Publicado em 29/06/2010

Tragédia no Nordeste: mais uma catástrofe onde os maiores atingidos são os pobres

Em tempos de Copa do Mundo, a tendência é que nossos olhares voltem-se apenas para o torneio, como se o mundo parasse de girar para os jogadores entrarem em campo e disputarem suas partidas.

Entretanto, a realidade trágica que assolou o Nordeste brasileiro necessita da nossa atenção.

        Nas últimas semanas de junho, apenas num período de três dias, choveu 400 milímetros entre os estados de Alagoas e Pernambuco (dado alarmante, considerando-se que a média MENSAL é de 300 a 350 milímetros). O saldo da catástrofe: mais de 40 mortos e de 600 desaparecidos, sem mencionar as mais de 100 mil pessoas, entre desalojadas e desabrigadas.

Fenômenos naturais somados ao despreparo administrativo

        O governo federal já anunciou a liberação de R$100 milhões para a reconstrução dos estados, adiantando que não faltará dinheiro para o apoio às vítimas.

Essas vítimas são, em sua grande maioria, e como sempre, pobres que perdem absolutamente tudo: casa, móveis, roupas, eletrodomésticos. Como se não bastasse terem pouco, passando uma vida cheia de privações, precisam recomeçar, literalmente, do zero.

Diante desses fenômenos naturais imprevisíveis, fica a nossa sensação de impotência e a crença de que nada poderia ser feito para evitar tal situação. Mas não é bem assim.

De fato, a mais alta tecnologia desenvolvida ao longo da história humana não pode impedir a ocorrência de tsunamis, terremotos, furacões. Mas essa mesma alta tecnologia também é incapaz de preparar as comunidades para receberem, de forma mais segura, essas “intempéries”? É evidente que não. Mas convenhamos: a “alta tecnologia”, em geral, não está a serviço dos pobres.

Fenômenos naturais sempre ocorrerão, mas podem trazer menos caos à sociedade à medida que os avanços proporcionados pelo capitalismo estejam ao alcance de todos. Com moradias e construções bem estruturadas em áreas seguras, um bom sistema de escoamento e irrigação nas áreas rurais e urbanas; com certeza, os prejuízos seriam menores.

Uma resposta da natureza

Diante de mais uma tragédia “natural”, é importante observar como isso vem se repetindo e em menores espaços de tempo. Não esqueçamos o desmoronamento nesse início de 2010 no Morro do Bumba (RJ) e a enchente de Santa Catarina, ocorrida a menos de dois anos.

São as respostas da natureza às agressões constantes pelo mundo afora.

Debates sobre consumo e produção sustentável tornaram-se parte de nossa rotina, falando na economia de luz e energia, na reciclagem do lixo, num melhor aproveitamento dos resíduos orgânicos.

Enquanto isso, o governo sequer aprova um Estatuto Ambiental que amplie e, de fato, proteja as reservas ambientais, cada vez mais ameaçadas. Ele quer, bem pelo contrário, reduzir as áreas de preservação e intensificar a exploração e o desmatamento onde ainda for possível. 

Se o trato com o meio ambiente continuar assim, é sentar e esperar a próxima catástrofe!

 

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