Publicada em 09/11/2009

Diante da violência alastrada no RJ, governos propõem mais repressão aos trabalhadores!

Algumas semanas depois de o Rio de Janeiro viver dias de tormenta, tendo um helicóptero sendo alvejado e derrubado pelas poderosíssimas armas do tráfico, é possível notar o total desprezo das autoridades diante de tamanha barbárie.

O fato do helicóptero é chocante por parecer uma cena que só se vê em guerras, mas a violência, enquanto problema crônico do capitalismo, é uma constante, principalmente nas regiões mais miseráveis do país e do mundo.
Nas comunidades, a população é obrigada a viver no meio do fogo cruzado: hora é a polícia que dá toques de recolher para fazer suas "batidas" de fachada (pois se sabe que a regra é a corrupção dentro da corporação para deixar o tráfico atuando livremente), outras horas é o próprio tráfico, que se sente traído por um ou outro oficial, que descumpriu o acordo mesmo depois de ter recebido o "arrego" para não prender ninguém, ou quando se dão confrontos entre facções diferentes por disputa de alguma região para controlar a venda de drogas de determinada área.

Atualmente, um outro fenômeno tem se alastrado pelos morros do Rio de Janeiro, que são as milícias. São um reflexo da decadência total das instituições de repressão do Estado burguês, onde ex-PMs e oficiais criam quadrilhas para expulsar os traficantes e facções dos morros, para que eles mesmos tomem o controle da opressão e exploração sobre os trabalhadores.
Mesmo antes desse fato chocante, que demonstra o poderio das armas hoje na mão dos traficantes (podendo ser comparadas a armamentos dos melhores exércitos do mundo), é fato que a violência está alastrada pelo país como nunca se viu antes, ainda que sempre tenha existido de modo constante.

Dentro disso, é lamentável e causa indignação a declaração do secretário de segurança do RJ, José Mariano Beltrame, afirmando que a cidade não é violenta. A frase, totalmente fora da realidade, e que tenta esconder um fato que os trabalhadores sentem no seu cotidiano, só poderia ter vindo da boca de um grande representante dos patrões, que com certeza deve morar em uma área nobre do Rio de Janeiro e observa essa violência do alto de alguma cobertura. Depois de afirmar essa barbaridade, Beltrame veio a público dizer que tinha sido infeliz e que não era isso o que queria dizer. Apesar das desculpas esfarrapadas, ele, assim como todos os outros políticos eleitoreiros, sabem que a violência existe, assim como também sabem que boa parte da riqueza de grandes empresários -setor para a qual governam- vem justamente do tráfico de drogas e da "indústria" da violência. Afirma não existir violência na tentativa de esconder a verdade: de que o estado burguês é incapaz de resolver esse tipo de problema, pois não só é cúmplice como se alimenta diretamente do crime, do tráfico e etc.

Eles são todos iguais

Junto com essa afirmação ridícula do secretário, outro que apresentou uma brilhante saída para o problema foi o Ministro da Justiça, Tarso Genro. Na tentativa de dar uma resposta a milhares de trabalhadores que não aguentam mais viver essa ameaça e terrorismo constantes, afirmou que, se necessário, serão destacados soldados do exército para combater essa violência toda.
       É possível entender esse discurso, o mesmo defendido por governos anteriores, como o de FHC e pelo atual governador fluminense, Sérgio Cabral, que apontam como alternativa o aumento de policiais, do exército e da repressão nas ruas.
Antes, o governo do PT ainda tinha alguma preocupação, mesmo que aparente, em dizer que era necessário dar oportunidades à parte da população mais pobre, garantindo escolas, direito à saúde, emprego. Por todos eles serem exatamente iguais no jeito de governar, contra os trabalhadores e a serviço dos grandes empresários, qualquer medida no sentido das oportunidades é impossível de ser concretizada.     Logo, a única alternativa que apresentam (ainda mais estando o Brasil prestes a sediar a Copa do Mundo) é aumentar a repressão, para tentar jogar a sujeira para debaixo do tapete.
       A mesma polícia que Tarso defende como a grande salvadora da pátria, é que faz acordos com o tráfico, sobe os morros invadindo casas, assassina trabalhadores negros e pobres como se isso fosse sinônimo de ser marginal.
Mais uma vez fica claro que independente do governo, do nome e da falsa ideologia que cada um defende, todos aqueles que pretendem reformar o capitalismo e tapar os buracos desse modo de produção decadente acabam indo contra os trabalhadores.

 

 

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