Publicado em 22/06/2010

Aposentados: Lula aprova reajuste e veta o fator previdenciário.

Depois de meses de enrolação no Congresso nacional e por parte do presidente Lula, finalmente foi aprovado o reajuste aos aposentados que ganham mais que um salário mínimo. O índice de reajuste ficou em 7,7%, ainda abaixo do último reajuste do mínimo, o que mantém a defasagem. Ao mesmo tempo, Lula resolveu vetar o fim do fator previdenciário, criado por FHC e que antigamente era criticado pelo PT.

        Sobre o reajuste, é importante ressaltar o drama que o próprio governo fez quando se iniciou esta discussão, cuja primeira proposta era de um reajuste de 6,18%. Mesmo com este índice reduzidíssimo, o governo fazia milhares de ressalvas, atribuindo a este reajuste um suposto rombo nas finanças do país.

A oposição de direita, de forma demagógica, pois também não tem compromisso algum com os trabalhadores, propôs o reajuste de 7,7%, como forma de demonstrar que o PT também é inimigo dos aposentados. Ao ser lançada essa proposta, o ministro Guido Mantega veio a público dizer que ela iria comprometer todo o orçamento, que teria um rombo astronômico e cancelaria qualquer investimento.

        Alguns meses depois, após muitas caravanas de aposentados e debate por todo o Brasil, a aprovação do novo índice significa mais 1,5% de reajuste, ou seja, uns trocados a mais no orçamento doméstico já corroído pela inflação.

Lula foi obrigado a aprovar os 7,7%, pois sabia que se não fizesse isso estaria correndo o risco de perder muitos votos para sua candidata, Dilma Roussef. Esse é mais um fato de que este governo economiza com os trabalhadores e aposentados enquanto dá dinheiro aos banqueiros e latifundiários, por meio de empréstimos milionários e isenções fiscais.

Fator Previdenciário

        Além de arrochar o valor dos benefícios da Previdência através de sua não correção, Lula manteve o confisco do fator previdenciário. O fator previdenciário é um método utilizado para que os trabalhadores adiem suas aposentadorias, já que reduz o valor do benefício, tanto em função da idade como do tempo de contribuição.

Assim, amplia o descaso com que os dependentes do INSS são tratados, com rendas miseráveis e sem condições de cuidar nem mesmo de sua saúde. As regras do cálculo do fator previdenciário são confusas, arbitrárias e formuladas para justificar o arrocho dos benefícios, levando em conta a expectativa de vida da população brasileira, que a cada ano muda de acordo com estatísticas elaboradas pelo próprio governo.

        Nós nunca achamos que a sanção do fim do fator previdenciário pudese vir das mãos de Lula, embora este redutor tenha sido criado pelo PSDB com o voto contrário do PT, na época. Isso acontece porque, governe quem governe, o compromisso de arrochar salários e benefícios é uma obrigação diante dos empresários e banqueiros.

Lula, inclusive, cogitava a hipótese de adotar o chamado modelo 85/95, correspondendo estes números à soma da idade e de contribuição, exigidos para mulheres e homens, respectivamente. Ou seja, caso o fator previdenciário fosse de fato extinto, na hipótese de o veto de Lula ser derrotado, já existirtia um "plano b" de manutenção do ataque aos direitos da maioria da população.

        A defesa incondicional do fator previdenciário pelo PT e por Lula, mesmo perdendo prestígio por representar a medida criada por Fernando Henrique Cardoso, prova que Lula é igual a FHC, no modelo econômico neoliberal e nos ataques aos trabalhadores e aposentados. Mudam os nomes e seguem os ataques.

Derrotar Lula e seu reajuste! Pela reposição das perdas históricas dos aposentados e de todos os trabalhadores!

        Mesmo que o governo tenha sido obrigado a conceder um reajuste 1,5% maior que a sua proposta inicial, este valor sequer repõe as perdas do último período; quem dirá as perdas históricas dos aposentados no Brasil.

        Ano após ano, o poder aquisitivo tem caído, assim como aumentam os gastos com saúde, aluguel e serviços públicos, como água e luz. Não é por acaso que os aposentados estão até o pescoço endividados. É fundamental unificar as lutas dos aposentados e pensionistas com as dos demais trabalhadores, e, juntos, lutar para impor um orçamento a serviço dos trabalhadores.

        Mais uma vez é necessário reafirmar: ou derrota-se Lula, Dilma e Serra, e se coloca abaixo o Congresso corrupto e se constrói um novo tipo de Estado e sociedade, ou o que restará à classe trabalhadora não serão mais que migalhas.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!