Publicada em 15/10/2009

Polícia e tráfico de Salvador em conflito mostram caos no capitalismo

      Os dias de confronto entre a polícia e o tráfico em Salvador (BA), acontecidos há algumas semanas, deixaram algumas reflexões a serem feitas.

      Segundo a Secretaria de Segurança baiana, o conflito iniciou em represália à transferência do chefe do tráfico de drogas de Salvador, Cláudio Eduardo Campanha, para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

      Ao todo, os traficantes atacaram dez postos policias (metralhados, incendiados...) e danificaram 14 ônibus (a maioria, incendiados). Dessas ações, ficaram feridos cinco policiais e oito civis, nenhum com risco de morte. Já a resposta da polícia foi mais “enfática”: treze mortos (suspeitos de participarem das ações de vandalismo) e 19 presos.

      Inicialmente, esse tipo de ação mostra o grau de organização ao qual chegou o tráfico de drogas. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Como é uma rede extremamente lucrativa, vai muito além da juventude desempregada da periferia, envolvendo principalmente grandes empresários -e suas empresas de fachada- e órgãos da Justiça, como a própria polícia, que muitas vezes, quando não contribui diretamente, cobra propina para fingir que não sabe de nada.

      Recentemente foi lançado no cinema o filme Salve Geral que, independente de críticas cinematográficas, é uma tentativa de passar para as telas os dias em que o PCC (Primeiro Comando da Capital), de dentro dos presídios paulistas, paralisou a principal cidade do Brasil. É mais um exemplo da força do tráfico.

      Entretanto, esses confrontos nos fazem pensar além e, mais uma vez, refletir sobre a ação da polícia. A Justiça, que não perde a oportunidade de divulgar as atrocidades cometidas pelos traficantes, parece achar normal que a polícia execute 13 pessoas SUSPEITAS de envolvimento com os atentados. Mesmo se fossem culpados, a pena de morte não é legalizada nesse país. Pelo menos oficialmente.

      O ditame “todos são inocentes, até que se prove o contrário”, para a população pobre das periferias nas grandes cidades, parece valer menos ainda. 

      Se a venda de drogas ainda é ilegal é porque há muita gente lucrando com isso! A questão das drogas é assunto de segurança pública e, a cada dia, coloca mais vidas em risco. Principalmente quando nos vemos diante de uma polícia despreparada e de uma justiça que propaga a corrupção e a impunidade.

      Não será com a transferência desse ou daquele traficante, com o desmantelamento de uma ou outra quadrilha, que o tráfico será controlado. Nesse caso, o buraco é bem mais embaixo!

 

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