Publicada em 13/03/2008

São Paulo:
 Engarrafamentos recordes e Transporte Público caro e ineficiente geram caos e Revolta dos trabalhadores.

O transito nas grandes cidades brasileiras já motivo de preocupação para todos; os recorrentes engarrafamentos, a falta de infra-estrutura, a insegurança, os acidentes... Tudo já faz parte do cotidiano de várias capitais do Brasil, assim como de outras metrópoles do mundo.

 E quando se pensa em engarrafamentos, logo vem à imagem de São Paulo, que contando com sua região metropolitana possui mais de 19 milhões de habitantes e sua frota de automóveis, que chega a seis milhões veículos e a cada dia que passa aumenta em 800 carros. Por ser uma das maiores cidades do mundo, São Paulo, a todo instante demonstra sua ineficiência para o deslocamento de sua numerosa população, que é submetida a engarrafamentos, sendo que na primeira semana de março bateu recorde atrás de recorde de extensão, chegando à marca de 145 km de carros parados!

A capital paulista é um exemplo claro do quanto a vida dos trabalhadores pode se tornar degradante. A maior parte da população brasileira tem que se submeter a uma carga horária diária de trabalho de 12 horas em média, porém dentro das grandes cidades como São Paulo, os trabalhadores são obrigados a morar cada vez mais longe de seus trabalhos, o que acaba fazendo com que seu tempo dedicado ao trabalho aumente devido ao deslocamento.

São comuns os casos de trabalhadores que, devido ao tempo absurdo que gastariam com o deslocamento até o trabalho e o custo elevado das passagens, acabam dormindo pelo centro da cidade em peças alugadas durante a semana, retornando para suas casas apenas no fim de semana para ver a família. Além de perder como o deslocamento um tempo que poderia ser usado em lazer ou no merecido descanso, a cada ano que passa a passagem sobe de preço, e o valor que poderia ser usado para sua alimentação, por exemplo, acaba sendo consumido com o transporte. Segundo o IBGE, um terço da renda das famílias brasileiras vai para o pagamento dos transportes que a família utiliza.

Trabalhadores demonstram sua revolta paralisando ruas e a circulação em São Paulo

Na sexta-feira dia 07 de março, mais de mil trabalhadores demonstraram toda sua revolta com a situação do transporte público em São Paulo. Desceram dos ônibus e fizeram barricadas, bloqueando as avenidas da Zona Sul da capital paulista, Interditando a estrada M Boi Mirim e a Avenida Guarapiranga, na periferia de São Paulo, após ficarem presos em um engarrafamento monstro. Os trabalhadores pobres já estavam cansados da situação absurda a qual estão sendo submetidos e por isso decidiram protestar.

"Isso não é vida, você sair 4 horas da manhã pra chegar 10 horas no serviço. Isso não é vida. Nós somos trabalhadores", diz uma mulher.

"Eu trabalho 12 horas por dia, tenho que sair de casa três horas mais cedo e chegar três horas mais tarde", conta o atendente Clayton Nascimento.

A vida dos trabalhadores tem piorado cada vez mais, e o governo de São Paulo tem demonstrado todo seu descaso com o transporte público e com os trabalhadores. Se a vida de quem tem carro já um transtorno, onde um automóvel anda numa média de 27 Km/h, os trabalhadores pobres passam por situações piores, já que os ônibus se locomovem a uma velocidade média de 12 Km/h, e ainda por cima estão sempre lotados.  

Não bastasse tudo isso, quando os trabalhadores decidem protestar e  expor suas reivindicações o governo as responde com chutes, socos, espancamentos e prisões. No dia da referida manifestação, a polícia chegou ao cruzamento onde os manifestantes estavam e, com bomba de gás lacrimogêneo e balas de borracha, atacou e dispersou a manifestação. O prefeito Gilberto Kassab, quando questionado sobre o assunto, anunciou a solução: investimento nas ciclovias e no metrô, mas tudo é claro, sem data para ser feito!

Governo desde ano passado promete investimentos através do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, que prevê várias obras de infra-estrutura, com a construção de avenidas, rodovias, projetos habitacionais, e outras obras. Porém os trabalhadores já estão cansados de promessas que nunca viram realidade, e de obras que só servem para empreiteiras roubarem as verbas públicas, como a Gautama e a Odebrech, que são famosas não pelas maravilhosas obras que concluíram, mas sim pelos envolvimentos nos esquemas de corrupção. Como o pagamento pensão de Mônica Veloso, a amante de Renan Calheiros, aonde todos os cheques vinham da empreiteira Gautama.

A organização e luta dos trabalhadores não pode parar

Por isso não basta que os trabalhadores se revoltem e exijam melhoria nos transportes e demais setores, devem exigir que estas obras sejam feitas por empresas do estado. Devem também exigir a estatização sem indenização de todas as empreiteiras envolvidas em esquemas de corrupção, ou de empresas que forneçam serviços essenciais. Transporte Público deve ser serviço gratuito a todos aqueles que estão indo ao trabalho ou escola, e para os desempregados, que por diversas vezes não buscam empregos por falta de dinheiro.

Mas a real solução para os problemas dos trabalhadores somente virá, de fato, em uma sociedade onde não sejam os interesses das empreitaras corruptas os que são ouvidos, mas sim a necessidade dos trabalhadores, de ter uma qualidade de vida melhor, com os serviços ao alcance de todos. Por isso é fundamental, desde já, organizar a classe trabalhadora em organismos que representem seus reais interesses e organizem sua luta, pois somente assim os próprios trabalhadores podem determinar suas prioridades  e a melhor forma de determinar as obras e necessárias. Sendo necessário que sua luta objetive a construção de uma sociedade socialista, onde os próprios trabalhadores governem e definam o seu próprio caminho.

- Passe Livre já. Para trabalhadores, desempregados e estudantes!

- Estatização dos transportes públicos e demais setores essenciais.

- Obras públicas feitas por empresas estatais sob controle dos trabalhadores, só assim não haverá corrupção e desvio do dinheiro público.

- Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.

- Pela organização dos trabalhadores, para manifestações cada vez maiores.

 

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