Publicada em 29/01/2008
Aumento da Violência no Transito:
A culpa é do Governo Lula e da Burguesia

Todo fim de ano é sempre a mesma coisa: ao iniciarem os feriados de Natal, Ano Novo e as férias de verão, os índices de mortes no trânsito são alardeados por toda a imprensa, por todos os lados. E nada parece ser suficiente nessa luta pelo fim da violência no trânsito: campanhas de conscientização, maior fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, etc.

Só no último Natal, a PRF registrou um aumento de 133% de mortes no trânsito em relação ao Natal de 2005. Natal esse, inclusive, que é considerado o mais violento dos últimos 4 anos. O que aqui queremos debater é justamente o que vem causando esse absurdo aumento de acidentes de trânsito, provocando tantas mortes.

De acordo com a PRF, o aumento nos acidentes do último Natal se deve a uma soma de fatores, como o aumento da frota de veículos no Brasil, as fortes chuvas na região Sudeste/Centro-Oeste e a crise aérea (que desmotivaria as pessoas a viajarem de avião e, portanto, as levaria a apostarem em automóveis particulares e ônibus). Ainda que não desprezemos esses fatores, não acreditamos que sejam fatores primordiais no que diz respeito aos acidentes, sejam os desse período específico – Natal - sejam feriados em geral, quando costumam ocorrer muitas mortes nas estradas.

A precariedade das estradas é ponto fundamental nessa discussão. O governo Lula, em parceria com os governos estaduais, aumenta impostos, investe numa operação superficial como a “Tapa buraco” e inventa pedágios por todas as partes, fazendo com que motoristas atravessem estradas esburacadas, pouco iluminadas e de pedágios caros. Entretanto, um levantamento dos próprios órgãos do governo revela que a maioria dos acidentes ocorre em pistas “boas”, retas, durante o dia e sem chuva. O que isso quer dizer?

Ainda que devamos suspeitar de qualquer informação que venha desse governo corrupto e ladrão, também devemos admitir que a situação das estradas não fosse o único fator a provocar acidentes. A alta velocidade em que alguns motoristas dirigem nos obriga a refletir sob 2 pontos de vista. Primeiramente, o trabalhador - como o caminhoneiro, por exemplo - que tem no transporte rodoviário a sua forma de sustento. As jornadas de trabalho que ele cumpre, assim como os absurdos prazos de entrega que tem de cumprir, os torna trabalhadores super-explorados e que, permanentemente, correm um alto risco de vida, e o colocam entre as maiores vítimas do trânsito. O segundo ponto de vista seria o do trabalhador que pega a estrada no feriado/fim-de-semana, para viajar, visitar alguém... A ansiedade que esse trabalhador tem por ficar o mais longe possível do seu ambiente de trabalho, que é desgastante e opressor, faz com que queira aproveitar todo o seu tempo livre. O percurso na estrada, portanto, deve ser abreviado o máximo possível, para que possa chegar ao seu destino e “esquecer os problemas”.

Assim, aí estão alguns dos principais motivos para a correria nas estradas, e podem ser simplificados e abreviados numa constatação: a exploração da classe trabalhadora sob o capitalismo. E citamos apenas dois exemplos: o do trabalhador que corre na estrada para não perder o emprego e o do trabalhador que corre, fora do horário de serviço, para justamente aproveitar a sua folga. À primeira vista essas coisas parecem não ter relação, mas se refletirmos veremos que acabam fazendo todo o sentido.

_____Assim, aumentar as multas para os infratores - como um projeto do governo está propondo, agora-, assim como investir nas fiscalizações da PRF e em campanhas de conscientização, são iniciativas que tendem a surtir muito pouco efeito por não lidarem com a raiz do problema, e é por isso que os principais problemas da classe trabalhadora não se resolvem sob o capitalismo: não se trata de uma reforma, e sim de uma revolução. Não queremos que tapem os buracos das estradas, e sim que se construam estadas novas, pois há dinheiro para isso. Queremos que o trabalho seja uma forma de produzir para o coletivo, respeitando necessidades coletivas e individuais, e não uma maneira de explorar o coletivo para sustentar poucas individualidades. Enfim, queremos uma sociedade em que o trabalho não seja sinônimo de exploração, alienação e extração de mais-valia, e sim uma parte do dia, dia esse também dedicado ao lazer, à produção intelectual e tudo aquilo a que só alguns ricos têm direito.  

 

 

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