Depois da tortura em Caxias do Sul-RS, os trabalhadores seguem sendo vítimas da violência, agora no Ceará e em Porto Alegre
Em 12 de janeiro, a casa de Marlene de Oliveira e Osmar de Souza foi invadida. Depois disso, Osmar foi espancado, Marlene foi torturada, abusada sexualmente e, no final, os 2 foram queimados. Marlene morreu neste dia e Osmar logo depois, no hospital. Esta notícia já seria costume para um final de semana, tamanha é a violência e a criminalidade que atingem a população em geral, mas em especial os mais pobres hoje no Brasil.
Mas o que é mais chocante, junto com a barbárie do ato de invasão, agressão, estupro, tortura e assassinato cruel, é o fato de Marlene ser uma importante líder comunitária do bairro Restinga, um dos mais pobres de Porto Alegre. Nada foi roubado da casa (que foi incendiada), e a própria polícia foi obrigada a admitir que deve se tratar de uma execução. Este crime tem todos os traços dos crimes feitos para "impor uma lição" aos demais líderes da região. É "um exemplo" para que ninguém se intrometa nos negócios que vão bem para os traficantes, os empresários e todos aqueles que ganham dinheiro à custa da exploração dos trabalhadores.
Até hoje não há nenhuma prisão ou resultado para este caso. Chama a atenção como esta barbaridade é parecida com a dos policiais contra o pedreiro em Caxias do Sul-RS (ver matéria). Mas isso não deve ser surpresa: a diferença entre o "bandido" e o policial na maioria das vezes é só a farda.
Também no Ceará a violência policial faz vítimas: Adolescente de 16 anos, após tentativa de furto é espancado por policias no meio da Rua.
Um adolescente de 16 anos foi espancado após furtar um rapaz na tarde desta sexta-feira (25), em Fortaleza. O inspetor Cláudio, do 3º Distrito Policial, disse que o garoto saiu correndo após puxar a carteira do rapaz, mas foi detido por pessoas que passavam pela rua e assistiram ao crime.
Mesmo depois de ser controlado e imobilizado, os policias decidiram “dar uma lição” no jovem e o espaçaram em plena luz do dia no meio da rua mesmo, na frente de todos.
Segundo a polícia, o garoto apanhou principalmente na cabeça e está com o corpo coberto de hematomas. Ele foi apreendido e encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente de Fortaleza. Essa foi mais uma demonstração do abuso de poder e da real função da polícia burguesa, que mesmo depois de ter prendido o garoto decidiu espancá-lo apenas por prazer e para demonstrar que quando se trata da população pobre, o que não falta por parte da polícia é violência para os trabalhadores e pobres dentro do capitalismo.
A polícia defende os ricos
No capitalismo, os donos de banco, grandes empresários, grandes fazendeiros, etc., mandam na política, na polícia, nos deputados que fazem as leis e nos juízes que deveriam aplicar a lei. É o famoso "quem paga, manda". É por isso que os filhinhos de papai da burguesia matam mendigos, queimam índios, espancam trabalhadoras domésticas e fica por isso mesmo. É por isso que, ao contrário deles, os jovens pobres da periferia, ainda mais se forem negros, são jogados na parede nas batidas, são humilhados, espancados e mortos sem mais nem menos.
A polícia, como qualquer outra força armada pelo Estado capitalista, é inimiga dos trabalhadores. O motivo de sua existência é um só: aterrorizar os trabalhadores e defender a propriedade privada dos ricos.
É claro que a maioria dos policiais também vive mal, trabalha o dia inteiro, não tem segurança contra traficantes, por exemplo, e ganha muito mal. Mas estes policiais, mesmo sendo vítimas do capitalismo também, são usados como o braço da repressão dos ricos contra os trabalhadores. Esta é a contradição de um PM ou de um soldado: é um trabalhador pago para atacar outros trabalhadores.
Por isso, a principal medida contra a violência policial é acabar com a própria polícia dos ricos. A polícia militar é, como o nome diz, uma polícia em guerra contra os inimigos, que são aqueles que não obedecem as ordens. Mas que ordens são essas? São as leis dos juízes ladrões, dos senadores corruptos e dos governantes que massacram o povo trabalhador.
Não é para prender ladrão que a PM existe. É para prender a população se ela quiser invadir os palácios atrás dos ladrões que matam milhões de pessoas nas filas de hospitais, doentes, mal alimentados e sem emprego.
Na região de Caxias do Sul, a ação dos policiais não foi uma reação de um "grupo de amigos" do policial morto. Foi a ação típica de um grupo de extermínio, de uma força de repressão e massacre aos trabalhadores que ousem a enfrentar. Foi uma ação de guerra civil duma classe, através de seus "homens armados", contra a população. A morte da líder comunitária é responsabilidade do capitalismo que deixa os trabalhadores viver sem segurança, enquanto os corruptos andam em carros blindados. O estupro coletivo à uma garota de 15 anos é a prova da decadência de um sistema prisi0nal que amontoa gente que rouba margarina do supermercado e deixa Renan Calheiros livre!
Por isso, só os próprios trabalhadores podem fazer justiça! Não uma justiça individual, do tipo "caçar" o assassino. Mas também não é a justiça burguesa que vai condenar seus próprios companheiros de classe. É a população deve decidir o que fazer com os que atacam os trabalhadores. Os inimigos dos trabalhadores, que os torturam e massacram devem se submeter ao julgamento e à "lei" das vítimas de suas ações e não das leis que lhes beneficiam.
A justiça real, dos trabalhadores, porém, só vai existir quando o próprio capitalismo for derrubado, pois é a exploração do patrão a raiz da diferença social, da alienação, da miséria e da criminalidade. A luta contra a violência é a luta pela revolução socialista, pela destruição do capitalismo e construção de uma nova sociedade, socialista, onde os trabalhadores governem, através de seus próprios organismos, de bairro, de fábrica, de empresa e de local de estudo.
Pelo fim da Polícia Militar
Pela autodefesa e armamento dos trabalhadores
Que os trabalhadores, com suas leis, julguem seus agressores.