Publicada em 02/11/2009

Machismo escancarado: Estudante é vitima de vaias e xingamentos dentro de universidade no Brasil

A estudante Geysi Arruda foi alvo de cena grotesca.

Dezenas de estudantes, juntamente com professores, aglomerados nas galerias da Uniban (Universidade Bandeirante, em São Bernardo do Campo) para assobiar e xingar a garota. O motivo do alvoroço foi o vestido curto que ela estava usando. A estudante foi obrigada a sair da universidade, vestindo o jaleco emprestado de um professor, e escoltada pela polícia Militar.

A reitoria da Uniban prometeu abrir sindicância para averiguar o caso. Enquanto isso, Geisy está há mais de dez dias sem comparecer às aulas, desde o escândalo promovido por seus colegas.

Esse fato só demonstra a que ponto pode chegar o machismo dentro do capitalismo.

O que aconteceu com Geysi é apenas parte do problema. Diversas mulheres sofrem esse tipo de agressão diariamente nas ruas, sem falar nos estupros e espancamentos. A mesma ideologia que permite que se possa xingar uma colega por causa do cumprimento do seu vestido, é a mesma que permite que atrocidades ainda maiores aconteçam.

A primeira coisa a se dizer é que a ninguém deveria interessar a forma de se vestir de cada um. Entretanto, se um homem estivesse usando trajes ousados, com certeza não se daria nada parecido.

Isso ocorre pois o capitalismo necessita que o machismo seja mantido, como parte de convencer os trabalhadores e a juventude de que a mulher é inferior em relação aos homens. Faz isso para garantir a superexploração sobre as mulheres, para lhes pagar salários mais baixos que os dos homens, lhes impor tarefas domésticas como se estas fossem de responsabilidade exclusivamente feminina.

Somos solidários a Geysi e defendemos que todo e qualquer estudante tenha o direito de permanecer e circular pela universidade sem ser alvo de xingamentos. O machismo, mesmo que praticado em forma de agressão verbal, deve ser criminalizado, devido ao constrangimento e humilhação a que submete suas vítimas.

A classe que nos explora tenta dividir nossa classe como forma de enfraquecer nossa organização e luta.

As mulheres sofrem duas vezes dentro do capitalismo: primeiro por serem exploradas como toda a classe trabalhadora, e segundo por, na maioria das vezes, receberem salários inferiores aos dos homens, ainda que cumpram a mesma função e trabalhem na mesma categoria. Se essa mulher for negra e homossexual, será ainda mais oprimida, marginalizada e explorada.

Defendemos não só o direito de as pessoas usarem as roupas que quiserem, mas principalmente defendemos o fim da opressão, do racismo, da homofobia e do machismo. Essa luta deve ser travada no cotidiano, dentro das organizações da classe trabalhadora, como parte da luta pela emancipação de todos os trabalhadores. Só com o fim do capitalismo as práticas que oprimem trabalhadores e trabalhadoras terão um fim.

 

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