadual de segurança, ex-chefe da polícia Federal de Lula no estado, hoje funcionário do governo Yeda (PSDB), anunciou que vai ser “duro”: vai investigar, punir e, se for o caso, até demitir os policiais. Isso é uma vergonha!

A ação dos policiais não foi uma reação de um “grupo de amigos” do policial morto. Foi a ação típica de um grupo de extermínio, de uma força de repressão e massacre aos trabalhadores que ousem a enfrentar. Foi uma ação de guerra civil duma classe, através de seus “homens armados”, contra a população. A demissão, num caso desses, não muda nada. Todos os policiais envolvidos ou cúmplices na ação devem ser, além de demitidos, presos. E a população deve decidir o que fazer com eles e que pena deve impor, seja ela qual for. Os inimigos dos trabalhadores, que os torturam e massacram devem se submeter ao julgamento e à “lei” das vítimas de suas ações e não das leis que lhes beneficiam.

 

Prisão e demissão imediata de todos os policiais envolvidos.

Demissão sumária do secretário Mallmann da SJS do RS

Pela indenização material e moral do Estado às vítimas de tortura

Que a população defina a pena dos envolvidos

Pelo fim da Polícia Militar

Pela auto-defesa e armamento dos trabalhadores

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Novo Ataque de Yeda no RS

• Projeto de corte de verbas e união de turmas precariza a educação no Rio Grande do Sul