Publicada em 15/12/2008

Mineradora Vale joga a crise econômica nas costas de seus trabalhadores, demitindo 1.300 e arrochando outros 5.500 operários.

A crise econômica que aflige o mundo pegou em cheio as empresas “brasileiras”. Segundo dados da fundação Getúlio Vargas 97% das indústrias brasileiras serão atingidas pela tormenta global, sendo que mais da metade delas serão atingidas de forma bastante severa.

Uma das primeiras das grandes multinacionais “brasileiras” a sofrer de forma dura com a crise foi a mineradora Vale (antiga Companhia Vale do rio Doce), que anunciou a demissão de 1.300 trabalhadores, além de dar férias coletivas a outros 5.500, que tem seu retorno ao trabalho incerto.

Em uma entrevista recente o preseindente da vale afirmou que mais demissões podem ocorrer nos próximos meses. Além da ameaça de novas demissões ele afirmou que tem tido converas com lula para solicitar a redução e flexibilização dos direitos trabalhistas: “Eu tenho conversado com o presidente Lula no sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa”. E terminou sua fala afirmando: “O governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas: suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim, em caráter temporário”. Lula já vem tentando, desde de seu primeiro mandato, aplicar a reforma trabalhista, que atenderia aos pedidos do presidente da Vale e do conjutno da Burguesia brasileira pelo corte e flexibilização dos direitos dos trabalhadores, mas só não conseguiu devido as lutas e protestos dos trabalhdores brasileiros.

Mesmo sempre obtendo lucros astronômicos a empresa foi entregue ao capital privado em1998. A privatização foi promovida no governo de FHC, por um valor bastante a baixo do preço real da companhia. Fernando Henrique entregou de mão beijada uma das companhias estatais mais lucrativas do Brasil para a burguesia internacional. Lula por sua vez nunca fez nenhum movimento sequer para evitar a privatização, ou mesmo agora para reverter a medida de FHC.

Pelo contrario, o governo lula tem feito de tudo para entregar o que restou das empresas e recursos naturais do estado brasileiro ao imperialismo. Já loteou diversas áreas da Amazônia para as indústrias internacionais e leiloou diversos poços de petróleo brasileira e pretende leiloar outros tantos ainda em dezembro de 2008 para as petroleiras internacionais.

Ganha uma importância neste processo a discussão sobre a necessidade da reestatização da Vale, assim como de todas as empresas privatizadas, sendo necessário colocá-las sob o controle dos trabalhadores, para que a riqueza gerada por elas seja usada para garantir o emprego, a saúde, a educação e demais necessidades dos trabalhadores, e não mais o lucro da burguesia internacional.

Por isso os trabalhadores, sejam os mineiros brasileiros, sejam os demais trabalhadores das mais diversas categorias, não podem ficar calados diante da política de Lula e da burguesia de empurrar a crise para as costas dos trabalhadores. Não se pode aceitar que se demita um trabalhador sequer, nem a redução de salários, direitos ou aumento da jornada de trabalho e super-exploração dos trabalhadores.

Mais do que nunca os trabalhadores precisam sair as ruas e lutar pelos seus direitos, contra as demissões e o arrocho salarial. Não podemos pagar pela crise capitalista. Que a burguesia pague pela crise que ela mesma e seu modo de produção capitalista criaram. Para cada demissão é preciso que se realizem protestos e greves, não só da categoria atingida, mas de todas as outras, não somente pelo aspecto econômico, mas também pela compreensão de que a derrota da burguesia em seu projeto, de empurrar a crise para os trabalhadores, em uma categoria enfraquece o conjunto da burguesia e fortalece os trabalhadores e sua luta.

Somente a classe trabalhadora unida, lutando contra a burguesia, o governo e seus dirigentes pelegos do movimento sindical, poderá ser capaz de enfrentar a crise capitalista, impondo seus interesses e necessidades contra os interesses dos patrões e governo.

 

 

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